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Miami08/03/2018 | 20h10

Flórida aprova lei que impede negócios com Venezuela

AFP
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Os legisladores da Flórida aprovaram nesta quinta-feira (8) uma lei que proíbe este estado americano de investir em empresas que façam negócios com o governo da Venezuela, em resposta ao "uso de extrema violência e perseguição política".

A lei proíbe à Junta de Administração Estadual (SBA) "investir em ações, títulos de dívida e outras obrigações" com qualquer companhia nos Estados Unidos que faça negócios com o governo da Venezuela.

O dinheiro dos contribuintes da Flórida tampouco poderá ser usado para negociar com instituições financeiras, companhias que outorguem créditos, ou comprem bônus, bens e serviços que, de alguma forma, beneficiem o governo de Nicolás Maduro.

"Juntos, continuaremos mostrando a inaceitável violência e tirania política infligidas por Maduro e seus impiedosos capangas", disse o governador da Flórida, Rick Scott, principal impulsionador da medida.

Espera-se que Scott assine esta semana ou na próxima a "Lei de investimentos estaduais", que entrará em vigor em 1º de julho deste ano.

A representante republicana Jeanette Núñez disse que "esta lei fortalece a oposição da Flórida ao governo opressor e brutal de Maduro".

"Juntos seguiremos lutando para levar a democracia ao povo da Venezuela", continuou.

Isso acontece em um momento em que a Venezuela se prepara para as eleições de 20 de maio, nas quais Maduro tentará ser reeleito até 2025, e que são tachadas de fraude pela oposição, cujos principais líderes estão presos ou foram inabilitados politicamente.

No ano passado, uma onda de protestos que exigia a saída de Maduro do poder deixou 125 mortos, em um contexto de profunda escassez, de uma inflação projetada pelo FMI para este ano em 13.000% e um racha social que está provocando uma crise de refugiados na América Latina.

Segundo a nova lei 359 da Flórida, "o governo da Venezuela é intolerável porque usou e continua usando extrema violência e perseguição política em uma supressão orquestrada dos direitos humanos".

Não obstante, o governador tem o poder de suspender as restrições sobre os negócios com a Venezuela "se o atual governo entrar em colapso, e há uma necessidade de ajuda imediata (...) e outras razões humanitárias".

O governo venezuelano atribui a crise a uma "guerra econômica" para derrubá-lo.

- Uma sequela do Goldman Sachs -

A proposta foi desenhada originalmente em julho pelo senador democrata José Javier Rodríguez depois que o banco de investimentos Goldman Sachs comprou bônus venezuelanos a menos de um terço do preço.

A transação desencadeou a ira dos opositores de Maduro, que acusaram o Goldman Sachs de apoiar a "ditadura", e se manifestaram na porta do banco em Miami e Nova York.

Após o escândalo, o governador Scott se reuniu com líderes da comunidade venezuelana na Flórida.

Um deles, Carlos Vecchio - coordenador político no exílio do Vontade Popular, liderado pelo preso político Leopoldo López - disse que espera que esta lei inspire outros estados a tomar medidas similares.

"O relevante disso é o quão danoso Nicolás Maduro se tornou para o país, porque este tipo de ação deriva da postura ditatorial que o presidente assumiu", disse Vecchio à AFP em Miami.

A Flórida não pode impedir que particulares façam negócios com o governo da Venezuela, posto que isso seria um atributo que somente o governo federal em Washington pode fazer. Não obstante, tem o poder de decidir sobre os investimentos feitos pelas empresas do estado.

Washington já aplicou sanções contra Maduro e outros funcionários de alto escalão e proibiu a cidadãos e empresas americanos negociarem a dívida da Venezuela e de sua petroleira estatal Pdvsa. Além disso, considera a possibilidade de sancionar as exportações petroleiras.

Os Estados Unidos são o principal cliente da Venezuela, cujas rendas proveem quase totalmente (96%) da venda do petróleo.

De acordo com dados de 2016 do censo, cerca de 300 mil venezuelanos vivem nos Estados Unidos. Destes, quase metade (144 mil) residem na Flórida, particularmente em Miami.

* AFP

 

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