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Havana03/01/2018 | 18h56

Cuba e UE confirmam acordo político apesar de Trump

AFP
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A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, começou nesta quarta-feira (3) uma visita de dois dias a Cuba para confirmar o acordo entre o bloco europeu e a ilha, um gesto que contraria a política de Donald Trump.

Mogherini iniciou sua agenda com um encontro com o ministro de Investimento Estrangeiro e Comércio Exterior, Rodrigo Malmierca, e depois se reuniu em particular com o Nuncio Apostólico, arcebispo Giorgorio Lingua, o cardeal cubano Jaime Ortega e o historiador de Havana Eusebio Leal.

"Com a entrada em vigor do acordo provisório, vamos fazer muito mais em todos os setores de sua competência", disse a Malmierca a chefe da diplomacia europeia, que também falará nesta quarta-feira na conferência magistral "A UE e América Latina".

Com essa terceira visita de Mogherini, busca-se "uma implementação conjunta ambiciosa e rápida do Acordo de Diálogo Político e Cooperação" assinado em 2016, havia expressado em comunicado o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

Segundo o SEAE, a representante de alto escalão para a Política Exterior da União Europeia estará "reconfirmando a forte relação entre UE e Cuba".

A UE é o segundo sócio comercial de Cuba, depois da China, com uma troca de 2,4 bilhões de dólares em 2016, assim como o maior investidor estrangeiro na ilha, em áreas como o turismo e a agroindústria.

Na quinta-feira, Mogherini se reunirá com o presidente do Parlamento, Esteban Lazo, e o chanceler Bruno Rodríguez.

- O acordo -

Assinado em 12 de dezembro de 2016, o acordo entrou em vigor em 1º de novembro de 2017 em caráter provisório, até que seja ratificado por todos os membros do bloco.

"Deve contribuir para a consolidação das relações estáveis, respeitosas, mutuamente benéficas e de longo prazo", declarou o Ministério das Relações Exteriores cubano naquela data.

Cuba era o único país na América Latina que não tinha um acordo deste tipo com a UE. Sua aplicação derrubou a "Posição Comum" de 1996, que Havana considerava "discriminatória", pois condicionava a cooperação ao avanço em matéria de direitos humanos.

O texto divide-se em três capítulos: diálogo político (direitos humanos, desarmamento, migração, drogas, luta contra o terrorismo, etc.); Cooperação e diálogo setorial (governança, sociedade civil, desenvolvimento social, meio ambiente) e trocas comerciais.

"Por parte da UE e do governo cubano, há um interesse na implementação do acordo", que supera a mudança presidencial anunciada em Cuba para abril, apontou à AFP o acadêmico Eduardo Perera, da Universidade de Havana.

Raúl Castro deixará a presidência de Cuba no dia 19 de abril e um novo presidente deverá sucedê-lo.

Para Perera, "os maiores riscos são que o acordo seja visto como um fim e não como um meio" ou que não evolua no curto prazo.

- A contramão de Trump -

As negociações do acordo levaram quase dois anos, e foram iniciadas antes que Barack Obama e Raúl Castro anunciassem o início do "descongelamento" entre os Estados Unidos e Cuba, em 17 de dezembro de 2014.

Este processo, que levou ao restabelecimento das relações bilaterais em 2015, favoreceu a aproximação da UE com a ilha.

Mas a chegada de Donald Trump à Casa Branca e sua mudança de política em relação a Cuba, reforçando o embargo e endurecendo a linguagem política, colocam a UE contra as intenções de Washington.

"Num contexto de retrocesso imposto pela administração Trump, (a visita) adquire uma conotação duplamente positiva, que evidencia por parte da UE a consistência de sua mudança política e o interesse de resultados", afirmou Perera.

No entanto, a UE e Cuba são atores díspares em muitos sentidos e não se descarta desacordos em questões como a Venezuela, o principal aliado político e econômico da ilha.

"A situação na Venezuela polariza significativamente a opinião pública e tem sido um tema de interesse muito visível para Cuba e a UE em 2017 e gera posições", concluiu Perera.

* AFP

 

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