"Quero dar ao turismo uma visão de geração de emprego e renda", diz Jean Kuhlmann - Política e Economia - Santa

Eleições 201628/09/2016 | 08h31

"Quero dar ao turismo uma visão de geração de emprego e renda", diz Jean Kuhlmann

Em entrevista ao Santa, Jean Kuhlmann (PSD) fala de suas propostas para áreas como turismo, saúde, mobilidade e tranporte coletivo

"Quero dar ao turismo uma visão de geração de emprego e renda", diz Jean Kuhlmann Patrick Rodrigues/Agencia RBS
Jean Kuhlmann (PSD) durante sabatina na redação do Jornal de Santa Catarina Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Durante uma hora, os colunistas Clóvis Reis, Fernanda NasserPancho, Pedro Machado, e o repórter Jean Laurindo deram sequência à sabatina com os candidatos a prefeito de Blumenau em entrevista com Jean Kuhlmann (PSD). O concorrente da coligação Blumenau Merece Mais (PSD/PRB/PSL/PR/PSC/PROS/PPS) falou sobre temas como arrecadação, pontes, estímulo à economia e desafios como vagas em creches e o novo edital do transporte coletivo. Confira a seguir:

Pancho – Na eleição passada, você era situação, uma proposta de continuidade, e agora é oposição. O que é mais fácil, quais são as diferenças?

Jean Kuhlmann – Primeiro, na eleição passada a gente tinha uma missão de mostrar as ações positivas que o governo do João Paulo (Kleinübing) tinha feito durante oito anos e as dificuldades que ele tinha tido para superar a catástrofe. Nesta eleição tenho mais tempo para discutir as minhas propostas para a cidade. Tenho mais tempo para dizer aquilo que a gente vê que é positivo, tem que ser aprimorado e continuado, e da mesma forma ver aquilo que a gente entende que está errado, que precisa mudar e melhorar, e apresentar as nossas propostas. Nesta eleição tenho mais tempo para permitir que as pessoas conheçam o Jean. Essa talvez seja a grande diferença entre ser um candidato da situação ou da oposição. E hoje me sinto mais à vontade para fazer campanha também.

Pedro Machado – Você propõe, é até um lema da campanha, um novo caminho. Mas o seu partido e o PSDB, partido do Napoleão, que são os principais concorrentes hoje, andaram juntos nos últimos anos. Talvez o PSD não tenha sido ferrenho opositor. Qual é de fato a principal diferença que você propõe?

Jean – Primeiro a gente tem que rever algumas questões históricas. A posição do PSD, da executiva, do diretório sempre foi de não participar do governo. Em várias reuniões foi discutido, foi colocado em votação no diretório que o partido não participaria do governo. Todas as ações que os vereadores tiveram foram conversas entre vereadores e governo. Tanto que em nenhum momento o atual governo construiu maioria partidária, mas construiu maioria com vereadores. (É preciso) Deixar isso muito claro. O PSD nunca foi governo. Não participou deste governo. As ações que os vereadores em determinados momentos definiram em projetos de lei foram atitudes dos vereadores e não atitudes partidárias.

O que proponho é efetivamente um jeito diferente de governar a cidade. Quando a gente diz que quer construir um novo caminho é uma nova forma de cuidar da cidade. Minha origem política começou no movimento estudantil. Tive oportunidade de ser vereador, deputado, secretário, mas tive influência muito forte no meu processo político na construção da associação de moradores, junto com o orçamento participativo. Cresci nisso. E crescendo nisso vi o quanto é importante um governo ouvir as pessoas. O quanto é importante o governo fazer com que o cidadão se sinta participante da construção de uma cidade, o que infelizmente a gente não vê hoje. Então, o que a gente quer é efetivamente fazer com que a cidade seja construída por um governo e pelas pessoas. Essa é a grande mudança que a gente quer propor. A gente vai criar os conselhos dos bairros, vamos permitir com que realmente as pessoas possam participar das decisões de governo e a gente quer estar mais presente na comunidade.

Um prefeito não pode ficar quatro anos trancado no seu gabinete. Quanto mais o prefeito estiver em contato com a comunidade, quanto mais ela participar das decisões do governo, mais o governo acerta e melhor é o governo. Pra mim, isso é construir um novo caminho. E mudar algumas coisas. Alguns focos na geração de emprego, mudar a questão da aplicação de recursos na educação para garantir mais as políticas públicas, na área da saúde algumas ações que a gente quer implementar. Mas a grande mudança está na forma de governar.

Pancho – Como será o foco na geração de emprego?

Jean – Proponho a criação de um programa chamado Inova Blumenau, com base naquele programa que a gente fez quando era secretário de Estado, que a gente revitalizou, do Prodec e do Pró-Emprego. A gente quer trabalhar o conceito de inovação na cidade. Definir exatamente o Distrito da Inovação, finalizar a questão do Centro de Inovação e de que forma ele vai interagir com a cidade, para oportunizar a criação de novos negócios, a questão do empreendedorismo. Com isso você tem que criar uma política cultural, educacional para o empreendedorismo, para a inovação e também uma política econômica que permita esse tipo de empresas.

Aí, a gente vai trabalhar com a postergação do ISS, como é hoje no Prodec a postergação do ICMS para quem gerar investimentos e emprego na cidade. Então, você cria uma política de postergação do ISS, cria políticas do Fundo Municipal de Inovação onde você vai ter recursos com juros subsidiados e recursos a fundo perdido, com apoio do Finep, como hoje tem no município de Palhoça. Se vocês estudarem o Nova Palhoça tem muita coisa que quero trazer para Blumenau, onde você tem o Fundo de Inovação, a postergação do ISS, a concepção da inovação na cidade. É muito mais do que TI.

Inovação abrange todos os setores, onde a própria cidade pode oferecer às pessoas oportunidades de negócio, porque a cidade pode ser um grande cliente e pode ser a matriz de vários processos que vão passar para o país inteiro. A cidade também tem que adotar para ela esse conceito de criar coisas inovadoras.

