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Teerã03/01/2018 | 20h45

Chefe dos Guardiães da Revolução iraniana anuncia 'fim da sedição'

AFP
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Os Guardiães da Revolução proclamaram nesta quarta-feira (3) o fim do movimento de protesto que deixou 21 mortos e centenas de detidos, após a celebração de manifestações maciças de apoio ao governo iraniano.

Apenas alguns protestos esporádicos em cidades de província aconteceram durante a madrugada de quarta-feira, segundo vídeos difundidos nas redes sociais, em contraste com as noites anteriores, de grandes manifestações contra a situação econômica e o governo.

A classe política -reformistas e conservadores- se posicionou contra os distúrbios desencadeados no dia 28 de dezembro em Mashhad, a segunda cidade do Irã, marcados pela violência e pela destruição do patrimônio público. O governo acusa "contra-revolucionários" com sede no exterior de tê-los fomentado.

A televisão estatal mostrou imagens ao vivo de enormes manifestações pró-regime em várias cidades.

Exibindo cartazes contra os "agitadores", os manifestantes pró-governo gritavam slogans a favor do Guia Supremo, o aiatolá Ali Khameni. Também pediam "morte aos Estados Unidos", "morte a Israel" e "morte a Monefagh", termo que designa a opositora Organização dos Mudjahedines do Povo do Irã.

A TV oficial mostrou imagens de multidões se manifestando nas cidades de Ahvaz (sudoeste), Arak (centro), Ilam (oeste), Gorgan (norte) e Kermanshah (oeste), entre outras.

"Oferecemos a nosso Guia o sangue que corre em nossas veias", gritavam os manifestantes, que também ondeavam bandeiras iranianas.

Estão previstas para a quinta-feira novas manifestações pró-governo em Ispahan e em Mashhad.

- Washington e Mujahedines acusados -

As autoridades iranianas tentaram minimizar o movimento de protesto, o mais significativo desde 2009, que foi violentamente reprimido, contra a reeleição do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad.

Durante um telefonema na quarta-feira com seu contraparte turco, Recep Tayyip Erdogan, o presidente iraniano, Hassan Rohani, que anteriormente falava de uma "pequena minoria" de contestadores, disse que espera o fim dos distúrbios "em algumas horas", segundo o presidente turco.

O chefe dos Guardiães da Revolução, Mohammad Ali Jafari, afirmou que o número de "agitadores" "não havia superado as 15.000 pessoas em todo o país". Ele acrescentou que pode anunciar "o fim da sedição", em declarações publicadas pelo exército de elite do regime na internet.

"Um grande número de agitadores, no centro da sedição, (...) foi formado por parte da contra-revolução e dos monafeghines", comentou, utilizando um termo que designa os Mujahedines do Povo, principal formação da oposição no exílio. Estes "foram detidos e haverá uma ação firme contra eles".

O Irã acusa os Mujahedines de estarem vinculados à Arábia Saudita, rival regional de Teerã.

O general Jafari declarou também que milhares de pessoas foram "treinadas" pelos Estados Unidos para "fomentar os distúrbios no Irã".

Washington avalia novas sanções contra representantes do governo iraniano, informou um responsável americano de alto escalão.

De Beirute, Hassan Nasrallah, o líder do movimento xiita libanês Hezbollah - financiado por Teerã -, afirmou que as "esperanças de Trump foram frustradas, assim como as dos israelenses e das autoridades sauditas que esperavam protestos mais expressivos que provocassem a queda do regime no Irã".

- Pedidos de reuniões da ONU -

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, pediu reuniões de urgência sobre o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova York, e no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Washington considera novas sanções contra representantes do regime iraniano, informou uma fonte americana que pediu anonimato.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a perda de vidas: "deve-se evitar a violência", e as autoridades iranianas têm "respeitar os direitos de se reunir pacificamente e a liberdade de expressão", declarou.

O Irã, por outro lado, se queixou ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral da ONU, António Guterres, da ingerência americana em assuntos internos de seu país por meio de uma carta tornada pública nesta quarta-feira por sua diplomacia.

"O atual governo americano ultrapassou todos os limites violando e infringiendo as leis do direito internacional", escreveu o representante iraniano na ONU, Gholamali Khoshroo

"Nos últimos dias, a administração americana, liderada por seu presidente, aumentou suas intervenções de maneira grotesca nos assuntos internos do Irã com o pretexto de apoiar as manifestações esporádicas", acrescentou.

Desde a última quinta-feira, as manifestações deixaram 21 mortos, na maioria manifestantes, e centenas de pessoas foram detidas, 450 delas em Teerã. Carros e edifícios oficiais foram atacados ou incendiados.

Nas ruas da capital, muitos habitantes asseguram compreender os motivos dos protestos, em um país com uma taxa de desemprego que atinge 40% entre os jovens. Mas, ao mesmo tempo, condenam as violências.

Outros iranianos rejeitam o discurso oficial segundo o qual os protestos são obra de potências estrangeiras.

"Não estou de acordo, as pessoas chegaram a um ponto em que não podem tolerar a pressão das autoridades, e agora estão nas ruas", diz Soraya Saadaat, de 54 anos, que está desempregada.

As autoridades condicionaram finalmente o bloqueio das redes sociais Telegram e Instagram nos smartphones à supressão de seus conteúdos de caráter "terrorista". Según elas, o Telegram foi usado para a convocação de protestos. No entanto, os usuários podem instalar um VPN (uma rede privada virtual) para acessar os aplicativo.

* AFP

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