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Rimbo10/12/2018 | 14h51

ONU propõe controle conjunto da cidade iemenita de Hodeida

AFP
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O enviado especial da ONU para o Iêmen propôs que os rebeldes abandonem a estratégica cidade portuária de Hodeida, no âmbito de um acordo de cessar-fogo que a colocaria sob o controle conjunto das forças em guerra - aponta um documento consultado pela AFP.

As Nações Unidas propõem que a coalizão pró-governo liderada pela Arábia Saudita cesse suas operações militares contra Hodeida em troca de uma retirada dos combatentes rebeldes huthis da cidade.

Hodeida, por onde entra a maior parte da ajuda humanitária ao Iêmen, seria então colocada sob a tutela do governo e dos rebeldes, com a supervisão das Nações Unidas. A proposta não prevê a mobilização de uma missão de manutenção de paz.

"A proposta do enviado especial está sendo estudada. A resposta não tradará, se Deus quiser", afirmou um membro da delegação do governo, Hadi Haig.

De acordo com um delegado huthi, Salim al-Mughaless, os rebeldes só podem considerar a possibilidade de deixar Hodeida como parte de uma solução política global para o conflito que fez 10.000 mortos desde 2014.

"A discussão é longa e está em curso", afirmou à AFP.

O destino de Hodeida está no centro das negociações que estão sendo realizadas na Suécia sob os auspícios do mediador da ONU, o britânico Martin Griffiths.

A situação humanitária se deteriorou recentemente, devido à insegurança em Hodeida, por cujo porto no Mar Vermelho transitam 70% das importações iemenitas, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

As forças pró-governo tentam, há meses, retomar esta cidade dos rebeldes, apoiados pelo Irã.

O governo do Iêmen exige em vão a retirada completa dos rebeldes do porto e os acusa de usá-lo para importar armas.

Segundo um funcionário da ONU, Hodeida é a questão mais "difícil" na agenda de consultas na Suécia.

As consultas em Rimbo, uma comunidade rural a cerca de 50 quilômetros de Estocolmo, não são oficialmente negociações de paz.

Contudo, devem permitir que os atores conversem entre si depois de quatro anos de conflito que deixou até 20 milhões de pessoas à beira da fome.

Segundo uma fonte da ONU, os dois lados expressaram sua disposição de se encontrar novamente nos próximos meses.

"Se abandonarmos essas consultas com avanços - progressos na construção de confiança e estabelecimento de um quadro - poderemos ter uma nova rodada de conversas" nos próximos meses, confirmou no domingo o chefe da delegação rebelde, Mohammed Abdelsalam.

Todas as tentativas de acabar com a guerra de quatro anos falharam até agora, enquanto a situação humanitária no Iêmen, a pior da ONU no mundo, está se deteriorando dia a dia.

* AFP

 

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