13 de julho: Dia Mundial do Rock - Jornal de Santa Catarina: notícias de Blumenau, Vale do Itajaí e SC

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13/07/2009 | 06h43

13 de julho: Dia Mundial do Rock

Há 24 anos, estrelas da música se reuniram para cantar contra a fome

13 de julho: Dia Mundial do Rock Ricardo Chaves, BD - 17/10/1975/
Bill Haley em show no Gigantinho, em 1975 Foto: Ricardo Chaves, BD - 17/10/1975
Há exatos 24 anos, o rock mundial pegou em armas contra a fome. Não foram usadas bazucas ou metralhadoras, mas guitarras, baixos e baterias: era o festival Live Aid, organizado pelo cantor e ativista Bob Geldof — o personagem Pink do filme The Wall — para arrecadar fundos destinados aos famintos na Etiópia. Dividido entre palcos nos estádios Wembley, em Londres, e JFK, na Filadélfia, o evento reuniu um batalhão de estrelas — entre elas, Paul McCartney, Madonna, David Bowie, Queen, U2 e um Led Zeppelin reunido para a ocasião — a banda havia sido dissolvida cinco anos antes, com a morte do baterista John Bonham. Desde então, o 13 de julho é lembrado como o Dia Mundial do Rock.

Foi, de fato, uma data em que o rock encarnou uma de suas principais características — a inconformidade com o status quo. Parece uma boa escolha, na medida em que é praticamente impossível definir uma data para o nascimento do rock'n'roll: uns dizem que é o compacto Rocket 88, de Jackie Brenston, lançado em 1951 e regravado por Ike Turner (mais famoso como descobridor e marido de Tina Turner) no mesmo ano. Outros preferem Rock Around the Clock, cover gravado por Bill Haley em 1954. Há também os fãs incondicionais de That's All Right, Mama, primeiro compacto de Elvis, também de 1954.

Essa é daquelas histórias que não pode ser resumida em uma única data, ou em três acordes. Assim, o Segundo Caderno lista outras ocasiões que também poderiam ser consideradas dias mundiais do rock. Não necessariamente datas de lançamentos de discos ou nascimento e morte de artistas, mas episódios que foram decisivos para que esse tal de rock'n'roll continue rolando por aí.

18 de julho de 1953

Um caminhoneiro de 18 anos entra no estúdio da Sun Records, em Memphis, querendo gravar um compacto para presentear a própria mãe. A funcionária do estúdio pergunta a ele qual seu estilo, ele responde: "Todos". Grava My Happiness e That's When Your Heartaches Begin, hits da época, e leva um disco de acetato com as gravações. A funcionária anota: "bom cantor de baladas". O cara é Elvis Aaron Presley. Um ano depois, o dono do estúdio, Sam Phillips, à procura de um cantor que pudesse cantar blues em ritmo de boogie-woogie, telefona para o caminhoneiro — que em julho de 1954 gravou o primeiro single oficial, That's All Right, Mama, e tornou-se um dos reis do rock.

6 de julho de 1957

Na festa de sábado à tarde no pátio da igreja de Woolton, subúrbio de Liverpool, uma das atrações é o showzinho de skiffle (o rock'n'roll britânico da época) da banda The Quarrymen. À frente da banda, um rapaz ruivo e topetudo de camisa xadrez, chamado John Winston Lennon, de 16 anos, chama a atenção de um outro músico na plateia — James Paul McCartney, 15, que foi à festa a convite de um amigo comum, Ivan Vaughan. Nos bastidores, em um intervalo do show, Vaughan apresenta Paul a John. O mais novo logo pega um violão e mostra seus dotes, tocando Twenty Flight Rock, de Eddie Cochran. John pensa: "Esse cara toca tão bem quanto eu. É melhor convidá-lo para a banda". E aí surge a maior dupla de compositores do século 20.

3 de fevereiro de 1959

A turnê Winter Dance Party reúne nomes reluzentes do rock americano — entre eles, os cantores Buddy Holly, J.P. "Big Bopper" Richardson e Ritchie Valens (sim, o cantor de La Bamba). Mas faz tanto frio que Holly decide fretar um avião para a viagem entre as cidades de Clear Lake, Iowa, e Moorhead, Minnesota. Há lugar para três passageiros. Holly iria levar junto seus colegas de banda, mas Richardson, gripado, pede uma vaga no voo. Valens sorteia na moeda o último assento. O avião decola à 1h do dia 3 e cai poucos minutos depois — investigações apontam mau tempo e falha do piloto como causas prováveis. Holly, Valens, Richardson e o piloto morrem na hora. A data é lembrada nos Estados Unidos como O Dia em que a Música Morreu.

7 de maio de 1965

Depois de um show no estádio Jack Russell, na cidade de Clearwater, Flórida, o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, está dormindo no hotel Jack Tar Harrison. Na madrugada, acorda com um riff irresistível na cabeça: pega a guitarra, grava o tema e volta ao sono. Dias depois, ele e Mick Jagger terminam a música, com o vocalista escrevendo a maior parte da letra. Na gravação, no dia 12, Richards toca o riff com a guitarra turbinada pelo efeito fuzz — é até possível ouvir o pedal sendo acionado durante a música. A canção recebe o título de (I Can't Get No) Satisfaction, e o rock ganha um de seus hinos.

