"Você tira do eleitor a coisa mais importante", avalia cientista político sobre candidatura única a prefeito - Política e Economia - Santa

Eleições 201622/09/2016 | 06h17Atualizada em 22/09/2016 | 06h17

"Você tira do eleitor a coisa mais importante", avalia cientista político sobre candidatura única a prefeito

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O mestre em Sociologia Política e professor da Univali Sergio Saturnino Januário destaca o enfraquecimento do processo eleitoral e democrático com a ausência de debate e ideias divergentes nas eleições em municípios com candidatura única à prefeitura.

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Qual o impacto para o processo eleitoral da cidade ter uma candidatura?
O que isso afeta, no primeiro plano, é a legitimação do candidato em si e da própria gestão. Porque nesse caso não há necessidade de aprovação nas urnas, então a legitimação dele ocorre só durante a gestão e não durante a eleição. O primeiro aspecto nisso é que o eleitor basicamente fica sem valor político, porque ele indo ou não votar, o candidato vai ganhar. Ele se pergunta o quanto vale a ação dele e a resposta é nada. Da mesma forma o candidato concorre apenas com brancos e nulos, e não contra outro plano de governo. A eleição surgiu para promover disputas de ideias, o que não existe com só um candidato.

A democracia sai enfraquecida?
Para a democracia como elemento político, do exercício político, isso desqualifica o eleitor. Já pensou se o presidente da República fosse definido dessa maneira? O governador? Se não pudesse de fato decidir, como o eleitor se sentiria? Seria irrelevante votar. No processo do coronelismo, isso acontecia com frequência em alguns redutos, mas com a modernização da cultura política isso muda. De fato é muito ruim que não tenha disputa. É o extremo da depreciação política. O eleito não se legitima, porque ele ganha a eleição, mas perde politicamente. E o eleitor é deixado de lado ao relento, em uma noite fria e sem proteção.

Até que ponto pensar em um projeto comum ¿pelo bem da cidade¿ é apenas uma questão de acerto político?
Eu não entraria no mérito se é verdade ou não esse pensamento pela cidade, mas esse acerto quem deve fazer é o eleitor. Eu não posso transferir ao candidato a definição da eleição, porque aí você está roubando do eleitor a coisa mais importante, que é o voto. E como nossas primárias são fechadas, dentro dos partidos, o eleitor já entra sempre no segundo tempo. Nesse caso de um candidato só, o jogo já acabou na primeira etapa.

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