PT e rivais como PSDB e PMDB são aliados em cinco das 20 maiores cidades de SC - Política e Economia - Santa

Eleições 201631/08/2016 | 05h20Atualizada em 31/08/2016 | 07h12

PT e rivais como PSDB e PMDB são aliados em cinco das 20 maiores cidades de SC

Oposição nacional e andamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff não impediram coligações locais nos municípios catarinenses

Cinco das 20 maiores cidades de Santa Catarina poderão viver a partir de 2017 uma situação hoje impensável no cenário nacional: ter o PT e partidos abertamente favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, como PSDB, PMDB, PP e PSD, juntos no comando das prefeituras. Deixando as rivalidades de lado e com respeito às peculiaridades regionais, o panorama é esse em Itajaí, Lages, São Bento do Sul, Camboriú e Navegantes – se estendendo também a municípios pequenos. Em Descanso e Saudades, por exemplo, a cabeça de chapa é petista e os vices são tucanos.

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O cientista político e professor da Univali Fernando Fernandez avalia que esse retrato é sintomático do sistema partidário brasileiro, em que as siglas têm uma estrutura nacional, mas levam em conta as características de cada região na hora da articulação política. Para ele, as questões de identidade partidária perdem força nesse quadro fragmentado:

– Na prática, não é por ideologia que alguém se filia a este ou aquele partido. Há exceções, mas em geral é o partido que oferece a oportunidade para a pessoa conseguir buscar seu lugar ao sol. Não há necessariamente uma questão ideológica e por isso os antagonismos nacionais não contaminam as bases.

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Grupos se opõem às decisões regionais

Nas cidades em que há coligações reunindo PT e partidos que apoiam o afastamento definitivo de Dilma, as principais justificativas para as alianças se concentram no localismo das disputas deste ano. Em Itajaí, os diretórios de PT, PP e PSD têm o discurso de agrupar pessoas e pensar no bem da cidade, com um projeto que une os três partidos nas diferenças com os adversários. É na cidade, porém, que há a maior saia-justa nestas composições. Um grupo de petistas é contra a coligação com o PP, rival histórico na cidade, e faz uma reunião hoje aberta a filiados e simpatizante para discutir os rumos dessa ala da sigla.
Em Lages, a opção foi por manter a aliança que saiu vitoriosa nas eleições de 2012, que conta com PT, PSDB e PMDB entre os coligados. Os partidos admitem certa dificuldade de conciliar o acerto no começo, mas depois a prioridade acabou sendo o grupo que já trabalhava junto e os compromissos firmados – com a devida equalização da participação de cada um na chapa.

– Houve compromisso de não envolvimento com o cenário federal e em nome dessa aliança para o projeto local e de acordos, nós fechamos com o PSDB. O candidato que é cabeça de chapa não se posicionou a favor do impeachment e sempre nos respeitou – destaca o presidente do PT de Lages, Domingos Rodrigues.

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O contexto é semelhante em São Bento do Sul (PT, PSD e PMDB unidos), Camboriú (PT com PP e PMDB) e Navegantes (PT junto com PMDB). As relações estreitas a nível municipal, continuidade de coligações que deram certo e a garantia de viabilidade de candidaturas falaram mais alto do que o embate no plano nacional.

– Já existia um trabalho conjunto aqui e definimos por separar o cenário nacional. Não tem como amarrar uma situação a outra. Não se pode qualificar toda uma estrutura partidária do país a partir do impeachment, mas sim analisar cada situação – diz o presidente do PMDB de São Bento do Sul, Daniel Lutz.

Criação de chapa pura foi desafio

O PT de Santa Catarina trabalhou para ter o maior número possível de candidaturas a prefeito e vice nas Eleições 2016, seja com chapa pura ou coligados com outros partidos de esquerda. Com dificuldades nesses diálogos em algumas cidades e inviabilidade de candidatura própria em outras, a estratégia foi abrir conversa também com siglas historicamente pouco alinhadas. Desde que, reforça o presidente estadual petista Cláudio Vignatti, os candidatos destes outros partidos não tivessem atuado direta ou abertamente pelo impeachment de Dilma.

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– Se fosse olhar a votação do impeachment em si, todos os partidos, tirando PT, PCdoB e PSOL, tiveram votos contra a Dilma. E também não dá pra tirar as questões locais, que são muito fortes em uma eleição municipal. Então onde não lançamos ninguém na cabeça de chapa e havia possibilidade de coligar com candidatos que não apoiam o golpe, fizemos alianças – explica.

Vignatti pondera que o ideal para o PT e para a esquerda seria a união de forças com partidos como PCdoB e PSOL, mas reforça que as conversas não avançaram em muitos municípios. O petista atribui isso ao modelo partidário brasileiro.

– Esse modelo é falido. Não conseguimos ter de fato o campo da esquerda e o da direita, todo mundo se alia conforme a situação local. Precisamos avançar, como o Uruguai fez com uma frente ampla de esquerda.

Afinidades locais são determinantes

Embora admitam diferenças históricas no cenários estadual e federal, o entendimento da regionalidade dos diretórios catarinenses de partidos favoráveis ao impeachment é o mesmo das lideranças municipais. Conta muito para a definição de alianças as opiniões das bases partidárias e as afinidades locais.

– São 295 municípios em SC e são 295 eleições diferentes umas das outras. Aquilo que pensamos como um bom projeto para Maracajá não é o mesmo que pensamos para Rio Negrinho – exemplifica o presidente do 
PSDB em SC, deputado estadual Marcos Vieira.

Assim, não houve veto ou imposição de aliança por parte de nenhuma sigla no Estado.

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– Na história, como viemos do antigo PFL, sempre tivemos distância grande do PT. Mas localmente há exceções, pelas circunstâncias e características. Faz parte do jogo – comenta o presidente em exercício do PSD, Antonio Ceron.

Maior partido do Estado, o PMDB também não emitiu nenhuma orientação ou imposição aos diretórios municipais.

– Temos tradição de total respeito à realidade local, que sempre é superior a influência da questão nacional ou mesmo estadual – afirma o presidente estadual do partido, deputado federal Mauro Mariani.

A reportagem tentou contato com a executiva estadual do PP, mas o presidente, deputado federal Esperidião Amin, não foi localizado até o fechamento desta edição.

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