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Bruxelas10/12/2018 | 14h25

UE busca impulsionar grupo de contato para facilitar diálogo na Venezuela

AFP
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Após um ano de sanções, a União Europeia (UE) trabalha para criar um "grupo de contato internacional" para facilitar o diálogo entre o governo e a oposição venezuelana, num momento em que Nicolás Maduro se aproxima de potências como a Rússia e a Turquia.

Os 28 chanceleres da UE discutem nesta segunda-feira em Bruxelas este "grupo de contato" que, de acordo com o espanhol Josep Borrell, deve ser "compacto, coerente e cheio de boa vontade e desejo de tentar facilitar essa aproximação".

A UE, que nos últimos 13 meses impôs sanções a funcionários venezuelanos e um embargo de armas ao governo de Maduro, está preocupada com a situação no país, especialmente humanitária, e por isso quer promover uma solução negociada na Venezuela.

O objetivo é mobilizar os países europeus e americanos, bem como organizações internacionais, "para falar com o governo ou a oposição, ou ambos", afirmou uma autoridade europeia.

Enquanto os ministros discutem nesta segunda o grupo de contato, entre os atores que poderiam fazer parte figura a Espanha, "um dos países que tem impulsionado a [sua] criação", nas palavras de Borrell, que destacou a "quantidade enorme de espanhóis" na Venezuela.

A tarefa será complicada, dado o fracasso das negociações anteriores entre governo e oposição.

Apesar dos apelos de países como Espanha e Portugal, bem como da chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini, de tentar criar as condições para o diálogo, outros, como o Reino Unido, Alemanha e Holanda procuram evitar isso represente uma tábua de salvação para Maduro.

Diante do cerco diplomático na América Latina e a pressão dos Estados Unidos, o herdeiro político de Hugo Chávez (1999-2013) tenta uma aproximação maior com seus aliados China, Rússia, Coreia do Norte e Turquia.

A UE, apesar de ter imposto sanções por considerar que Caracas solapou a democracia, o Estado de direito e os direitos humanos, sempre tentou manter canais abertos de diálogo com o presidente venezuelano, a quems, por exemplo, não impôs medidas restritivas.

A autoridade europeia que constatou que "a situação não melhorou", apesar da imposição de sanções, estimou que atingiram seu objetivo, já que "alguns atores venezuelanos que se sentiam relativamente à vontade até então na Europa, já não se sentem mais".

As sanções individuais, que consistem no congelamento de bens e na proibição de vistos no bloco, deixaram "muitas pessoas nervosas", segundo o analista do Elcano Royal Institute, Carlos Malamud, para quem muitos líderes têm família e bens UE.

Sobre um diálogo, "o problema é que o atual governo venezuelano, por várias razões, recusa-se a estabelecer uma negociação séria sobre uma possível transição ou mudança de modelo, ou mesmo sobre ajuda humanitária", disse Malamud à AFP.

Nos últimos meses, o bloco alocou 55 milhões de euros (62,8 milhões de dólares) para enfrentar a crise humanitária, especialmente para os refugiados venezuelanos.

A UE também mantém suas sanções atuais e reitera seus apelos ao governo de Maduro, cuja posse em 10 de janeiro para um segundo mandato deve gerar uma nova reação do bloco, que os chanceleres também debatem nesta segunda-feira.

"Não nos importamos com nada que a UE diga", disse no domingo o poderoso líder Diosdado Cabello, um dos 18 funcionários sancionados pela UE e presidente da Assembleia Constituinte, uma instituição que os europeus também não reconhecem.

* AFP

 

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