Pedro – O ISS é um dos poucos recursos gerenciáveis por parte da prefeitura, vem muito recurso de fora carimbado. Postergar ISS não cria uma dificuldade de caixa que é prejudicial nesse momento de crise?

Jean – Quando a gente fala em postergação a gente nunca fala em postergação do presente arrecadado. A gente sempre fala de postergação do valor gerado. O que quero dizer com o Inova Blumenau é a mesma sistemática do ICMS. Se você tem uma empresa que arrecada R$ 50 mil por mês de ISS, mas precisa ampliar o negócio ou comprar uma máquina nova. Essa máquina nova vai gerar R$ 20 mil, R$ 30 mil, R$ 50 mil de incremento no ISS. Então o valor a postergar é baseado no incremento. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico analisa o investimento que você vai fazer e a quantidade de empregos que você vai gerar.

Você comprou uma máquina para pagar em 48 vezes. Muitas vezes você não precisa recorrer ao banco, você faz um financiamento e paga com a postergação do ISS. Porque você não está fazendo perdão de tributo, está postergando. Quando o cidadão vai lá, aprova no conselho a possibilidade de postergar o ISS, a partir desse momento tem um ano de carência, a partir de um ano a máquina está instalada, com capacidade de produção e já está gerando tributos novos. Esse tributo você vai postergar por 48 meses. Aquele mesmo imposto que você pagaria, a sua guia de R$ 50 mil passou para R$ 70 mil. Aqueles R$ 20 mil (de diferença) recolho 48 meses depois. Esse recolhimento é feito com juros de 1% ao ano. Aí fica mais barato que o financiamento de banco e aqueles R$ 20 mil uso para pagar a parcela do equipamento que gerei o imposto. Daqui a 48 meses vou pagar aquele imposto, só que neste momento gerei emprego para alguém. Alguém que saiu da fila da Assistência Social. Alguém que consegue pagar uma vaga na creche numa ONG. Alguém que consegue ter um plano de saúde e sai do SUS. Ou seja, reduzi a questão social do município.

Então, tenho um ganho imediato porque tenho alguém que entra no mercado de trabalho com poder de movimentar a economia e sair da fila da assistência social, em contrapartida vou receber esse imposto só daqui a 48 meses. É só imposto novo, não o presente.

Fernanda Nasser – O que você pretende fazer para aumentar as vagas em creche?

Jean – Você vai na Rua Araranguá, vai na Vila Jonas Neves, na Cohab, por exemplo, tens terrenos ao lado da creche. Alguns baldios que ainda não são do município e muitos que são do próprio município. Então, você pode ampliar essas creches. Essa é a primeira colocação. Têm creches do município que você precisa melhorar as condições delas, que uma reforma já aumenta a quantidade de crianças atendidas. Esse é um passo, fazer um diagnóstico claro do que tem que ampliar e do que tem que reformar.

Outro passo é buscar recurso federal para a construção de creches com dinheiro do MEC. Já foi feita uma, tem o projeto de mais sete. Continuar fazendo os projetos para buscar mais construções. Agora, tem uma outra coisa que acho que é fundamental. Primeiro: aumentar o repasse de recursos para as ONGs. Se a gente for ali na ONG São Roque, na Rua São João, ela atende hoje menos crianças do que ela poderia atender. Então você consegue através das ONGs aumentar a capacidade de vagas em creche. Segundo, para as famílias de baixa renda, quero adotar um sistema que em Salvador e no Distrito Federal está começando e a informação que tenho é que está dando certo, que é o auxílio-creche.

Esses dias conversei com uma moça, ela tinha 22 anos, ali no Loteamento Jardim Germânico. Ela tinha uma criança de cinco meses, disse que estava na fila de espera e não conseguia creche da prefeitura. Surgiu uma vaga para trabalhar em uma malharia. Ela ia ganhar R$ 1 mil, R$ 1,1 mil por mês. Perguntei porque ela não foi trabalhar. Ela disse que a creche particular que ela ia colocar (a filha) custava em torno de R$ 800. Mais a van para levar a criança, o custo para ir trabalhar, no final ia sobrar R$ 100. Não vale a pena. A gente tem que criar para as famílias de baixa renda, e é isso que quero fazer, uma espécie de auxílio-creche.

Para aquela pessoa que está esperando a vaga na creche e que tem a oportunidade de ir trabalhar. A gente dá o auxílio-creche num valor menor do que o custo da ONG, porque a gente vai buscar uma parceria com a empresa, para que ela também ajude nesse processo, e com isso a gente consegue garantir que aquela mãe vá trabalhar, que a empresa tenha a mão de obra que ela precisa e que a gente possa atender através de uma ONG, uma creche domiciliar, algo que seja fiscalizado e orientado pelo poder público.

Jean Laurindo – Você acha possível equalizar essa questão das vagas em creche?

Jean – Você não vai conseguir zerar. Já teve promessa de construir 19 e foi feita uma. Não vou prometer o que não dá para cumprir, não estou aqui para isso. Você tem condições de melhorar muito. Zerar vai depender do caixa do município, da capacidade financeira. Tive esses dias uma reunião na Rua Pomerode com o pessoal da Coopertran. Só a Coopertran diz que a prefeitura e a URB devem para eles, desde fevereiro deste ano até agora, R$ 1,2 milhão. A informação que recebi nessa reunião.

Então, tem muita conta debaixo do tapete que a gente não sabe que tem. Seria muita irresponsabilidade minha dizer número de quantidade de vagas, valor do auxílio-creche. O que a gente quer é estabelecer uma política pública que faça com que esse problema seja resolvido. O meu sonho é criar 4 mil, 5 mil vagas, mas não vou prometer algo que financeiramente a gente ainda não tenha condições de afirmar.

