Mandala gigante é a principal atração da II Semana de Arte e Cultura Tibetana, em Florianópolis - Jornal de Santa Catarina: notícias de Blumenau, Vale do Itajaí e SC

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31/05/2011 | 08h15

Mandala gigante é a principal atração da II Semana de Arte e Cultura Tibetana, em Florianópolis

Após o término da construção, monge Venerável Tenzin a desmanchará, exercitando o desapego; evento vai até sexta-feira no hall da reitoria da UFSC

Mandala gigante é a principal atração da II Semana de Arte e Cultura Tibetana, em Florianópolis Charles Guerra/Agencia RBS
Mandala tem mais de um metro de diâmetro e deve ser elaborada em 50 horas de trabalho Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

O tilintar do sino avisa que o ritual para o início da montagem da mandala gigante de areia colorida está começando. Em frente ao altar portátil, o monge Venerável Tenzin termina seu mantra, pega o mala (espécie de terço para os católicos) enrola no braço e senta sobre a bancada azul onde está desenhada uma das maiores expressões da cultura tibetana.

Esta cena vai se repetir até sexta-feira no hall da Reitoria da UFSC onde ocorre a II Semana de Arte e Cultura Tibetana. De dia a atração é a mandala gigante e a exposição de fotos e de Thangkas.

Saiba mais sobre o Tibete

À noite, uma série de palestras discute os desafios de se manter a cultura tibetana que sobrevive no no exílio.

Para a cultura Ocidental é difícil entender como uma pessoa pode ter uma concentração tão grande a ponto de executar movimentos com precisão milimétrica.

Para os monges a explicação não vem do talento e nem da habilidade. É apenas um reflexo do equilíbrio da mente.

Tenzin é um dos poucos monges do mundo que tem em seu ritual a montagem da mandala de areia – que mede mais de um metro de diâmetro e deverá ser elaborada em mais de 50 horas de trabalho.

Morador do monastério Namgyar, em Nova York, ele está construindo em Florianópolis a mandala da medicina, um símbolo que, segundo os budistas, representa a cura. A mandala é um centro gerador de boas energias e, por onde ela passa, há sempre uma modificação do lugar.

– A mandala é como a vida. Todos os dias nós fazemos um pouquinho. Tem dias que colorimos mais nossa vida. Em outros usamos mais o cinza – compara Cerys Tramontini, presidente do Centro de Cultura Tibetana.

Na sexta-feira, quando a mandala estiver totalmente colorida, Tinzen fará a desmontagem do trabalho. É quando ele faz o ritual do desapego, o exercício da impermanência.

O desapego não significa não ter as coisas. É saber o que fazer quando estas coisas terminam. A vida termina, um sapato termina, o amor termina.

Em torno da área onde o monge trabalha em meditação profunda, há a exposição The Missin Peace, uma seleção de 18 imagens onde cada fotógrafo dá seu significado para Dalai Lama.

Há também as Thankgas, quadros com metros e meio de altura que são pintados em tecido e sem assinatura. A não autoria também uma prática tibetana.

DIÁRIO CATARINENSE

 
 

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