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Harare21/11/2017 | 14h27

O Zimbábue desde a sua independência: da Rodésia à renúncia de Mugabe

AFP
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Desde a independência do país, em 1980, Robert Mugabe controlava o Zimbábue.

Veja algumas datas-chave de seus 37 anos no comando do país, um dos reinados mais longevos do continente Africano e que culminaram nesta terça-feira com a sua renúncia.

- Rodésia -

Em 1890, chegam os colonos britânicos da África do Sul, liderados por Cecil Rhodes, que dará seu nome ao território. Em 1923, a Rodésia do Sul se torna uma colônia da Coroa.

Em 1965, o premier da minoria segregacionista branca Ian Smith rompe com o Reino Unido e proclama uma independência unilateral, para evitar a ascensão ao poder da maioria negra.

De 1972 a 1979, Ian Smith lança no país uma guerra contra os nacionalistas negros, liderados por Robert Mugabe y Joshua Nkomo, que deixa ao menos 27 mil mortos.

- Nascimento do Zimbábue -

Em abril de 1980, após os acordos de Lancaster House, a Rodésia do Sul se converte em Zimbábue.

O país explode em júbilo e o mundo saúda o nascimento de um modelo para a África. No estádio de Harare, centenas de milhares de pessoas assistem com orgulho ao hasteamento da nova bandeira e ao show de Bob Marley, que canta em homenagem à independência.

Canaan Banana se converte em presidente, um cargo honorífico. O primeiro-ministro é Robert Mugabe, que agarra o poder.

Em 1987, Mugabe se torna chefe de Estado, após uma reforma constitucional que institui o regime presidencial.

- Mais de 37 anos no poder -

O presidente gera esperança. Ele estende a mão à minoria branca e cria uma política social que beneficia a maioria negra, até então marginalizada.

Mas em fevereiro de 2000 ocorre a rejeição em referendo do projeto de nova Constituição que ele desejava aplicar.

Mugabe deixa os veteranos de guerra da independência invadirem as granjas, a maioria dirigida por brancos. Mais de 4 mil brancos abandonam suas propriedades agrícolas.

Em 2002, o presidente é reeleito em uma votação polêmica, marcada por atos violentos e intimidações.

Em 2008, o Movimento por uma Mudança Democrática (MDC), principal partido opositor, de Morgan Tsvangirai, toma o controle do parlamento da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF). Mas Mugabe segue como presidente, depois que Tsvangirai, na liderança do primeiro turno eleitoral, retira-se em consequência da onda de repressão à oposição.

Em 2013, Mugabe vence novamente as eleições presidenciais (61%) e seu partido conquista a maioria das cadeiras do parlamento.

- Uma economia frágil -

O país, rico em recursos minerais, enfrenta uma grave crise econômica e financeira.

O outrora celeiro da África meridional registra uma queda estrondosa de sua produção agrícola após o lançamento da reforma agrária.

Em 2009, o governo se vê obrigado a adotar o dólar americano e o rand sul-africano, após a queda da moeda nacional, o que fez os preços dispararem.

No fim de 2016, o governo lança outra moeda (com câmbio fixo), para conter a fuga de dólares para o exterior. Mas a medida não tem o efeito esperado.

A crise se traduz em um desemprego em massa (quase 90% da população economicamente ativa), na crise em serviços públicos e na falta de liquidez. Em outubro de 2017, o Zimbábue proíbe a importação de frutas e hortaliças, para economizar divisas.

- País da África meridional -

O Zimbábue é um país da África meridional que faz fronteira com Moçambique, África do Sul, Botsuana e Zâmbia.

Sua população era de 16,15 milhões de habitantes em 2016, segundo o Banco Mundial. O país conta com 50% de cristãos, a maioria anglicanos, e 40% de animistas.

As Victoria Falls são um destino turístico muito procurado por estrangeiros.

* AFP

 

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