Professor Marcos: 'A tendência é se preocupar mais com o planeta' - Política e Economia - Santa

Entrevistas22/09/2016 | 08h07

Professor Marcos: 'A tendência é se preocupar mais com o planeta'

Para o candidato, debate sobre o meio ambiente tem mais importância do que a discussão entre esquerda e direita

Professor Marcos: 'A tendência é se preocupar mais com o planeta' Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
O Professor Marcos já tem uma eleição no currículo, com a disputa de vaga na Câmara em 2012 pelo PSOL Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Marcos Alves Soares é o candidato de estreia do novato Partido Ecológico Nacional, o PEN, na eleição municipal de Joinville. O partido foi criado em junho de 2012. O Professor Marcos já tem uma eleição no currículo, com a disputa de vaga na Câmara em 2012 pelo PSOL. Na eleição de Joinville, o PEN concorre com 29 candidatos ao Legislativo, o número máximo possível.

Nesta entrevista, o candidato do PEN insistiu em sustentabilidade.

– É uma tendência do ser humano de deixar de se preocupar com a questão se é de esquerda ou direita e se preocupar com o global, com o planeta, o sistema que é o nosso lar, que está severamente em crise – disse ele.

Professor Marcos manteve contato com outros partidos, mas não fechou coligação. A escolha pelo PEN seria por um princípio de autonomia, condição que não teria em outros partidos, segundo o candidato. Com o menor tempo de televisão, nove segundos nos blocos, o PEN reconhece a dificuldade de apresentar as propostas, mas acredita em crescimento do partido. Professor Marcos tem 48 anos e formação em direito, além de se dedicar ao magistério. Atraído para Joinville por atividade profissional e depois pela qualidade de vida, é justamente em luta dessa condição que o professor alega ter se lançado à disputa pela Prefeitura.

Confira a série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Joinville em 2016

A Notícia – O senhor se lançou, sabendo que teria um tempo bem reduzido, sem recursos. De onde tirou motivação, mesmo com todas estas limitações?
Professor Marcos –
Eu fiz por causa do seguinte: eu tinha opções de outros partidos, mas não teria autonomia para defender minhas ideias, minhas propostas e da minha equipe também. A gente acredita que a política que o povo está buscando nas ruas (as crianças, idosos, as famílias que foram de verde-amarelo para as ruas queriam uma mudança, uma novidade). Políticos com ética, eficiência e com capacidade de fazer uma política nova. Nos outros partidos, eu não teria esta autonomia que tenho em um partido sem recursos, mas com autonomia total para defender ideias e propostas e fazer a política do jeito que a gente acredita que é o certo. Eu gerenciou o meu modelo. Temos uma estratégia nossa.

AN – Como aplicar a plataforma ecológica na esfera municipal?
Professor Marcos –
Já é uma tendência mundial. Em grandes capitais, que são cidades inteligentes, cidades modernas, o foco é usar energia limpa, reciclável e diminuir os dejetos. Diminuir a poluição. Aumentar eficiência energética: ter o máximo de eficiência com o mínimo de energia. Isso reduz custos e melhora a qualidade de vida do ecossistema, da fauna, da flora. É uma tendência do ser humano de deixar de se preocupar com a questão se é de esquerda ou de direita e se preocupar com o global, com o planeta, o sistema que é o nosso lar, que está severamente em crise. Precisamos introduzir carros elétricos, energia solar, reciclagem... coisas básicas. Mas este conceito de sustentabilidade pode se ampliar para as questões sociais, questões políticas, econômicas e ambientais/ecológicas. As pessoas precisam chegar na conciliação, na sustentabilidade. Não basta ser bom só para você, precisa ser bom para o coletivo.