25 de julho de 1965

Bob Dylan é a atração principal do dia no Newport Folk Festival. Causa furor ao entrar em cena com uma banda munida de instrumentos elétricos — o que, para os puristas, é uma rendição ao rock'n'roll, considerado "mera música comercial". Uns vaiam, outros aplaudem, Dylan sai de cena depois de três músicas e volta, só com o violão, para cantar mais duas.

27 de agosto de 1965

Um encontro da nobreza do rock: em turnê pelos Estados Unidos, os Beatles vão visitar o ídolo Elvis Presley, na mansão do cantor em Los Angeles. John, Paul, George e Ringo encontram Elvis sentado em um sofá, com a TV ligada e sem áudio, tocando um baixo. Depois de alguma timidez, os cinco falam sobre suas turnês e seus fãs. Ainda fazem uma breve jam session com baixo, violão e piano, mas ninguém grava...

15 de agosto de 1969

O cantor folk Richie Havens, munido apenas de seu violão, abre a Feira de Arte e Música de Woodstock, em uma fazenda no interior do estado americano de Nova York. O que se segue é a entrada definitiva do rock na era dos eventos de massa: em três dias, 500 mil pessoas assistem a shows de alguns dos grandes nomes da cena roqueira: Santana, Janis Joplin, The Who e Jimi Hendrix — este, ao tocar na guitarra o hino americano Star Spangled Banner, fornece o som e a imagem que simbolizam a festa.

17 de outubro de 1975

Pode ser considerado o Dia Porto-Alegrense do Rock: um dos pais do gênero, Bill Haley, toca no Ginásio Gigantinho. Ele e sua banda demonstram, diante de cerca de 7 mil gaúchos, a essência dançante e festeira da aurora roqueira, tocando hits como See You Later, Alligator e a indefectível Rock Around the Clock, causando boa impressão.

4 de junho de 1976

São cerca de 40 pessoas na plateia do Lesser Free Trade Hall, em Manchester, para assistir ao show dos Sex Pistols. Quase todas elas saem dali decididas a virar rockstars, inspiradas pela performance da banda. Pelos relatos, alguns dos presentes são Pete Shelley e Howard Devoto (Buzzcocks), Peter Hook e Bernard Sumner (Joy Division e New Order), Mark Smith (The Fall) e Morrissey (The Smiths). O punk rock começa a influenciar (todo) o rock que veio depois.

28 de fevereiro de 1984

Michael Jackson sai da 26ª cerimônia do Grammy com nada menos que oito estatuetas para o álbum Thriller (1982). Dois dos prêmios — Gravação do Ano e Melhor Performance Vocal de Rock Masculina — vão para a canção Beat It, um dos maiores hits do álbum. Beat It traz um dos riffs mais conhecidos da música popular e sela a aproximação entre o rock e a black music, derrubando uma fronteira mais mercadológica que artística — o vídeo da canção é um dos primeiros lançados por um artista negro a ganhar destaque na MTV. O guitarrista Eddie Van Halen gravou o solo — e não cobrou nada pela canja.

11 de janeiro de 1985

Às 18h, Ney Matogrosso entra no palco da Cidade do Rock — uma área de 250 mil metros quadrados construída na Barra da Tijuca especialmente para o festival Rock In Rio. Nos próximos dias, o evento recebe figurões do rock mundial: Queen, AC/DC, Iron Maiden, Rod Stewart, Yes, Scorpions e Ozzy Osbourne, entre outros. Também estão no festival bandas nacionais — Paralamas do Sucesso, Blitz, Barão Vermelho, Lulu Santos, Kid Abelha. O evento consolida o rock brasileiro como fenômeno popular: a cobertura na TV atrai a atenção do grande público e dezenas de novas bandas surgem nos anos seguintes.

17 de abril de 1991

Com a habitual falta de cerimônia, o guitarrista e cantor do Nirvana, Kurt Cobain, anuncia ao público do OK Hotel, em Seattle, uma nova canção da banda: Smells Like Teen Spirit. É a primeira vez que o trio toca a música em público, e um mês depois eles estão em Los Angeles, no Sound City Studios, para gravá-la. Ela torna-se o primeiro single do disco Nevermind, que chega às lojas em setembro. O vídeo de Smells... abre caminho na MTV e o Nirvana inaugura uma nova revolução no rock, mais tarde definida como grunge — no qual canções com estrofes melódicas e estribilhos gritados (e vice-versa) são a palavra de ordem.

14 de agosto de 1995

Duas das maiores bandas inglesas daquele momento lançam, simultaneamente, seus novos singles. Notoriamente rivais, os protagonistas do confronto são Oasis (com Roll With It) e Blur (com Country House). Os irmãos Gallagher perderam o primeiro round — Country House vendeu mais —, mas tiveram sua vingança quando saíram os álbuns com as respectivas músicas, nos meses seguintes: (What's the Story) Morning Glory acabou superando em vendagens o disco do Blur, The Great Escape.

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