Darci de Matos: 'Joinville gasta muito e gasta mal em saúde' - Política e Economia - Santa

Entrevistas20/09/2016 | 07h32

Darci de Matos: 'Joinville gasta muito e gasta mal em saúde'

Segundo o candidato, despesa da Prefeitura no setor seria equivocada por se concentrar em urgência e emergência

Darci de Matos: 'Joinville gasta muito e gasta mal em saúde' Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Darci foi vereador por dois mandatos em Joinville e está na Assembleia Legislativa desde 2007 Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS
Jefferson Saavedra
Jefferson Saavedra

Embalado com um discurso de 'mais preparado', Darci de Matos (PSD) tenta pela segunda vez conquistar a Prefeitura de Joinville. Na primeira tentativa, em 2008, o deputado estadual era o candidato do então prefeito reeleito Marco Tebaldi (PSDB), hoje seu concorrente na eleição atual – e com quem ainda mantém boa relação, mas com um certo afastamento político. Naquela disputa, Darci chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Carlito Merss (PT). Para ele, o “momento era do PT”.

Cotado para concorrer em 2012, Darci desistiu da disputa ao notar que não teria apoio do governador Raimundo Colombo. Agora, é diferente e ele se apresenta como o 'candidato do governador' e inclusive mostra as obras do governo do Estado no horário eleitoral.

— Todas as obras importantes em Joinvillle são do Estado — costuma dizer o candidato do PSD.

Aos 54 anos e com formação em economia, Darci foi vereador por dois mandatos em Joinville e está na Assembleia Legislativa desde 2007. Na campanha eleitoral, tem prometido o que considera 'volta do diálogo' e governo de 'atitude' – o que diz faltar à atual administração. Nos últimos dias, endureceu o tom com o governo Udo com a alegação de discordar da propaganda eleitoral do adversário. O candidato do PSD se diz convicto da presença no segundo turno da disputa em Joinville.

Confira a série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Joinville em 2016

AN – Por que a oposição a Udo se fragmentou tanto?
Darci de Matos – Eu acho natural que cada partido busque o fortalecimento de sua sigla. Quando um partido lança um candidato a prefeito sempre acaba elegendo mais vereadores. Como Joinville é uma eleição de dois turnos, isso possibilita uma fragmentação.

AN – Por que 2012 não era o momento para o senhor concorrer e agora é?
Darci – Em 2008, era o momento do PT. Lula estava no auge, tinha 85% de aprovação, enfrentei uma eleição dura, fui para o segundo turno e perdi (derrota para o petista Carlito Merss). Em 2012, o motivo pelo qual não concorri era que não tinha o apoio do governador Colombo. Por isso não me candidatei e Kennedy entendeu que deveria disputar, foi e fez bonito. Agora, neste momento em que os principais candidatos já foram prefeitos, só quero uma chance, eu nunca fui. Eu me preparei, presidi a Câmara, são dois mandatos como vereador, três como deputado estadual, fui líder do governo e do partido. Estou com 54 anos, estudei, me preparei, tenho mais experiências e relacionamentos.

E hoje sou o candidato do governador. Isso reforça muito porque nenhum município consegue, principalmente entre as grandes cidades, fazer as obras sem o apoio do governador. Se você não tiver o apoio dele, dos deputados e portas abertas em Brasília, você não vai a lugar nenhum porque a fonte 100 (recursos próprios) está exígua, limitada.

AN –  Mas de onde virão os recursos?
Darci – Precisamos dar celeridade na abertura de empresas. Às vezes, isso demora meses, anos e a prova disso é que perdemos dezenas ou centenas de empresas para municípios vizinhos. Há algumas que estão com o escritório em Araquari e a operação está em Joinville. Perdemos arrecadação com isso. A gestão está atrasada é e preciso colocar equipe competente. A Prefeitura não consegue licitar, tocar as coisas, demorou um tempo para licitar a iluminação pública, não conseguiu fazer a licitação do estacionamento rotativo,  demorou muito com o projeto do Badesc e perdeu R$ 7 milhões. Nós vamos apresentar Joinville para o Brasil para que os investidores possam se alojar na cidade. Há centenas de licenciamentos que estão travados na Prefeitura e isso representa menos empregos e menos arrecadação. Outro ponto: nós temos aí R$ 1 bilhão de dívida ativa e eu diria que R$ 500 milhões são dívidas podres. Mas tem uns R$ 500 milhões de dívida boa. Só que não é com o jurídico começando a trabalhar às 8 horas e fechando quando abre o Fórum que vamos recuperar. São poucos advogados para cobrar essa dívida ativa e recuperar esses débitos. É sempre uma forma de colocar dinheiro no caixa.