Pancho – A sua campanha tem dado muita visibilidade ao candidato a vice Alexandre José, até pela fama que ele tem. Que papel vai ter o vice-prefeito no seu governo?

Clóvis Reis – Vai ser secretário? Porque o vice-prefeito não vai ter mais salário.

Jean – Não, não porque ele não quer. O vice não tem mais salário, o Alexandre faz questão de que essa regra continue. No momento que fiz o convite a ele, que a gente estava discutindo, perguntei: "Alexandre, queres ser secretário?" Ele disse: "não, não quero ser secretário. Quero ser vice-prefeito para ajudar". E ele quer continuar trabalhando na rádio e na televisão. Esse é o desejo dele. Aí, o que a gente está tentando fazer nesse novo caminho para a cidade?

O Alexandre vai ouvir as demandas da população no dia a dia de trabalho dele e vai vir para a prefeitura. E a gente vai discutir junto as questões que podem ser resolvidas, como serão. Porque infelizmente o que a gente vê historicamente acontecer é que quando um prefeito, um governador se elege, ele acaba cuidando da burocracia da prefeitura, entra naquele emaranhado e acaba ficando longe do contato com as pessoas. O grande papel do Alexandre é fazer com que isso não aconteça. É trazer as demandas da população para a prefeitura e a gente fazer junto o programa Prefeitura nos Bairros novamente, levar os secretários nas comunidades, estar presente final de semana com a prefeitura em algumas comunidades.

É isso que a gente quer: ouvir as pessoas, ter o conselho nos bairros, dialogar constantemente com a sociedade. Ter uma equipe de secretários extremamente técnicos, que tenham capacidade de tocar o dia a dia, onde vou cobrar como prefeito a execução daquilo que for determinado para eles. Vou controlar, fiscalizar e, ao mesmo tempo com o Alexandre, vou estar presente na comunidade ouvindo a população, buscando subsídios para corrigir as deficiências.

Pedro – Não fica complicado a primeira pessoa na linha sucessória estar tão distante assim?

Jean – Não vai estar distante. Ele estará lá, de manhã, à tarde. Porque o horário de trabalho dele na rádio é até as 7h30min e na TV ao meio-dia.

Pancho – Essa relação com um meio de comunicação específico não pode ser nociva à administração pública?

Jean – Não, não tenho medo disso. É importante que ele tenha contato com as pessoas.

Pancho – Mas isso ele pode fazer fora do exercício profissional...

Jean – Mas aproxima mais tendo um canal de comunicação. Ele pode não continuar fazendo exatamente a linha jornalística que ele faz, aí é uma decisão dele, e esse assunto não cheguei a conversar com ele, mas ele faz questão de estar em contato com as pessoas. Ele é um cara de rádio, de TV, gosta disso. Não posso tirar isso dele.

Fernanda – Já tem alguma proposta especial em relação à segurança pública, por exemplo uso da Guarda Municipal?

Jean – O que a gente discutiu muito, inclusive com a Guarda de Trânsito, minha ideia é transformar a Guarda de Trânsito em uma Guarda Municipal. Ela sai do Seterb e é transferida para a Secretaria de Defesa do Cidadão. Na secretaria ela vira uma Guarda Municipal, com isso consigo buscar recurso federal para equipá-la. Não seria uma guarda armada. A ideia é que esta guarda, com equipamentos não letais, no máximo uma arma taser, algo para proteger o guarda, a gente vai querer dividir a cidade em setores.

Essa guarda vai trabalhar de forma setorial. Uma parte do corpo continua fazendo plantões e outra parte vai trabalhar de forma setorial fazendo uma função de uma guarda comunitária. Onde você tem lá dois guardas que trabalham até uma hora da tarde. Dois em seis horas em um turno e dois em seis horas em outro. O mesmo guarda que ajuda a criança a atravessar a rua na frente das escolas é o guarda que vai visitar o comércio, estar presente, circular, conversar com o Conseg, que vai olhar os terrenos baldios que geram problema, que vai olhar os locais de iluminação que geram problema, que vai fiscalizar tudo isso e vai acionar o Conselho Tutelar, pessoal de serviços urbanos ou a Polícia Militar no momento de dificuldade, que vai conversar com a Polícia Civil. Porque a única forma que vejo hoje de melhorar a segurança é através da proximidade nessa relação.

E aí a prefeitura vai aumentar o número de câmeras de vigilância, de lombadas eletrônicas, que hoje têm função de controlar fluxo de veículos, se é furtado, se está com documento em atraso. E a gente vai também terminar a Central de Operações Blumenau, que vai permitir com que haja uma interação dos agentes de segurança na cidade no mesmo local e que haja um monitoramento maior da cidade nessa central. A gente tem que terminar de implantar a rede de fibra ótica, que está sendo feita em parceria com o Ciasc em toda a cidade, e vai ter que expandir isso um pouco. Com isso vai permitir aumento de câmeras de vigilância, toda essa rede de segurança.

Pancho – A atual administração diz que não tem dinheiro para criar uma Guarda Municipal. De onde viriam os recursos?

Jean – Não falei em criar, falei em transformar.

Pancho – Mas então você vai dar uma nova atribuição à Guarda de Trânsito? Além de controlar o trânsito...

Jean – Vai ter também atividade patrimonial. Porque hoje o guarda de trânsito já faz muito isso.

Pancho – Não é contratar novos guardas, então?

Jean – Inicialmente, não. Inicialmente tenho que ajustar e valorizar a atual corporação. Fazendo isso estruturo uma guarda municipal. Com atuação muito mais comunitária do que de repressão. Repressão, para mim, é função da Polícia Militar. E aí, o guarda comunitário vai fazer tanto o controle da questão do trânsito, dos eventos, das escolas, como vai ter esse papel de diálogo com a sociedade.

Pedro – Os funcionários não vão ficar sobrecarregados? Vai haver aumento de salário por uma nova função?

