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Fim da novela01/09/2015 | 21h33

Dinheiro arrecadado no leilão da Sulfabril será usado para pagar cerca de 3 mil ex-funcionários

Venda dos principais bens da empresa, entre eles a fábrica na rua Itajaí, colocou um ponto final no caso

Dinheiro arrecadado no leilão da Sulfabril será usado para pagar cerca de 3 mil ex-funcionários Rafaela Martins/Agencia RBS
Ex-funcionários se abraçaram após o fim do leilão. A decisão encerra uma novela que se arrastava desde 1999 Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS

O relógio marcava 14h27min quando o leiloeiro Daniel Elias Garcia bateu o martelo em definitivo. O ato, imediatamente acompanhado por uma salva de palmas que ecoou pelo salão do júri do Fórum de Blumenau, foi de um enorme simbolismo: terminava naquele instante uma longa e desgastante novela, cujos primeiros capítulos foram escritos em 1999. Foi naquele ano que a Sulfabril, uma das mais tradicionais representantes da indústria têxtil da cidade, afundada em dívidas que na época somavam R$ 119 milhões, teve a falência decretada pela Justiça.

Após inúmeras tentativas, os principais bens da massa falida da empresa foram enfim arrematados nesta terça-feira por R$ 34,6 milhões depois de quatro lances – a oferta inicial foi de R$ 33,1 milhões. No pacote, estão 22 terrenos, dezenas de máquinas e equipamentos, veículos, móveis, softwares, aparelhos de informática e a cereja do bolo: o prédio da antiga fábrica, na rua Itajaí, junto com a marca Sulfabril.

Apesar de a oferta final representar somente 26% do valor total da avaliação dos bens – estimados em R$ 131,7 milhões –, a juíza Quitéria Tamanini Vieira Peres autorizou a venda. Ela poderia vetá-la se considerasse a proposta vil – ou seja, muito abaixo do que os bens valiam –, mas acompanhou a sinalização positiva do Ministério Público e do síndico da massa falida, Celso Zipf. A decisão foi anunciada em seguida a uma plateia formada por cerca de 80 pessoas, a maioria ex-funcionários da companhia.

– Amanhã (quarta-feira) é aniversário de Blumenau. Isso é um presente para a cidade – discursou a magistrada.

Outros três lotes que incluem alguns terrenos e imóveis, como o prédio que abrigava a Associação Desportiva e Recreativa da empresa, em frente à fabrica, foram vendidos na sequência. Juntos, eles arrecadaram mais R$ 6,15 milhões. No total, o leilão dos bens, que teve uma primeira chamada no dia 14 de agosto, contabilizou cerca de R$ 40,8 milhões.

Sentimentos variados

Um misto de sentimentos tomou conta do salão do Fórum logo após o anúncio do fim do leilão. Aliviados, ex-funcionários, alguns deles aguardando desde 1999 por uma solução para o impasse, se abraçaram.

— É uma vitória. São mais de 15 anos de briga — comemorou o ex-operador químico Altamir Feller.

A sensação era de que uma tonelada havia sido tirada dos ombros de homens e mulheres que dedicaram boa parte da vida para dar vida a uma empresa que sucumbiu e que conviviam há anos com a angústia e a incerteza sobre o que seria da Sulfabril.

— A gente fica feliz porque alguém comprou o que a gente ajudou a construir — disse Elias Alves de Lima, que por 22 anos trabalhou no setor de estamparia da companhia.

No semblante da juíza Quitéria Tamanini Vieira Peres a expressão era de satisfação. Ao atender a reportagem, ela respirou fundo:

— Acabou — desabafou antes de começar a responder as perguntas da imprensa.

O leiloeiro Daniel Elias Garcia deixa o caso com a sensação de dever cumprido. Ele fez uma análise positiva do leilão, que ocorreu em meio a um período turbulento da economia – quando muitos investidores estão colocando o pé no freio.

— O momento do mercado é péssimo, então acredito que o valor oferecido foi muito bom — avaliou.

Dinheiro será usado para quitar dívidas com 3 mil trabalhadores

Os R$ 40,8 milhões arrecadados no leilão serão inteiramente destinados ao pagamento das dívidas trabalhistas da massa falida, garantiu a juíza Quitéria Tamanini Vieira Peres. A magistrada disse também que outros R$ 17 milhões, referentes a um crédito judicial, ainda serão liberados. Este valor também será utilizado para quitar pendências com ex-funcionários.

De acordo com a juíza, o quadro de credores será atualizado nas próximas semanas. Ela estima que as dívidas trabalhistas, atualizadas, somem entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões. O valor de R$ 57,8 milhões, portanto, seria suficiente para saldar os compromissos de cerca de 3 mil colaboradores.

A partir de agora, a magistrada vai elaborar um cronograma para o pagamento. Ainda não se sabe quando o dinheiro vai entrar na conta dos ex-funcionários, mas os depósitos devem ser parcelados. O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de Blumenau, Gaspar e Indaial (Sintrafite) vai acompanhar esse trabalho junto com a Justiça. A presidente da entidade, Vivian Kreutzfeld Bertoldi, garante que não há uma ordem pré-definida ou uma lista de trabalhadores que receberão primeiro.

— Todos são iguais pela lei, não há preferências — esclarece.

A dirigente sindical alerta ainda para os casos de ex-funcionários que já morreram. Neste tipo de situação, os créditos ficam com os familiares. Para ter acesso a esse direito, é preciso entrar em contato com o sindicato e apresentar o atestado de óbito e um documento que prove o grau de parentesco com o credor. De acordo com Vivian, cônjuges e filhos têm prioridade, seguidos por irmãos.

Grupo de investidores analisa duas possibilidades para o futuro

Os principais bens da Sulfabril foram arrematados por investidores com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e negócios em todo o país. De acordo com as regras do edital do leilão, a partir de agora o grupo tem prazo de três dias úteis para fazer o depósito dos valores em uma conta vinculada aos autos da falência.

O futuro do patrimônio da companhia têxtil ainda é incerto. Alguns investidores presentes no leilão questionavam a utilidade de muitas máquinas, equipamentos e aparelhos de informática que faziam parte do maior e principal lote arrematado.

— Tem muita sucata, coisa que já está ultrapassada – avaliou um investidor que acompanhou os lances.

Representante do grupo comprador do principal lote, o empresário mineiro Flávio Ferreira admitiu que, de início, duas possibilidades são estudadas: reativar a fábrica ou restaurar imóveis e explorá-los comercialmente.

— Vamos nos reunir com todos (os demais investidores) agora para decidir o que fazer — informou.

JORNAL DE SANTA CATARINA

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