AN – Como fazer para recuperar esse dinheiro?
Darci – Tem de colocar um jurídico ágil, com mais procuradores. Tem que ter convênio com fórum e temos que recuperar pelo menos a metade dos R$ 500 milhões. E mais: quem deve não é o pobre, a maior parte da dívida é de poderosos.

AN – Que obras o senhor pretende com esses recursos? O senhor não tem cravado quais serão feitas.
Darci – Eu não quero passar vergonha, fazer como o atual fez. Cadê a ponte de R$ 100 milhões? Onde estão os 300 quilômetros de asfalto? Nós vamos buscar dinheiro da dívida, vamos dar rapidez na liberação de alvarás e de licenciamentos. Você também precisa valorizar, motivar e dialogar com a equipe de trabalho. Com briga, você não vai a lugar nenhum.

AN – Mas estão ocorrendo brigas?
Darci – Claro que está. É confronto com servidores, médicos, fiscais, é greve em hospital por R$ 150 mil por ano, é muito atrito. Então você precisa valorizar e qualificar os servidores. Nós vamos buscar os recursos montando os projetos. Um exemplo do Dalmo Claro: ele conseguiu R$ 800 mil para fazer um posto de saúde na zona Sul. Veio o dinheiro? Não veio porque não tinha projeto, só um croqui. Isso não pode acontecer. Estamos perdendo dinheiro, como no caso da UPA do Vila Nova. Eu vejo muita fragilidade na equipe do atual prefeito. Estamos no terceiro presidente da Águas de Joinville. Nós estamos no quarto presidente do Hospital São José. Nós estamos no terceiro secretário de Saúde, uma advogada que não conhecia o SUS. Aliás, são poucas pessoas que conhecem o SUS em Joinville. Estamos no sexto secretário da Assistência Social. Eu disse “sexto “. Isso é uma brincadeira com os mais pobres.

AN – Em caso de sua vitória, os joinvilenses vão notar que trocou o prefeito já no início de 2017?
Darci – Vão notar sim. Claro que tem de conhecer a máquina, mas eu conheço mais do que o atual prefeito em 2012, que não conhecia nada. Eu presidi a Câmara, fui prefeito interino, sou deputado, conheço as competências públicas. E vai notar porque serei um prefeito diferente, com diálogo, estarei na rua, eu vou sentir os problemas. Vou fazer principalmente um governo com atitude. Vou licitar o rotativo, qual a desculpa para não fazer se não custa nada? É incompetência.

AN – Nos primeiros dias, o que será feito?
Darci – Vamos fazer também as pequenas coisas. Não adianta prometer ponte de R$ 100 milhões e deixar faltar remédio no posto, não tapar buraco ou não fazer a capela mortuária que a comunidade está pedindo. Se você não arruma a praça, não corta a grama, não adianta, tem que fazer o dia a dia. Quanto aos grandes projetos, eu assumi que vou tentar fazer. As duplicações da Dona Francisca e da Edgar Meister-Hans Dieter Schmidt já têm o projeto, vamos tentar engatar isso num programa de financiamento, como eu fiz na Estrada Rio do Morro (entre Joinville e Araquari): a obra foi contemplada em financiamento após pedido que fiz com o governador. Assim que vou fazer, com atitude. Uma obra que eu assumo é a duplicação da Ottokar Doerffel, vou fazer. Tenho duas alternativas. Posso buscar dinheiro no governo do Estado, as últimas grandes obras em Joinville são do Estado, financiamento que relatei na Assembleia. E se não conseguir lá, eu posso fazer como o Freitag fez para construir a Prefeitura de Joinville (inaugurada em 1996): vender imóveis da Prefeitura ou fazer permutas.

AN – Uma reforma administrativa está nos planos?
Darci – Sim, vou fazer uma reengenharia nas secretarias. Quero enxugar e ver a possibilidade de compactação, mas isso passa por um estudo. Uma outra atitude que quero ter é de tentar fazer outras PPPs, como foi feito com a Expoville. Pode ser feito no Centreventos, Arena, Cidadela e Ivan Rodrigues. Tem que procurar a ALL e conversar com a empresa para que faça a roçada ao lado da linha de trem. A cidade está feia. Joinville já teve dois hortos florestais para fornecer mudas. Hoje não tem nada.