Jean – Vai, vai ter que haver uma adequação salarial deles. E esse é o custo do município, mas é muito mais fácil você reajustar e melhorar o salário deles e dar uma nova atribuição e ter um comprometimento maior com a cidade do que criar toda uma corporação nova, uma estrutura. O custo é muito alto.

Pedro – Isso vai exigir recursos. Voltando à questão do Pancho, de onde vêm esses recursos?

Jean – Aí você tem vários recursos do município que você tem que readequar. Quando você tem um município que gasta com a sala alugada que não ocupa, um município que gasta com financiamento do Badesc de R$ 8,7 milhões porque perdeu o Badesc Juro Zero. Tem que ter eficiência na aplicação dos recursos. E vai ter que também ter uma modernização na estrutura organizacional do município.

Vou juntar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico com a de Turismo. Pretendo estudar e, ainda tenho que ter uma avaliação técnica, mas o meu desejo é juntar a Secretaria de Serviços Urbanos com a Secretaria de Obras. Fazer essas questões para tentar reduzir o custo da máquina pública.

Pancho – Tem um processo de licitação do transporte coletivo na cidade. Qual é a sua opinião sobre esse modelo que foi adotado? Há mudanças previstas em relação ao que está sendo proposto?

Jean – Entendo que a primeira versão enviada ao Tribunal de Contas era uma versão viciada. Com problemas. Tanto é que um parecer do Júlio Garcia como conselheiro do Tribunal de Contas apontava que existia um item que prejudicava a questão da tarifa e dizia que havia um suposto favorecimento e gerava uma concorrência desleal. Então, primeiro meu compromisso é não admitir que haja na nova licitação, caso o governo não faça até dia 1º de janeiro, nenhum tipo de favorecimento. Com relação ao atual serviço prestado, é exigir que a Piracicabana coloque os ônibus que foram prometidos. Melhore o atendimento. Porque é inadmissível.

A população está pagando um preço mais caro pelo serviço com ônibus mais velhos. Sem contar que a prefeitura tirou do custo da empresa a manutenção dos terminais. E a empresa botou ônibus que consome menos combustível. E tudo que a prefeitura deu para a Piracicabana ela negou para o Consórcio Siga. A Piracicabana tem alguns benefícios que não consigo entender. Tem que ser mais firme com a Piracicabana, essa é a postura que vou ter como prefeito, vou ser mais firme durante a vigência do contrato. Vou fazer com que a nova licitação caso a atual administração não a faça, seja uma licitação que não tenha irregularidades como foram apontadas pelo tribunal de contas, e que também seja uma licitação que possa prever investimentos de médio, curto e longo prazo.

Pancho – No caso de eleito, o que o governo Jean Kuhlmann faria para estimular o uso do transporte público pelo blumenauense?

Jean – Fazer isso, melhorar o ônibus. Exigir que a empresa coloque ônibus novos. O edital exigir ônibus novos.

Pedro – Você falou que se o edital estiver encaminhado até o fim do ano não teria como mexer nele? Se não estiver executado até o fim do ano, você mexeria nele?

Jean – Totalmente. Se tiver a possibilidade legal de mexer no edital, mexerei.

Pancho – Em quais pontos?

Jean – Primeiro, exigir com que todos sejam ônibus novos. Exigir investimentos de médio e longo prazo, como a questão por exemplo dos abrigos de ônibus. Entendo que a empresa que vai ganhar tem que fazer a manutenção dos abrigos, porque é o cliente dela que usa. Fazer com que o ônibus tenha, nas linhas troncais, ar-condicionado. Fazer com que a empresa volte a ter responsabilidade também sobre os terminais, porque ela vai prestar um serviço com mais qualidade.

Quinta-feira passada uma senhora me disse que tentou ir em um banheiro no terminal e não conseguiu. É uma imundície, é impressionante. Não tem qualidade no serviço para as pessoas. E fiscalizar para que seja realmente implantado.

Pancho – Por falar em fiscalização, qual é a sua opinião sobre fiscalização na prefeitura? Todos se dizem sobrecarregados, tem muita lei para fiscalizar. A gente vê que sobre poluição visual e obras a fiscalização é deficitária. Faltam fiscais na prefeitura?

Jean – Não sei se faltam fiscais, talvez o que falte seja uma modernização desse trabalho. Porque a própria sociedade também tem que ter o conhecimento. A prefeitura tem que trabalhar para que a sociedade seja empoderada nesse trabalho de fiscalização. A sociedade tem que ajudar a participar. Por mais que você vai contratar fiscais, sempre vão dizer que falta. Você tem que empoderar a sociedade desse processo. E aplicar mais tecnologia nisso. Não é contratando mais fiscais que você vai resolver, é com mais tecnologia e mais empoderamento da sociedade.

Clóvis Reis – Jean, qual é a tua proposta para os ambulatórios gerais? Pelo que vi na propaganda você quer colocar raio-x e exames laboratoriais. É uma espécie de quase UPA?

Jean – Não chega a esse ponto. Não são em todos, são nos principais, por exemplo, Velha e Garcia. É fazer com que os exames de raio-x, que hoje não precisam mais da famosa chapa, é tudo informatizado, o próprio médico já possa fazer para agilizar os processos. O que quero é agilizar algumas consultas, alguns procedimentos. Porque hoje o cidadão vai lá no posto de saúde, é encaminhado para o ambulatório geral, de lá leva um mês para encaminhar, vai fazer um raio-x não sei aonde.

Muitas vezes você pode fazer a coleta de sangue em uma sala adequada no ambulatório geral, pode fazer o raio-x ali, o que diminui esse ping-pong. É esse ping-pong que a gente tem que diminuir. O próprio município já tem uma estrutura que pode fazer isso, mas aí é uma questão de estudar com o Conselho Municipal de Saúde. O importante é que se faça a coleta pela própria equipe do município no ambulatório geral, e aí encaminha para o exame. Você tem que aproveitar o cidadão quando ele está ali, e não fazer um ping-pong.

