Levantamento mostra que Blumenau renova a metade dos vereadores por eleição - Política e Economia - Santa

Eleições 201606/09/2016 | 11h01

Levantamento mostra que Blumenau renova a metade dos vereadores por eleição

Levantamento mostra que Blumenau renova a metade dos vereadores por eleição Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Renovação. Palavra bradada por candidatos durante a campanha eleitoral, por eleitores em busca de mudanças na sociedade e por manifestantes indignados com a situação política do país. Em tempos de críticas a um “jeito antigo de fazer política”, o ato de renovar nomes bate de frente com o de prezar pelos velhos conhecidos. Levantamento feito pelo Santa sobre as Câmaras de Vereadores de Blumenau e Itajaí nos últimos 20 anos revela que ambas as cidades mantêm um movimento parecido de renovação no Legislativo, com mudança em pelo menos metade dos nomes a cada eleição.

Desde o pleito de 1996, somente em uma ocasião os eleitores de Blumenau votaram por trocar menos da metade da Câmara. Foi em 2004, quando dos 14 vereadores escolhidos, nove acabaram reeleitos. No mesmo ano em Itajaí, oito dos 12 vereadores mantiveram seu cargo. Mudanças na casa dos 35% em cada cidade explicadas, de certa forma, pela queda no número de cadeiras: de 21 para 14 em Blumenau e de 24 para 12 em Itajaí.

Como o gráfico abaixo mostra, o maior índice de renovação registrado nas cidades nas últimas duas décadas foi de 67%. Ou seja, pelo menos um terço dos vereadores são reeleitos. Alguns deles com cadeira cativa, como é o caso de Marco Antônio Wanrowsky (PSDB), na Câmara de Blumenau desde 1993 (seis mandatos). Na urna no próximo dia 2 de outubro, o eleitor não irá encontrar o nome dele e de outros três dos 15 vereadores eleitos em 2012 em Blumenau, que decidiram não tentar a reeleição. Em um cenário hipotético em que os outros 11 se reelegem, 27% do legislativo seria renovado.

Se no último pleito o eleitor blumenauense trocou metade dos vereadores, a tendência desta vez é de um número mais modesto. Ao menos é o que acredita o professor da Furb e doutor em Ciências Sociais, Marcos Antônio Mattedi. Para ele, a campanha eleitoral mais curta e sem bloco específico para vereadores no rádio e na televisão ajuda quem busca a reeleição:

— Com menos tempo para que o eleitor veja os novos candidatos, quem já é conhecido e teve quatro anos para aparecer como vereador se beneficia. A tendência é de uma renovação menor esse ano. Vejo isso como algo negativo. Via de regra quanto mais renovação melhor, embora a experiência e o conhecimento do jogo político sejam importantes.

Entre os especialistas ouvidos pela reportagem, há consenso quanto a necessidade de renovação, mas é questionado o real valor das mudanças registradas nos últimos anos. Embora os números mostrem legislaturas renovadas pela metade a cada quatro anos, o professor Mattedi concorda que há um sentimento de mesmice por parte dos eleitores, que não sentem, na prática, essa renovação. No entanto, é um movimento que se replica em nível estadual e federal, com deputados que mantêm por décadas suas cadeiras.

— A renovação normalmente é quantitativa, não qualitativa. Em Itajaí, por exemplo, há uma queda no índice de satisfação do eleitor com a Câmara, o que deve motivar uma renovação maior. Mas mudam os nomes, não o comportamento. É mais um desapontamento com o presente do que uma crença no futuro — avalia o consultor em sociologia política Sergio Saturnino Januário.

OPINIÃO - Clóvis Reis, colunista do Santa

No plano nacional, a minirreforma eleitoral atende sob medida o desejo de que as coisas fiquem como estão. A campanha com duração de um mês, as dificuldades de acesso a financiamento e as restrições à propaganda compõem um pacote de normas cuja consequência natural é a manutenção dos atuais representantes políticos. Nem mesmo um aumento dos índices de não-voto (a soma de nulos, em branco e abstenções) representa um risco para os donos de mandato, pois a estrutura de suas assessorias funciona como uma máquina na coordenação de cabos eleitorais e na arregimentação de votos. Nessas circunstâncias, são extremamente difíceis as condições para que um novato fure o bloqueio imposto por aqueles que já se estabeleceram.

Por outro lado, em Blumenau há peculiaridades que favorecem o processo de renovação dos vereadores. Célio Dias (PR), Ivan Naatz (PDT), Marco Wanrowsky (PSDB) e Mário Hildebrandt (PSB) não disputam a reeleição, o que de antemão deixa quatro cadeiras sem dono. Além disso, o desenho final das coligações proporcionais dificultará a eleição de candidatos tanto em alianças muito fortes quanto em composições demasiadamente modestas.

A nominata PSDB/DEM, por exemplo, é concorridíssima e exigirá um número de votos cujo patamar é de difícil acesso para alguns dos atuais vereadores. Por outro lado, a bancada do PT trava uma luta inglória com o quociente eleitoral que definirá o número de vagas que cabe a cada partido.

Nesse contexto, estimo que sete ou oito dos 15 vereadores atuais não confirmem um novo mandato, o que produziria uma renovação no plenário cujo índice final se situa dentro da média registrada pela Câmara de Blumenau ao longo da última década.

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