Ivan Rocha: 'É preciso ter coragem para enfrentar' - Política e Economia - Santa

Entrevistas21/09/2016 | 08h06

Ivan Rocha: 'É preciso ter coragem para enfrentar'

Candidato do PSOL defende mudanças no transporte coletivo, com adoção de mensalidade na tarifa e lançamento da licitação

Ivan Rocha: 'É preciso ter coragem para enfrentar' Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Ivan concorreu a deputado e vereador nas eleições de 2012 e 2014 Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Uma alternativa de esquerda, com foco comunitário e no jovem é a plataforma de Ivan Rocha (PSOL). Com 34 anos e formação em eletrônica e gestão de marketing, Ivan concorreu a deputado e vereador nas eleições de 2012 e 2014 e agora é o segundo candidato a prefeito de Joinville na história do PSOL. Um dos focos da campanha é o transporte coletivo, com mais facilidade de uso para permitir maior acesso das pessoas à educação, lazer e trabalho, pacote apontado por ele como “transversal”.  O fim da tarifa embarcada no ônibus é para Ivan a primeira medida em caso de vitória na eleição de outubro.

Uma auditoria nas dívidas e nos contratos da Prefeitura de Joinville também está nos planos de eventual governo do PSOL. Além, é claro, da transparência, outra meta é economizar dinheiro para uso em outras políticas públicas.
No ano passado, o PSOL ganhou o reforço da Esquerda Marxista após o grupo do vereador Adilson Mariano deixar o PT. Foi dessa corrente que saiu a indicação para a vice de Ivan, a advogada Cynthia Pinto da Luz, de histórica atuação em defesa dos direitos humanos. A presença do Esquerda Marxista ainda é temporária no PSOL e será analisada a permanência definitiva depois das eleições.

Confira a série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Joinville em 2016

AN – Como está a convivência com a Esquerda Marxista, um grupo novo no PSOL?
Ivan Rocha – A Esquerda Marxista ainda não entrou de fato no PSOL. Isso é uma decisão nacional que ficou para novembro. É como se fosse uma coligação entre PSOL e a Esquerda Marxista. Está sendo uma ótima convivência. No PT, eles nunca tinham indicado um vice (como aconteceu agora no PSOL). Nós também temos um histórico conjunto de lutas, no transporte coletivo, na luta por moradia, a gente esteve junto. Claro que há divergências, mas a convivência é ótima. Eles estão abraçando minha candidatura.
 
AN – Onde o PSOL está crescendo em Joinville?
Ivan – Principalmente entre a juventude, muita gente procurando, mas não só ali. Nesse momento do País, muita gente tende a se posicionar e tem procurado o PSOL. A maioria é a primeira filiação, dificilmente vem de outro partido.
 
AN – O que atrai no PSOL?
Ivan – O posicionamento firme e a coerência. O PSOL nunca foi citado na Lava-jato. Fizemos oposição de esquerda contra o PT e fomos contra o impeachment. Temos nossas figuras nacionais, como mais visibilidade, como a Erundina, o Freixo. Isso tem atraído as pessoas para fazer uma nova política. Tem também a pauta LGBT, o direito das minorias.
 
AN – Como vai funcionar a mensalidade no transporte coletivo?
Ivan – A mensalidade é algo que eu trouxe para Joinville em 2007 quando comecei a participar do movimento do transporte coletivo. Morei em Portugal entre 2005 e 2006 e lá há tinha uma tarifa, na qual era pago um valor fixo por mês e se podia andar à vontade no transporte coletivo. Lá, era equivalente a dez dias de passagem. Cada cidade tem sua realidade, tem que ver é o que viável para cada uma.  Mas para fazer com que fique viável, a gente quer criar o fundo municipal do transporte (com várias fontes de renda, como receita do estacionamento rotativo, multas de trânsito, etc.), no qual vamos colocar metas e quanto mais gente entrar no sistema, menor será essa mensalidade. Chegando na Prefeitura, a gente consegue fazer um estudo. É como ser sócio do JEC, paga um valor e pode ver todos os jogos.
 
AN – Há muita limitação em relação ao transporte coletivo?
Ivan – Sim, muita. Joinville cresce e o número de usuários só cai, é um contrasenso. Deveria pelo menos acompanhar. Isso reflete mais motos, o que resulta em mais acidentes,  mais custos hospitalares, o custo das pessoas que ficam afastadas do trabalho. Isso gera uma série de custos para a cidade. Os jovens e as pessoas da periferia sentem mais. Isso tem a ver também com a política do jovem, não tem uma política muito clara, a não ser a repressão. Eu moro no Vila Nova e noto que muitos jovens ficam presos no bairro porque não têm dinheiro para pagar o transporte constantemente. Nas praças do bairro tê estrutura para crianças e  para a terceira idade. Mas se um jovem ficar meia hora parado em uma praça, a polícia vem dar uma geral nele. Pode até estar só caçando Pokémon.
 
AN – Mas qual a relação do transporte com as outras áreas?
Ivan – O transporte é transversal com outras pautas, como por exemplo, a gente pensa nos centros populares da cultura, onde serão oferecidas atividades para os jovens. Pode ser curso de teatro, inglês, dança, a comunidade vai decidir e participar. É até uma questão de segurança. Se a comunidade está de olho no seu jovem, fica mais difícil ele sair do caminho correto.
 