AN – Essa é uma visão global deste conceito. Localmente, como aplicar?
Professor Marcos –
Temos uma densidade de seis meses de umidade a 80%. Começaríamos com a captação da água da chuva. Com um grande projeto para empresas, indústrias, residências, comércios fazerem a captação. Reutilizá-la, tratá-la e até mesmo comercializá-la, fazendo fonte de renda. A energia solar também é muito boa para se captar aqui em Joinville, com sol presente. Energia eólica e reciclagem também. Joinville precisa voltar a ter qualidade de vida. A cidade está perdendo todos os quesitos que se medem para ver se uma cidade tem qualidade de vida. O verde está deixando de ser verde para se tornar uma cidade acinzentada de muito concreto e casas grudadas umas nas outras. Estamos tendo trânsito, poluição, uma população estressada como nos grandes centros, aumentando os índices de violência e criminalidade, a sociedades está se desorganizando. Tudo isso reflete na questão da sustentabilidade.

AN – Como um prefeito pode enfrentar a segurança pública?
Professor Marcos –
Na segurança pública, vamos intensificar o Proerd. Em parceria com a Guarda Municipal, vamos inovar e qualificar a Guarda Municipal para ela atuar em parceria com a Polícia Militar. Ampliando a capacidade deste projeto, o Proerd, que infelizmente teve uma grande redução de investimento do governo do Estado. O efetivo da Polícia Militar está cada vez menor em comparação com a criminalidade.
Temos um projeto da procuradoria municipal com plantão de atendimento jurídico. O cidadão liga às duas horas da manhã dizendo que tem um animal abandonado na chuva, sem alimentação. A procuradoria liga para a Guarda Municipal que vai lá fazer uma ocorrência. Ou no caso de um espancamento de uma mulher. Nós vamos estar 24 horas para agir rapidamente. Vai ter um plantão que vai direcionar, para não deixar a pessoa abandonada.

AN – Na área da saúde temos um passivo enorme. O senhor defende um novo hospital?
Professor Marcos –
Nosso projeto é seguir o modelo do Hospital Infantil, que é um modelo de sucesso. Parceria administração/organização social, parceria com o SUS e governo estadual. Vamos levar para o São José gradativamente. Em paralelo, vamos tentando viabilizar um novo hospital. Fica mais fácil em um hospital novo implementar um sistema novo. Não estamos dando conta de aparelhar o governo (saúde, educação, transporte, segurança, saneamento).

AN – O PEN fala em qualidade de vida. Qual o diagnóstico?
Professor Marcos –
A cidade precisa optar pelo crescimento qualitativo em vez de quantitativo. A cidade já é muito rica. Agora, temos quer trabalhar qualidade de vida. Melhorar a rentabilidade das empresas pra que as pessoas tenham qualidade de vida. O projeto do atual prefeito é chegar a um milhão de habitantes. Pra isso, vamos criar a secretaria de inovação, ciência e tecnologia e a secretaria de negócios exteriores, porque as empresas aqui precisam ganhar em dólar, em euros, precisam aumentar o faturamento, precisam exportar. A cidade tem uma população flutuante. As cidades vizinhas trabalham aqui, estudam aqui, mas não moram aqui. Isso incha a capacidade de mobilidade, a saúde. Não adianta crescer com uma taxa muito alta e não conseguir acompanhar o aparelhamento público compatível. Primeiro precisa acertar essa dosagem.

AN – O senhor defende duplicação, elevado, ponte, interferência de maior porte. A cidade precisa?
Professor Marcos –
Todos estes projetos são viáveis, mas não são a curto e médio prazo. Eles envolvem licitações e investimento de milhões. Não é coisa que o cidadão vai ver daqui um ano, dois anos ou três anos. Estamos trabalhando com projetos rápidos e fáceis de serem aplicados, como... a gente quer introduzir a conciliação entre o empresário do transporte e o usuário. Joinville vive um conflito. O usuário não acredita na qualidade do transporte, portanto não usa o transporte coletivo. São 370 mil veículos registrados no Detran e as pessoa estão cada vez migrando mais para o carro, moto... O empresário não põe mais ônibus nas ruas porque não tem usuário. O empresário não tem ponto de equilíbrio na quantidade de usuários, então, ele investe cada vez menos. Joinville está sendo estrangulada na mobilidade, porque isso gera um trânsito caótico.