Jean Laurindo – Ainda na saúde, uma das suas propostas é a criação de um pronto atendimento 24 na região Norte, aproveitando o Hospital da Furb, usando recursos das três esferas. No caso dos hospitais, muitos municípios sofrem com atrasos de repasses da União e do Estado. Como evitar que isso se torne mais uma estrutura em que o município precise adiantar recursos para custear?

Jean Kuhlmann – Vai ter custo, é natural. Você tem a produção, que abate um pouco do custo do sistema, mas vai ter o custo do município, isso é inegável. Com o aumento da receita do município, em vez de abrir vários postos de saúde novos, você resolve este problema. Você usa esse recurso para custear esse pronto-socorro 24 horas. O que quero fazer? Lá onde é o Hospital da Furb hoje, fazer uma estrutura de pronto atendimento 24 horas. Até porque aquele espaço foi inicialmente projetado para isso, depois que virou um hospital dia. Esse pronto-socorro, se tiver algum custo de construção, se não for possível adaptar a estrutura atual, esse custo vou buscar no governo do Estado, porque tem recurso para isso.

A gente consegue buscar com o governador, já conversei com o João Paulo (Kleinübing, secretário estadual de Saúde), isso a gente consegue. Assim como o Estado já ajudou na construção do Centro de Diagnósticos por Imagem do Hospital Santo Antônio, dos leitos de UTI do Santa Isabel, da nova ala do hospital da Vila Itoupava, o Estado ajuda na construção e equipamentos. A grande questão é o custeio de pessoal, que daí você tem o aumento da receita da saúde e você aplica nisso. Por que essa questão é importante no meu entendimento? Porque o Santo Antônio hoje não dá mais conta. Você pega uma pessoa hoje que tem um filho e precisa ir para um pediatra no Santo Antônio, leva cinco horas para ser atendido. Por mais que os servidores do Santo Antônio façam um bom trabalho e sejam comprometidos, é muita gente para um lugar só.

Não lembro quando foi a última estrutura de pronto-socorro que foi construída em Blumenau pelo SUS. Desde pequeno me lembro que tem o Hospital Santo Antônio, Santa Isabel e o Hospital da Vila. O Santa Catarina deixou de atender SUS. Tem essas três estruturas, e aumentou mais de 100 mil habitantes. Para desafogar o Santo Antônio tem que criar uma estrutura nova. Então a ideia é criar na região Norte, quem mora naquela região vai naquela estrutura, quem mora na outra região da cidade é melhor atendido no Santo Antônio. Isso é uma coisa muito forte que quero fazer. Para amenizar o tempo de espera por uma consulta com especialista ou cirurgia de média complexidade, quero trabalhar com o hospital da Vila, porque hoje com aquela nova ala para internações, o hospital da Vila tem uma estrutura que permite você ampliar a quantidade de cirurgias de média complexidade.

E também utilizar a estrutura do Hospital Dia da Furb e da policlínica universitária. Transformar a policlínica universitária, num acordo com a Furb, como se fosse uma segunda policlínica de Blumenau, para lá também aumentar o número de consultas com especialistas.

Pancho – Em relação ao Turismo, temos um Plano Municipal encaminhado, existe também um formato para os próximos anos da Oktoberfest. Que novas propostas um eventual governo seu teria?

Jean – As decisões que foram tomadas por essas entidades que participaram dessas discussões vou respeitar e quero fortalecer isso. No turismo a gente tem que fazer com que saia do papel o Centro de Convenções da Vila Germânica. A gente já está conversando lá com o Cássio Taniguchi (secretário estadual do Planejamento), já descobrimos a forma legal de fazê-lo e vamos, junto com o governador Raimundo Colombo, cobrar a construção desse Centro de Eventos e Convenções.

Não será com recursos do município, a ideia é fazer com recursos do Pacto por Santa Catarina. Já existe uma forma legal junto ao Banco do Brasil para fazer essa construção com recursos do Estado. Esse é o primeiro pedido que farei como prefeito ao governador. Quero dar ao turismo uma visão muito mais de geração de emprego e renda do que visão de fazer festas, eventos. Então, o Centro de Eventos e Convenções é muito importante.

Pancho – O Mercado Público tem projeto escolhido há mais de oito anos...

Jean – Aí, é conversar com Brasília para tentar buscar o recurso ou então fazer uma PPP (Parceria Público-Privada).

Pancho – Mas você é favorável à construção daquela estrutura?

Jean – Totalmente. Entendo que tem que fazer, até porque temos que adequar aquela estrutura à nova Vila Germânica. Aquela estrutura que existe lá hoje não combina com o local. Temos que fazer no entorno da Vila Germânica, assim como tem que fazer o Distrito da Inovação na Itoupava Seca, temos que criar o Distrito Turístico de Blumenau. Incentivar que lá haja uma via gastronômica. Começar ali na Furb, fazer da Antônio da Veiga e Humberto de Campos uma via gastronômica. Tem que se criar nessa área o Distrito Turístico.

Pancho – Em relação à proposta da Margem Esquerda, de criar um parque ciliar. Essa proposta estaria contemplada no seu governo?

Jean – Com certeza. Tentar buscar o recurso do governo federal, do Estado. Fazer a ponte que foi aprovada pelos técnicos do BID...

Clóvis – Pois é, qual é a ponte do teu governo?

Jean – A dos técnicos. A aprovada pelos técnicos do BID. Vou fazer aquilo que os técnicos do BID aprovaram. Se quisesse decidir pelos técnicos tinha virado técnico do BID, engenheiro, estava nessa área. Minha função é política, é representar a sociedade e respeitar a decisão técnica. Vou fazer a ponte no sentido binário (Rua Chile com a Rodolfo Frygang), como foi feito, e vou ter na Secretaria de Planejamento uma equipe técnica, comprometida com a cidade, não formada por políticos, mas por pessoas técnicas, inclusive da sociedade, para fazer projetos para obras importantes como o binário da Rua Amazonas com a Rua Hermann Huscher.

