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Kaesong14/09/2018 | 11h26

Coreias abrem escritório conjunto de coordenação

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Coreia do Sul e Coreia do Norte abriram nesta sexta-feira um escritório conjunto de coordenação, na localidade norte-coreana de Kaesong, em mais uma ação de aproximação entre os dois países antes da visita do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, a Pyongyang na próxima semana.

"Um novo capítulo da história se abre hoje aqui", declarou o ministro sul-coreano da Unificação, Cho Myoung-gyon, durante a cerimônia de abertura do escritório, segundo um pool de jornalistas.

"Este escritório de coordenação é um novo símbolo de paz criado conjuntamente pelo Sul e o Norte", acrescentou o ministro.

O local inclui escritórios separados para o Norte e o Sul, assim como uma sala de conferências comum.

Segundo Seul, este "canal de consultas e comunicação" permanecerá aberto as 24 horas do dia, durante todo o ano. Ao menos 20 representantes de cada país trabalharão no escritório.

A inauguração desta sexta-feira foi assistida por mais de 100 pessoas, incluindo empresários sul-coreanos envolvidos na zona industrial conjunta de Kaesong, fechada pela então presidente conservadora sul-coreana Park Geun-hye em 2016, após o quarto teste nuclear de Pyongyang.

As duas Coreias buscam facilitar os intercâmbios com a abertura do escritório, que foi acertada após a primeira cúpula entre Moon e o líder norte-coreano, Kim Jong Un, no final de abril, segundo o ministério da Unificação.

Os dois países tentam multiplicar os projetos conjuntos em numerosos âmbitos desde a reunião de Kim e Moon em Panmunjom, o povoado da Zona Desmilitarizada que divide a península onde se firmou o armistício da guerra da Coreia (1950-53).

Moon começará na próxima terça-feira, em Pyongyang, uma visita de três dias que será a terceira cúpula intercoreana este ano.

O presidente sul-coreano se tornou no último ano o artífice de um rápido degelo na península, que permitiu um encontro histórico entre Kim e o presidente americano, Donald Trump, em junho passado em Singapura.

Nesta ocasião, o líder norte-coreano se mostrou favorável "à desnuclearização da península", uma expressão que permite todo tipo de interpretação.

Enquanto as duas Coreias estreitam seus laços, os esforços americanos para conseguir avanços tangíveis na desnuclearização do Norte parecem estar estagnados.

- Diminuir as tensões -

O Norte tem "a vontade de realizar sua desnuclearização", e os Estados Unidos estão dispostos a deixar para trás as hostilidades e fornecer garantias de segurança, assegurou Moon na quinta-feira. "Mas há bloqueios porque cada parte pede que o outro seja o primeiro a agir", reconheceu.

No mês passado, Trump cancelou uma visita a Pyongyang de seu secretário de Estado, Mike Pompeo, considerando que as ações norte-coreanas em relação à desnuclearização eram insuficientes.

Por sua vez, a Coreia do Norte denunciou os métodos de "gângster" dos americanos, acusando o governo Trump de querer obter o desarmamento unilateral sem fazer concessões.

No entanto, as relações entre os dois países parecem ter melhorado nos últimos dias, depois que Kim enviou a Trump uma carta propondo uma nova reunião e que Pyongyang se absteve de exibir seus mísseis intercontinentais durante o desfile militar do 70º aniversário da independência do país.

O escritório conjunto está localizado em uma cidade que fazia parte da Coreia do Sul depois que Moscou e Washington dividiram a península nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Mas depois da Guerra da Coreia (1950-1953), que terminou com um armistício, Kaesong permaneceu do lado norte-coreano da Zona Desmilitarizada.

O prédio de quatro andares inclui escritórios separados para o Norte e o Sul, além de uma sala de conferência comum.

Segundo Seul, esse "canal de consultas e comunicação" permanecerá aberto 24 horas por dia, durante todo o ano.

Seu objetivo é facilitar intercâmbios transfronteiriços, melhorar as relações entre o Norte e os Estados Unidos e aliviar as tensões militares.

Vinte representantes de cada país vão trabalhar nesse escritório.

* AFP

 
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