AN – O que pode ser feito de forma direta na segurança?
Ivan – A gente monta as propostas para curto, médio e longo prazos. O diagnóstico é que a desigualdade social gera a violência, isso é em qualquer lugar do mundo. Os centros para a juventude que a gente fala começariam nos bairros onde tem o maior número de homcídios. Para curto prazo, não adianta colocar um monte de policiais na rua X e a violência vai para a rua Y. A gente também viu que há investigações represadas. A gente vai cobrar investigação do poder estadual. O que esclareceu o caso do menino decapitado não foi mais policiais nas ruas, mas sim a investigação. Há um pouco de demagogia em dizer que colocar mais guardas municipais a fazer o papel de polícia. A falta de atenção do Estado faz aumentar a criminalidade.
 
AN – Há uma série de propostas do PSOL que implicam em gasto público. De onde virá dinheiro para tudo? Só no Saúde da Família a proposta é dobrar...
Ivan – Sim, há limitação. Mas vamos trazer um debate, que é nacional, sobre a auditoria da dívida pública. Hoje, 46% do que é arrecadado no Brasil vai só para pagar juros, nem é a dívida, uma dívida que vem desde a época da ditadura. Também queremos fazer uma auditoria na dívida no âmbito municipal, da Prefeitura. Cada prefeito que entra diz que está recebendo dívidas do antecessor. E vamos investigar os contratos da Prefeitura. Vamos ver se não tem favorecidos na cidade com descontos em impostos. A gente também quer incentivar as pessoas a cobrarem o pagamento do ISS, a cobrarem a nota fiscal e com isso terem algum retorno, construir uma calçada, desconto no transporte.
 
AN – E na saúde, quais as propostas?
Ivan – Na saúde, temos que tratar primeiro da prevenção e fazer com que as pessoas tenham práticas de saúde, alimentação saudável, práticas esportivas.
 
AN – O que pode fazer para atender ao passivo fundiário de Joinville?
Ivan – A gente quer criar alternativas para as pessoas não ocuparem o mangue. A gente vai conversar com as pessoas que estão lá e aceitam a regularização. E com o IPTU progressivo, a gente quer aumentar a oferta de imóveis em Joinville. A cidade tem muitos imóveis vazios, não são só terrenos baldios. Esse imóvel vazio também trabalha com a especulação imobiliária. Isso vai deixar o aluguel mais barato, que pode gerar um pequeno negócio, empregos e aumentar a arrecadação da Prfeitura. A especulação faz com que as pessoas tenham que ocupar o mangue,  é nesse sentido que abordamos o tema.
 
AN – Na educação, o PSOL também tem proposta para o ensino integral?
Ivan – A gente defende o ensino integral, mas a gente quer mudar aquela relação de muitos jovens com a educação, o “pô, vou ter que estudar”. Tem muitos professores que fazem esse trabalho individualmente e queremos valorizar isso. A gente quer que a escola seja um local onde as pessoas tenham vontade de ir. Queremos o contraturno, mas não que seja mais um fardo para o aluno carregar. A gente quer usar a estrutura do centro popular da juventude, pode ser dentro das associações de moradores, a gente quer que a comunidade abrace, uma educação libertadora, não pode ser só treinamento para o trabalho, para a indústria. O jovem não pode apenas seguir a vocação da cidade, ele tem que seguir a sua própria vocação. Se o jovem quiser ser do esporte, tem que ter essa porta na educação. E não é só ser um passatempo.

AN – Como será a participação comunitária?
Ivan – A comunidade vai decidir o que será investido, se piscina, teatro, equipamentos de cinema e vídeo, oficinas etc. Com a mensalidade do transporte, o jovem pode buscar uma atividade em escola de outro local, a pessoa poderá escolher a vocação que ela gosta.

AN – Quais são ações iniciais de governo do PSOL na Prefeitura de Joinville ?
Ivan – No primeiro dia de Prefeitura de Joinville, vou acabar com uma canetada a tarifa embarcada, a mais cara do Brasil. Isso é uma ilegalidade, cobrar valores diferentes pelo mesmo serviço no transporte coletivo. Nunca tivemos uma licitação, o que já é ilegal. A última concessão que teve em Joinville, o que é ilegal, venceu há dois anos. Vamos fazer o Congresso da Cidade, que é parecido com o Orçamento Participativo, com a participação da comunidade. Hoje, o Conselho da Cidade é formado por um terço composto por empresário, um terço pelo poder público e um terço por ONGs e entidades. A gente quer fazer um grande Conselho da Cidade para nos ajudar conforme o que a comunidade quer e não o poder econômico.

AN – E depois?
Ivan – O poder público precisa ter coragem de enfrentar algumas coisas. Vou dar um exemplo bem simples: o corredor de ônibus da JK. O quanto de mobilização teve que ter para fazer algo simples como cortar as vagas de estacionamento. O que fez acontecer foi aquele movimento “Não é só pelo corredor”.  A Prefeitura chegou a criar projeto de
R$ 800 mil (que acabou não sendo adotado). Precisa ter coragem de enfrentar judicialmente as empresas de ônibus que nunca participaram de licitação. Como é que estão cobrando que está faltanto tanto de dinheiro (dívida da planilha) se você não participou de licitação? Nem o governo Carlito teve coragem de enfrentar, e tinha um histórico de enfrentar, de ações judiciais. No final do governo, ainda queimou mais o filme (ao reconhecer a dívida). Eu tenho coragem de enfrentar e vou enfrentar. Não é só porque são poderosos que teremos medo.

Ivan Rocha
Partido: PSOL
Vice: Cynhtia Pinto da Luz
Sem coligação
Mote da campanha: A maior participação popular na definição das ações de governo é uma das principais propostas. Inclusive, há a intenção de criar um modelo mais abrangente do que o orçamento participativo. O atendimento de demandas
de minorias, presente no DNA do PSOL, também está na plataforma de Ivan Rocha.

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