Pancho – Voltando a falar da ponte, o primeiro projeto contemplado pelo BID previa a ponte da Rua Chile e uma passarela na Prainha ligando à Rua Itajaí. A atual administração quer fazer uma ponte para trânsito de veículos entre a Rua Itajaí e a Rua Paraguai. Qual projeto vai ser contemplado no seu eventual governo?

Jean – O projeto aprovado pelos técnicos do BID (com a passarela na Prainha). Por quê? Porque a gente está discutindo muito mais do que uma ponte. Estamos discutindo um novo cartão-postal e um novo conceito para a cidade. Quando digo que a gente está fazendo a ponte no sistema binário, da Rua Rodolfo Frygang até a Rua Chile, ali vai ter um sistema binário que se der problema na ponte velha tem uma ponte para proteger em casos emergenciais. Mas não é só isso.

Tu tens o início de um sistema de binário que vai chegar na República Argentina, fazer o contorno do Anel Viário Norte, que vai chegar antes do Sesi e, num projeto alternativo ao Contorno de Gaspar, que o governo do Estado não tem R$ 500 milhões para aquilo, mas o Estado já está estudando isso, fazer uma nova ponte antes de chegar ao Sesi para entrar na Rua Silvano Cândido da Silva. Passar na frente do presídio e ir até a BR-470. Esse é o Acesso Leste de Blumenau. Essa ponte no sistema de binário serve para isso. Essa ponte bem ali no meio é também um novo cartão-postal para a cidade. Ela também vai atrair turismo. Como é um novo marco, ela exige que você faça a conclusão da Margem Esquerda. O que você tem que fazer ali? Não para veículo. Mas para ciclovia, pedestre.

Você vai ter um eixo passando ali, a passarela que vai ligar ao antigo Centro de Saúde e a Rede Feminina de Combate ao Câncer, passa pelo Centro Histórico, passa pela Beira-Rio, pega a Ponte de Ferro, volta, desce, você tem todo esse circuito que valoriza ciclovia, caminhada, mas valoriza muito mais do que isso, que é a questão da contemplação ao rio. Como vou dizer para uma criança que a gente tem que preservar o rio se a gente dá as costas para o rio? Com essa visualização, tu estás valorizando o Centro Histórico, criando uma nova alternativa de lazer para a cidade, mas tu estás também criando um ponto definitivo de atividades no rio, esportes, jet ski, canoa, você leva as pessoas para fazer atividades no rio, contemplarem o rio.

Então, é muito mais do que uma ponte, é um conceito novo. Quando termina a passarela do Moinho para o antigo Centro de Saúde, aquele prédio está abandonado. Vamos incentivar que o Estado doe o prédio para o município, isso é algo que vai ser tranquilo, porque quero fazer junto com esse Centro de Saúde antigo e com o Frohsin, uma concessão para que ali tenha um museu e uma nova pousada temática. Aí, a passarela valoriza isso. Pode ser um museu temático da cidade, que conte a história. Aí, você criou toda uma valorização do entorno, respeitou o Centro Histório.

Clóvis – Em que medida o Blumenau 2050 é uma referência para o teu plano de governo?

Jean – Ele fala na questão da habitação, em todos os eixos. Talvez hoje o mais emblemático do 2050 seja a mobilidade, a Ponte do Centro, as obras. A gente vai ter que fazer esse binário da Rua Amazonas com a Hermann Huscher, porque não tem recurso para fazer a ligação Velha-Garcia hoje. Não existe dinheiro para você fazer os túneis como são exigidos por causa da questão geológica. O que tem que fazer é finalizar o projeto, para ter uma noção clara do traçado e de quanto custa. Agora também tenho o pé no chão para entender que não tem dinheiro para fazer isso.

Então, neste momento, a gente tem que pensar em finalizar o projeto do binário da Rua Amazonas com a Hermann Huscher. A gente vai discutir com os técnicos, mas a visão que tenho é criar na Rua Amazonas um trânsito de entrada para o Garcia, com o ônibus no contrafluxo, e na Rua Hermann Huscher de saída, aumentando a quantidade de pontes. Aí, você ameniza um pouco o trânsito do Garcia, que hoje é um caos.

Pedro – Você fala em obras, essas grandes obras estruturais, cita ou obras que já têm projetos prontos, como a Ponte do Centro, Centro de Convenções, os terminais, ou obras que estão encaminhadas como o prolongamento da Rua Humberto de Campos. O senhor tem projeto de alguma obra nova?

Jean – Binário da Rua Amazonas com a Hermann Huscher. Essa obra acho vital. Mas o que defendo: a gente tem que acabar com aquela cultura de “ah, me elegi, agora vou pegar o projeto e zupt, na gaveta ou na lata de lixo”. Não. A prefeitura fez isso nos últimos quatro anos com o 2050. Não tocou mais no assunto. Não falou, não motivou, não construiu um projeto com a sociedade.

Quero pegar o projeto Blumenau Século XXI, Blumenau do Futuro, Blumenau 2050, condensar o que tem de bom em todos esses projetos e criar um projeto para a cidade de longo prazo. E é um projeto que não vai ser do governo, quero envolver a sociedade civil para que a sociedade civil entenda que aquele projeto é da cidade e não de um governo.

Pancho – Esse mesmo discurso foi feito pelo prefeito João Paulo na época do 2050 e não adiantou nada...

