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Economia30/06/2016 | 07h37

Depois de crescer 20 vezes, Havan pisa no freio para resistir à crise econômica

Empresa passou por reestruturação para se adaptar ao momento de recessão

Depois de crescer 20 vezes, Havan pisa no freio para resistir à crise econômica divulgação/Havan
Casa Branca brasileira passou por mudanças e adaptações para resistir ao momento de recessão. Foto: divulgação / Havan

O empresário Luciano Hang passou praticamente 2014 inteiro viajando. Naquele ano a Havan abriu 24 lojas pelo Brasil, média de uma a cada duas semanas. Foram cerca de mil metros quadrados construídos por dia _ uma unidade padrão tem 15 mil metros quadrados _ num investimento que atingiu a volumosa cifra de R$ 600 milhões, a maioria paga com recursos próprios. Era o auge da expansão da rede varejista, que apostou numa estratégia de crescimento que se revelou certeira: unir pontos de venda imponentes a preços competitivos. Estilizadas à moda Casa Branca — e volta e meia com alguma réplica da Estátua da Liberdade na entrada —, as lojas amplas, limpas, organizadas, climatizadas e com produtos mais em conta representavam um "luxo" ao qual consumidores de renda mais baixa não estavam acostumados.



As inaugurações ditaram o ritmo frenético de conquista de mercado entre 2009 e 2014, período em que a Havan cresceu 20 vezes em tamanho — ou 50% ao ano — com a abertura de 70 lojas. Então veio o fatídico 2015 e a crise respingou nos planos da rede. Receoso com o comportamento da economia, Hang colocou o pé no freio. Ele previa criar 20 lojas no ano passado, mas acabou abrindo "só" sete. Em 2016, nenhuma nova unidade foi lançada até agora e apenas duas estão mapeadas para o segundo semestre — ambas no interior paulista, em Jundiaí e Praia Grande. Teria acabado o combustível do crescimento galopante? O empresário garante que não. Diz que o momento é de reflexão:

— Paramos (com as inaugurações) porque demos mais atenção à crise econômica. Nós não pensávamos mais em quantas lojas íamos fazer, mas sim de que maneira passar por esse momento.



Reestruturação interna
 
Em 2015 a Havan fez ajustes internos. Reduziu colaboradores e enxugou a estrutura administrativa ao máximo para se tornar mais produtiva e aprimorar seu desempenho. Mesmo num ano crítico para o comércio, marcado pelo fechamento de lojas de grandes redes varejistas Brasil afora, cresceu 15% nas vendas e atingiu a marca de R$ 4 bilhões em faturamento. Hang reconhece que 2016 está sendo e continuará difícil, mas acredita que essa reestruturação permitirá que a empresa supere a turbulência "com tranquilidade".

— Vamos crescer neste ano, não sei ainda se um ou dois dígitos, mas estamos melhorando nossa performance. Reduzimos a máquina para continuar fornecendo produtos de qualidade a preços competitivos. A nossa equipe entendeu o momento. Uma hora essa crise passa — avalia.

A tão sonhada meta de chegar a cem lojas em 2015 quase foi atingida — a rede encerrou o último ano com 93 unidades. Mas Hang já não tem mais pressa. Diz que a solidez do negócio é mais importante e que a centena de pontos de venda virá com a volta da estabilidade no país, que ele espera já para 2017. Quando isso acontecer, já existirá projeto para atingir 200 lojas:

O Brasil é um continente. Eu quero crescer muito no país. O brasileiro ainda almeja muita coisa e tem sonhos de consumo, e a Havan quer chegar mais perto desses clientes. Se saímos do zero e chegamos até aqui, dá para fazer muito mais nos próximos 30 anos.



Presença ativa no dia a dia

Avesso a entrevistas _ costuma dizer que quem tem que aparecer é a empresa, não o dono —, Luciano Hang abriu algumas exceções e falou mais do que o habitual nesta semana por um motivo especial: a Havan completou 30 anos no último domingo. Na segunda-feira, unidades da rede comemoraram a data com um café da manhã.

O empresário gosta de enfatizar que o esforço empreendido por funcionários e fornecedores foi fundamental na construção de uma gigante varejista ao longo dessas três décadas. Inquieto, ele é visto com frequência pelos corredores das lojas. Chama os funcionários pelo nome, conversa com clientes e verifica os produtos que estão em exposição sempre, não só quando está à frente das câmaras _ quem trabalha na empresa garante. Quando chegam novidades, pede à equipe que anuncie promoções.

— A Havan é o meu parque de diversões. Minha realização é abrir lojas, gerar empregos. Trabalhar é a minha motivação e eu não me canso nunca. Quem é feliz na sua profissão é feliz na vida porque ganha dinheiro se divertindo — conta.

Hang credita o sucesso ao trabalho em equipe, algo que também levou, na avaliação dele, a empresa a estar em melhores condições de encarar a retração econômica. Mas os números mostram que a Havan é um ponto fora da curva neste momento. O próprio Hang admite que muitas companhias não vão aguentar a atual crise por muito tempo.

— Vemos diariamente comércios e empresas fechando, até mesmo o poder público se exaurindo, porque todos tinham previsão de crescimento e fizeram investimentos baseados nisso. Como não está acontecendo, todo mundo sofre. O fato de não piorar já vai melhorar muito. E se tivermos uma visão de que vai melhorar, os investimentos voltam. O que falta é previsibilidade. O consumidor precisa ter a confiança que vai continuar no seu emprego, que vai poder gastar e melhorar de vida. É a confiança que faz tudo — analisa.

 

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