Dilma depõe por 14 horas no Senado na tentativa de salvar mandato - Política e Economia - Santa

Impeachment30/08/2016 | 00h05

Dilma depõe por 14 horas no Senado na tentativa de salvar mandato

O julgamento será retomado às 10h desta terça-feira com manifestações da defesa e da acusação no processo

Dilma depõe por 14 horas no Senado na tentativa de salvar mandato Lula Marques/Agência PT
Foto: Lula Marques / Agência PT
upiara boschi
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Interrogatório da Srª Dilma Vana Rousseff. Era assim que o placar eletrônico do Senado anunciava o momento histórico que iniciaria na manhã de segunda-feira e se estenderia pelas 14 horas seguintes em que a presidente afastada do cargo em maio para responder a um processo de impeachment apresentaria pessoalmente sua defesa e responderia às perguntas de 50 senadores inscritos. Sem cartas na manga, a petista esbanjou disposição para o confronto. O julgamento será retomado às 10h desta terça-feira com manifestações da defesa e da acusação no processo – os senadores só falarão à tarde, e a votação ocorrerá já na madrugada de quarta-feira.

É como se Ricardo Lewandowski tivesse dado o tom do discurso minutos antes de conceder a fala a Dilma, ao responder questão de ordem levantada pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) sobre a impossibilidade de replicar o que fosse dito pela petista.

– Ela vai defender seu mandato, honra e biografia. É natural que tenha amplitude nas palavras – disse o presidente do Supremo Tribunal Federal e também do julgamento no Senado.

Foi o que fez Dilma, com um desempenho capaz de animar aliados e militantes, mas sem novidades que tenham o condão de alterar os rumos do processo de impeachment. Durante a longa sessão, os defensores do impeachment continuavam a projetar o afastamento definitivo com votos de 59 a 61 senadores – pelo menos cinco a mais do que quórum necessário para que Michel Temer (PMDB) assuma definitivamente a presidência.

Em meia hora de fala, Dilma apostou em um discurso político e comparou-se a Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart – alvos, de acordo com a petista, de crises provocadas pelo descontentamento de elites políticas e econômicas. Não economizou no uso da palavra ¿golpe¿ para questionar o processo de impeachment e lembrou a prisão, as torturas e o julgamento em que foi condenada durante o regime militar.

– Diante das acusações que por mim são dirigidas, não posso deixar de sentir novamente na boca a marca da injustiça e do arbítrio. No passado com as armas e hoje com a retórica jurídica – disse a presidente afastada.

Costurada nas últimas semanas como uma proposta para recuperar apoio popular e votos contra seu impeachment, a ideia de convocar novas eleições presidenciais acabou esvaziada tanto no discurso, quanto na forma. Em sua defesa inicial, dedicou menos de um minuto ao tema, de forma genérica.

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– Chego à última etapa deste processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros. Convocá-los a decidir nas urnas o futuro de nosso país – disse Dilma, que voltaria mais tarde ao tema ao defender a convocação de um plebiscito sobre eleições diretas e reforma política.

Sem o trunfo da nova eleição, Dilma apostou na denúncia da articulação entre o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – réu na Operação Lava Jato e alvo de processo de cassação no próprio parlamento – como mentor da deposição, aliado à oposição que não teria aceitado a derrota nas urnas em 2014.

Negou que os três decretos de crédito suplementar e a retenção de pagamentos ao Banco do Brasil para bancar o Plano Safra, as chamadas pedaladas fiscais, configurem o crime de responsabilidade necessário para o processo de impeachment. Reforçou os argumentos de sua defesa de que os decretos não geraram aumento de gasto e que por isso não necessitariam de autorização legislativa. Afirmou, ainda, que a operação envolvendo o Plano Safra foi feita no âmbito do Ministério da Fazenda.

As alegações deram o tom das respostas de Dilma aos senadores que a contrapunham – mesmo quando os parlamentares tentavam ampliar o debate para as pedaladas fiscais realizadas no primeiro mandato. As críticas de que se reelegeu escondendo a crise econômica que viria, a presidente afastada respondeu afirmando que o contexto mundial e a instabilidade política aprofundaram os problemas e impediram correções de rota – mais uma vez culpou Eduardo Cunha, pelas chamadas pautas-bomba (projetos que implicavam aumento de gastos públicos) e pela não aprovação de projetos de ajuste fiscal.

Dilma chegou a ser aplaudida pelos aliados ao fim do intervalo determinado por Lewandowski às 18h. Senadores como Lindberg Farias (PT-RJ) apostavam em uma mudança de ânimos baseada nas fala da presidente afastada.

– Não temos dúvidas de que o jogo começou a virar hoje, há uma comoção nas ruas – afirmou o senador do Rio de Janeiro.

Entre os opositores, a avaliação era de que Dilma falou para a militância, não para o plenário. Minimizaram o desempenho da petista.

– Eles esquecem que a regra não permite réplica e a presidente da República fugiu de absolutamente todas as perguntas. Ela fez foi propaganda do governo Lula. Nem propaganda dela, que foi um desastre, ela fez – disse Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

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