AN – O que um prefeito pode fazer pela segurança?
Darci – A segurança é do Estado, mas todos têm suas responsabilidades, inclusive os cidadãos. Eu ajudei o governo do Estado a trazer para Joinville mais cem vagas na Penitenciária. Joinville está ganhando o presídio feminino, são 80 viaturas, cem câmeras de monitoramento e agora estão sendo treinados novos soldados da PM. Claro que precisamos de mais investimentos, mas a segurança também é atitude. O governador Colombo trocou os comandos da PM e da Polícia Civil há um ano e criou a delegacia de Homicídios. E com essa atitude do governador, que trocou os comandos e com a Delegacia de Homicídios, a solução  dos homicídios passou de 25% para quase 80%. Isso é atitude. Claro que tem de melhorar mais, a criminalidade aumentou etc. Tem o Código Penal que é frouxo. A Prefeitura pode fazer uma série de ações de prevenção, ampliando o Proerd, iluminando as ruas e fazendo a inclusão social. A Prefeitura não faz nenhum trabalho de parceria com os centros de convivência. E onde está o convênio das multas, que não foi renovado? A praxe é brigar.

AN  – O que fazer na mobilidade?
Darci – Passa também pelo transporte coletivo, hoje tem ônibus que nem é climatizado, e pela passagem mais acessível. Vou tentar fazer a licitação, onde você pode amarrar melhorias. Florianópolis fez. Defendo corredores de ônibus, tem que ter rapidez.

AN – O ensino integral está nos planos?
Darci – Vamos perseguir a educação em tempo integral, gradativamente. Não vou assumir que tudo será feito para toda a Joinville. Hoje, temos só uma escola verdadeira de tempo integral, em Pirabeiraba. As demais são rurais. E também projetos embrionários de escola integral, em algumas salas de aula, com o projeto Mais Educação. Tenho planos de colocar algumas escolas de tempo integral em bairros mais carentes. Mas é preciso planejar melhor, chegamos a ficar sem professores temporários por falta de planejamento. Na educação infantil, chegamos a ter uma rede com 70 creches da Ajocedi, que derivou em CEIs particulares. Só que os valores que estão sendo pagos pela Prefeitura para compra de vagas não são competitivos. Vou aumentar o valor,  em muitos CEIs estão deixando o programa.

AN – Qual seu diagnóstico da saúde? O problema está no custo do São José?
Darci – Em parte. O hospital está no seu quarto presidente e a rotatividade, inclusive com quem não tinha conhecimento sobre saúde, é um problema. O São José não atende 25% da região e sim 11%.

AN – Ambulatório e pronto-socorro atendem em torno de 11%, mas leitos de internação têm 23% de pacientes de fora.
Darci – Mas o São José é referência e tem um teto de R$ 3,4 milhões para faturar e está faturando em torno de R$ 2 milhões, está perdendo R$ 1,4 milhão por mês. Sabia disso? Não tem produtividade, não produz e não por culpa do servidor e sim por incompetência de gestão. E esse teto pode ser reduzido para R$ 2 milhões. Em Santa Catarina, várias cidades investem proporcionalmente menos e têm uma cobertura do saúde da família maior. Em Joinville, o governo é incompetente, prometeu que ia dobrar o Saúde da Família e aumentou quase nada. Se você não controla a pressão, vira hipertensão, pode ter infarto e vai para o hospital. Joinville gasta muito e gasta mal em saúde porque só atende urgência e emergência, o que é caro. Não investe na atenção básica. Joinville tem só 30% de cobertura de saúde bucal. É incompetência. São 40 mil pessoas esperando por uma consulta especializada. São 9 mil aguardando cirurgia.

Darci de Matos
Vice
: Júlio Fialkoski (PSB)
Coligação: Joinville Mais Humana e Mais Feliz (PSD-PSB-PR-PSDC-PMB).
Mote da campanha: “Diálogo”, Joinville mais “humana” e “atitude” são as referências usadas pelo candidato ao longo da campanha. A parceria com o governo do Estado é a principal aposta para investimentos em obras,  principalmente viárias. Na área do transporte coletivo, promete o passe estendido, uma tarifa com prazo maior de duração para os usuários.

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