Jean – Aí tens que perguntar para o João Paulo. Sou o Jean Kuhlmann, muito prazer. Quero fazer a junção assim como quero criar os conselhos de bairro que são uma espécie de Planejamento Comunitário do primeiro governo do João e uma espécie de Orçamento Participativo do governo do Décio. Vi de perto como funcionam os dois, sei a deficiência dos dois e acho que a gente pode aprimorar os dois num novo modelo de gestão. Quero criar junto com a sociedade um Instituto de Planejamento Metropolitano. Por que isso? O instituto não vai ser um órgão da prefeitura.

Vai ter recurso público e pessoas da prefeitura, mas o instituto tem que ter a participação da sociedade civil porque vai analisar a cidade de uma forma mais ampla, e vai analisar não de forma parcial por parte do prefeito que é partidário, que tem política no meio do processo. O instituto vai perenizar, perpetuar as políticas para o futuro da cidade. Esse instituto tem que ter uma visão de atender Blumenau, Pomerode, Indaial, Gaspar, Timbó, naquilo que os municípios têm em comum. No transporte coletivo é um erro a licitação olhar hoje só Blumenau no processo. A licitação tem que analisar como fica o trabalhador que vem de Pomerode para cá e o de Blumenau que tem que trabalhar em Pomerode, em Indaial.

Porque se a gente vai trabalhar um vocacionamento da economia para tornar Blumenau um grande centro de serviços, com economias e empresas de valor agregado, onde vai ficar a empresa de massa? Geograficamente, em Gaspar, por exemplo, ainda tem área para você trazer uma empresa grande com indústria de mão de obra intensiva, mas Blumenau não tem mais isso, então você tem que trabalhar em parceria com as cidades. Por isso é fundamental ter esse instituto que vai projetar tudo isso, transporte coletivo, coleta de lixo, ligação urbana entre os municípios, ciclovias. Aí, você tem que pegar o Blumenau 2050, juntar com outros, criar um projeto que pode continuar sendo o Blumenau 2050, o nome pouco importa.

O importante é que ele se torne um projeto de longo prazo com ações a curto, médio e longo, que não seja da prefeitura. Que os próximos prefeitos quando vierem para um debate, vocês não vão precisar perguntar o que eles vão fazer de obra. É como discutir na Alemanha, o prefeito se compromete a fazer o que está planejado pela cidade.

Pedro – Nessa lógica, você vai dar sequência ao Plano Municipal de Turismo e ao de Desenvolvimento Econômico...

Jean – Óbvio, óbvio. É uma política de Estado, não de governo. A prefeitura, a cidade, a sociedade são muito maiores do que qualquer político.

Jean Laurindo – Nesta campanha alguns candidatos estão batendo na questão da URB. Você pensa em alguma mudança na URB?

Jean – A URB tem que se tornar autossuficiente.

Pancho – E como fazer isso?

Jean – É difícil, é muito complexo, demora um pouco, mas é permitir com que ela possa, por exemplo, fabricar lajota e vender para os municípios. Fabricar tubulação e vender para os municípios. Utilizar material de construção de demolições como matéria-prima, como faz Joinville hoje. Você tem condições de criar produtos e subprodutos na urbanizadora que gerem renda, mas para isso você tem que ter uma gestão mais comprometida com as questões técnicas e menos com cabide de emprego, porque a cada mandato a URB vira um cabide de emprego. A gente tem que mudar essa lógica. A URB tem que ser um prestador de serviços para o município de Blumenau, para a iniciativa privada e para os municípios vizinhos.

Pancho – Qual seria a participação do seu governo, se eleito, no desenvolvimento do futebol profissional da cidade e do esporte amador? Incluindo aí a questão do Galegão.

Jean – A gente quer ajudar na questão de viabilizar o estádio municipal. A prefeitura não pode financiar um clube privado. Não dá para colocar recurso da prefeitura para financiar um clube privado, onde um jogador entra por um preço e sai por outro. Essa discussão o município não pode entrar. O município tem que deixar mais clara a divisão do Bolsa Atleta, valorizar o esporte amador, usar o esporte como forma de formação do cidadão. É isso que vejo. A prefeitura tem que incentivar e permitir com que daqui a pouco ele possa se destacar e, se destacando, vai receber também um Bolsa Atleta para poder, talvez de forma profissional, começar sua caminhada, quando não consegue sozinho.

E com relação ao futebol, ajudar nessa intermediação para a construção do estádio municipal. Ainda defendo, e quero discutir como presidente com a Fiesc, a possibilidade de compartilhar mais o uso do estádio do Sesi. Aí a prefeitura pode ajudar fazendo com que os times de Blumenau não precisem pagar para jogar no Sesi, por exemplo. Vou aprimorar isso com a Fiesc, a possibilidade de compartilhar o uso do Sesi. Municipalizar talvez é um custo muito alto, tem que se discutir, mas compartilhar o uso, para atividade de contraturno escolar, para que seja um local de aperfeiçoamento da criança que ganha o Bolsa Atleta.

Clóvis – Qual é a sua opinião sobre essa reforma do Ensino Médio? Embora o Ensino Médio não seja responsabilidade do município, mas o que o deputado Jean Kuhlmann pensa?

Jean – Algumas matérias ali você não dar para as crianças, como filosofia, acho um pouco prejudicial, mas ao mesmo tempo acho que você tem que vocacionar o aluno para ele criar um caminho. Estudei na Etevi. Meu Ensino Médio foi profissionalizante, me formei em técnico de Processamento de Dados. Isso me ajudou a fazer minha faculdade, ajudou na minha vida profissional até hoje.

Acho que o governo acerta quando permite que o jovem possa escolher alguma coisa para o futuro dele, mas ele também não pode cercear demais algumas matérias que são importantes para a formação do ser. Não tenho conhecimento técnico aprofundado sobre o assunto, mas acho que isso precisa ser melhor discutido.

Pancho – Qual futuro vai ter o Aeroporto Quero-Quero na sua gestão, se for eleito?

