Lei que proíbe venda de alimentos industrializados em escolas faz parte de educação nutricional, defende professor da UFSC - Jornal de Santa Catarina: notícias de Blumenau, Vale do Itajaí e SC

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Cantinas Clandestinas15/06/2017 | 03h19Atualizada em 15/06/2017 | 03h44

Lei que proíbe venda de alimentos industrializados em escolas faz parte de educação nutricional, defende professor da UFSC

Especialista afirma que legislação tem o objetivo de proteger a saúde de crianças e adolescentes 

Mais da metade dos brasileiros tem sobrepeso. E 18,5% da população do país é obesa. Na última década, esse problema cresceu 60% no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre as crianças menores de cinco anos, o índice de sobrepeso é de 7,3%, conforme números da Organização Mundial da Saúde (OMS). E a obesidade é fator de risco para doenças graves, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos, que figuram entre as principais causas de morte entre adultos. Ainda assim, nem todo mundo se convence de que nutrição é coisa séria.

Em reportagem publicada na quarta-feira, o DC mostrou a venda irregular de salgadinhos e doces em escolas do Estado, contrariando uma legislação de 2001, que foi feita com o objetivo de melhorar a nutrição e a saúde das crianças. O professor da UFSC Francisco de Assis Guedes de Vasconcelos fala sobre a importância da lei e sobre o cenário atual da obesidade no país. 

Criança aguarda para comprar lanche em cantina camuflada. Foto: arquivo pessoal / Divulgação

"A legislação é uma maneira de proteger a saúde", diz professor

O Brasil passou de um país de desnutridos — deixou o mapa da desnutrição da ONU em 2014 — para um país de obesos. Como isso aconteceu?
Por conta da mudança dos hábitos que veio com a alimentação industrializada. No Brasil, isso começou nos anos 1970 com a forte penetração da indústria dos alimentos. No ambiente escolar, a indústria teve muita influência, e na população como um todo também. E dos anos 1990 para os 2000, chegaram novos produtos, que vão perdendo a característica de alimento. São enlatados, processados, ricos em açúcar e gordura saturada. Isso fez com que houvesse a transição da desnutrição para a obesidade. Além disso, o brasileiro  se tornou mais sedentário. 

Como o senhor vê a legislação que proíbe a venda de alimentos industrializados em escolas?
Eu fiz pesquisa sobre o cumprimento dessa lei em Florianópolis, porque ela começou aqui e depois se expandiu para o Estado e para outros locais do país. Já na época (no início da aplicação da lei), a gente já via essa resistência. tanto de diretores de escolas quanto de gente que gerencia, além de pais e professores em relação à norma. O pessoal sempre coloca esse discurso de liberdade de escolha. E o que a gente colocava é que a gente está proibindo para proteger, para a alimentação saudável dos escolares. A lei é também parte de um processo de educação nutricional, tanto para os alunos quanto para a comunidade escolar. Sabemos que o comércio de produtos não saudáveis tem muito estímulo para atrair os consumidores, principalmente a população infantil. A criança sofre estímulo diário para adquirir esse gosto por refrigerante, por guloseima, por todos os produtos ultraprocessados, que só oferecem calorias. Então a gente defendia a lei nesse sentido. Só que para ela ser cumprida, tem que haver o envolvimento de todos. 

Parte da população tende a minimizar o descumprimento da lei. Por que é preocupante que crianças se alimentem com comida industrializada?
Esses alimentos estão muito associados com obesidade e outras doenças, além de um variado número de tipos de câncer. Quanto mais cedo você é exposto a esse tipo de alimentação, pior. 

Que políticas públicas funcionam no sentido de reeducação da obesidade e conscientização da nutrição?
Em Florianópolis tínhamos um programa coordenado por nutricionistas competentes, com base em alimentos in natura, tinha a listagem de alimentos que o próprio Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) regulamenta. Esse é um programa que estimula as crianças a ter um hábito mais saudável. Mas, apesar dele ser universal, há resistência também. Sabemos que nem todas as crianças aderem ao programa. E aí, quais alimentos competem com isso? A cantina, o comércio em torno da escola, em algumas escolas as turmas de formandos promovem determinadas vendas que deveriam ser controladas também. 

O Ministério da Saúde, na pesquisa Vigitel, faz um cruzamento de dados entre obesidade e hábitos de saúde e anos de escolaridade. Em geral, quem tem mais escolaridade tende a ser mais consciente e praticar mais os hábitos saudáveis?
Geralmente, sim, mas isso não se aplica sempre. Um exemplo é a mudança no hábito de fumar, que foi mais uma questão de controle e proibição do que o próprio fumante ter noção de que fumar gera prejuízo à saúde. As pessoas sabem que dá câncer, que dá impotência, mas continuam fumando, porque é bom, porque é o hábito, tem uma série de justificativas. Mas em geral há sim uma associação entre escolaridade e hábitos mais saudáveis.

O senhor acha que os brasileiros estão mais conscientes quanto à importância da nutrição?
Em alguns aspectos, sim. Vemos uma preocupação com a busca de uma alimentação saudável, busca pela produção, por parte de agricultores familiares, de alimento orgânico, preocupação em aumentar atividade física. Estamos vendo essa preocupação. Agora, são pequenos grupos ainda.  

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