AN – No que dá pra interferir?
Professor Marcos –
Vamos trazer um projeto de São Luiz. Lá, eles têm o ônibus a um Real no domingo. É uma maneira de psicologicamente você reativar o hábito do cidadão de deixar o carro em casa e ir pelos pontos turísticos da cidade, com a família, num ônibus barato, num trajeto correto. Assim, o empresário vai ter fluxo de usuário e o cidadão fica feliz.

AN – E na educação, qual seria a prioridade? Onde o poder público tem de colocar energia?
Professor Marcos –
Educação integral é unanimidade. Nós vivemos um problema social/econômico, então, as famílias precisam que os pais e as mães trabalhem fora. Se tornou uma questão vital para que o jovem não fique ocioso e não caia na criminalidade, nas drogas.Mas a nossa concepção de educação integral não é o modelo que foi trazido pelo governo do Estado.Expandiu um pouco o horário. E também não é o modelo que o PT trouxe para as escolas. Esse modelo prejudicou a profissão do professor, não valorizou. não coloca o professor lá remunerado corretamente. Coloca pessoas que são quebra-galhos. Também vamos tentar reverter essa tendência de que o aluno seja aprovado sem ter o aprendizado que a sociedade precisa. Hoje, o nosso modelo educacional empurra para a aprovação uma grande quantidade de alunos que não têm capacidade de ir pra frente. Estamos vivendo no Brasil uma incapacidade de gerenciamento administrativo dos nossos órgãos, porque estamos gerando uma qualidade educacional baixa, já há algumas décadas. Além da corrupção, os profissionais também estão errando. Há uma ineficiência geral na sociedade brasileira, fruto do baixo nível educacional.

AN – O que deve ser incentivado na revisão do Plano Diretor?
Professor Marcos –
O Plano Diretor precisa ser discutido com a sociedade, com setor privado, público, as organizações sociais e a população. Os nossos vereadores têm o péssimo hábito de se elegerem e acharem que podem virar as costas para o cidadão. Por isso o cidadão não se sente parte das eleições. Ele nunca é consultado durante os quatro anos. E consultado não é como estão fazendo com as audiências públicas, que tem baixa frequência do cidadão. Agora na campanha, usam todas as ferramentas, mas quando é para uma audiência eles não querem abrir para um debate. Dois exemplos aqui em Joinville: o crematório e a LOT. Não foi consultada a comunidade. A Câmara precisa ter mais transparência e maneira de consultar o cidadão.

AN – Durante a campanha o senhor entrou com uma ação contra Udo por meio de advogado ligado ao PSDB. Há relação com o partido?
Professor Marcos –
O doutor Marcelo Artilheiro foi meu professor na Sociesc, foi onde eu o conheci. Não tenho relação com o Tebaldi. Essa petição foi um insight jurídico meu e ele acabou sendo o meu advogado. Peguei o jornal, tomei ciencia das nomeações. Pensei se só eu tinha achado estranho isso. Não é possível que no jornal sai assim explicito, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Aí fiquei com aquilo guardado e fui fazendo as minhas pesquisas jurídicas.

AN – Por quais ações o senhor começaria o governo?
Professor Marcos –
A primeira ação é propor um governo de transição. Eu quero um governo de transição transparente, que eu possa levar os especialistas de cada pasta e eles vão estar lá mergulhados, tendo acesso a tudo para que a cidade não seja prejudicada, o cidadão não seja prejudicado. É o que o FHC fez com o Lula. Fez um governo de transição para preservar o Plano Real. Um governo para que a gente preserve o mais importante, o bem estar da população. São os 600 mil habitantes que precisam ser tratados com respeito. Ser profissional independentemente das paixões. Um compromisso com a população, com um governo de transição de qualidade.

Professor Marcos
Partido:
PEN
Vice: André Klein
Sem coligação
Mote da campanha: Como é integrante de partido com plataforma ecológica, o Professor Marcos defende melhoria da qualidade de vida com mais sustentabilidade. A candidatura pelo PEN foi decidida porque houve o entendimento de que, por outro partido, haveria limitações na apresentações de propostas.

A NOTÍCIA

 

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