Jean – A gente tem que transformar o Aeroporto Quero-Quero em um equipamento útil para a cidade. O que quero te dizer com isso? Tem que permitir com que seja melhor aproveitado um condomínio aeronáutico, por exemplo, ter lá jatos e hangares privados, e também fazer com que o aeroporto possa daqui a pouco operar com alguma linha específica daqui a São Paulo, mas tem que aumentar a pista dele, tem que reestruturar definitivamente. Mas para isso a gente vai ter que buscar recursos do Estado também.

Pedro – Alguma proposta para a rodoviária?

Jean – Tem que ser revitalizado, e aí da rodoviária pretendo fazer a concessão.

Pedro – Esse modelo está definido já, de como seria a concessão?

Jean – Não. Não porque aí tem que ser prefeito para discutir. A população tem que te eleger prefeito para você poder discutir algumas coisas com a sociedade. Eu, Jean, defendo, mas como prefeito vou discutir com a sociedade. Agora, do jeito que ela está não dá para ficar.

Jean Laurindo – Nesse cenário de queda de arrecadação, o senhor teme ter dificuldade para garantir a remuneração dos servidores ou oferecer algum reajuste?

Jean Kuhlmann – Acredito que o primeiro ano de governo vai ser muito difícil. Por isso vai exigir um enxugamento da máquina pública, uma conversa forte com a sociedade, mas entendo também que o governo tem que buscar alternativas. Não pode mais perder R$ 20 milhões do Badesc Juro Zero como perdeu, para fazer obras. E o município tem que melhorar a aplicação dos recursos próprios. O atual governo passou de R$ 970 milhões/ano para R$ 1,2 bilhão, a receita.

Você não vai ter queda na receita talvez, vai ter um crescimento menor que a inflação na receita. Então, tem que haver muito diálogo, mas tem que garantir ao servidor que ele tenha no mínimo a inflação, tem que buscar um ganho real para você motivá-lo. Tem que fazer uma readequação da estrutura administrativa. E avaliar com cautela todos os gastos do município.

Jean Laurindo – Isso não pode dificultar algumas ações que o senhor propõe como a garantia de médicos nos postos, com mais dificuldade para atraí-los?

Jean Kuhlmann – Aí é o tempo que vai responder. A prática, o dia a dia. Claro que qualquer receita menor dificulta isso, mas sou contra o aumento da carga tributária. Sou favorável à fiscalização e à justiça fiscal. Sou favorável a você fazer que haja menos sonegação fiscal, mas sou totalmente contrário ao aumento da carga tributária, porque a sociedade não aguenta mais pagar imposto.

Você tem duas possibilidades muito fortes, o enxugamento da máquina pública com racionalização da aplicação dos recursos do município e o segundo é você fazer com que haja menos sonegação fiscal, menos informalidade, aí você vai ter que aplicar tecnologia, modernizar o trabalho com os fiscais de tributos, para poder garantir que haja menos informalidade, mas sem aumento da carga tributária.

Pedro – Você citou antes a postergação do ISS. Alguma outra proposta de isenção de impostos para empresas para estimular o desenvolvimento econômico?

Jean – Não. Quero fazer com que as empresas que tenham incentivos econômicos por parte do município peguem uma parte desse incentivo e apliquem no Fundo Municipal de Cultura ou de Esporte, ou financiem ou sejam coparticipantes de alguma atividade desportiva de base ou atividade cultural.

Pedro – Você fala bastante durante a campanha de levar a cultura para os bairros.

Jean – É isso aí. Você tem que aumentar o recurso para a cultura. Parte do lucro da Oktoberfest vou destinar ao Fundo Municipal de Cultura. Vou permitir com que as empresas que tenham incentivo retribuam uma parte disso não apenas com geração de emprego, mas também financiando atividades culturais, que indiretamente é uma geração de emprego no meio cultural. Com isso vou criar possibilidade de que o artista viva de sua cultura. O artista vivendo da sua cultura, tem que levá-la para onde o povo está. Então, vai levar para os bairros.

Isso vai permitir com que haja mais cultura nos bairros, mais eventos. Você faz isso nas praças, nas escolas. Mas essa é uma definição do Conselho Municipal de Cultura, que quero discutir com os artistas, porque cada um tem uma forma de se apresentar e mostrar sua arte. Não posso impor algo que é contra a forma dele se apresentar, tenho que construir isso junto com os artistas. O que a gente tem que fazer é incentivar.

Pancho – Você tem nomes definidos para um possível primeiro escalão?

Jean – Tenho pessoas pensadas na minha cabeça, mas ninguém foi convidado, acordado, porque antes quero ser prefeito.

Pancho – Muito se fala da necessidade de ter um perfil mais técnico no primeiro escalão, você acredita nisso também ou acha que o perfil tem que ser político?

Jean – Acredito que o perfil tem que ser técnico, mas uma pessoa que tenha visão política.

Clóvis – Todos os apoios serão bem-vindos no segundo turno?

Jean – Não parei para pensar ainda nessa questão, mas quero dizer que todos que queiram o bem da cidade e todos que queiram construir um novo caminho para Blumenau serão bem-vindos.

Jean Laurindo – Você falou que na campanha de 2012 parte do foco foi para as ações do governo João Paulo na recuperação da catástrofe. Esse debate de prevenção de enchente não está muito morno nessa campanha?

Jean Kuhlmann – Queria falar mais sobre isso, mas não tenho tempo de TV e rádio (risos). Até porque ajudei muito na questão da recuperação das barragens, trabalhei junto com o secretário Milton (Hobbus, da Defesa Civil de SC) a questão do radar, fui presidente da Comissão de Defesa Civil da Assembleia Legislativa.

Participei muito ativamente desse processo e gostaria muito de debater mais isso. Tem Dique da Vila Nova, obras de infraestrutura que precisam ser trabalhadas, você tem que voltar a ter uma participação mais forte da comunidade na prevenção. Tem que envolver mais as pessoas e buscar recursos para infraestrutura.

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