Blumenau tem três meses consecutivos de queda na inadimplência - Política e Economia - Santa

Economia10/10/2016 | 07h06

Blumenau tem três meses consecutivos de queda na inadimplência

Fatores como adiantamento de 13º e redução de gastos pessoais foram decisivos

Desde que um problema de saúde forçou Kássia Maria Pontes Bento, 44 anos, a deixar o emprego, em abril deste ano, uma dívida de pouco mais de R$ 300 no comércio de Blumenau precisou ficar para trás. De lá para cá, Kássia se recuperou, passou a trabalhar em casa como costureira e, no início de setembro, colocou em dia a conta que não coube no orçamento dos meses mais apertados. Após quitar o débito, ela consultou sua situação no atendimento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Blumenau. Do espaço que atende em média 50 pessoas por dia ela saiu com um comprovante do fim da restrição e um semblante mais leve para os próximos meses.

Situações como essa ilustram os números que mostram que há mais pessoas regularizando suas situações do que entrando nos órgãos de restrição em Blumenau. Um levantamento mensal feito pela Furb com dados repassados pela CDL mostrou que a variação da inadimplência caiu 0,79% – foram 4.448 novos registros e 5.123 cancelamentos –  em setembro, o terceiro mês consecutivo e o quinto do ano com diminuição de inadimplentes. O percentual considera a diferença entre o número de registros entre um mês e outro.

Muitos dos cancelamentos são frutos de renegociações. Na Sulamericana Modas, uma das lojas com maiores números de cancelamentos de inadimplentes em agosto, os últimos três meses foram de trabalho intenso na cobrança, com opções como desconto, isenção de juros e, para dívidas maiores, parcelamento em cartões.

— Nesse momento que a gente está vivendo é preciso dar opção e facilitar o acerto para os clientes. Muita gente vem optando por opções como o parcelamento no cartão — conta Luan Roberto Stumpf, do setor administrativo.

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O economista Bruno Thiago Tomio, responsável pela pesquisa, pondera que, apesar de ainda ser um motivo para comemorar, a diminuição da inadimplência vem perdendo fôlego – passou de 2,87% para 2,01% e agora 0,79% entre julho e setembro. Com as compras de Dia das Crianças, a expectativa é de que em novembro o número de novos devedores possa voltar a superar o de cancelamentos de débitos.

Para dezembro, no entanto, a previsão volta a ser de otimismo e de forte movimentação econômica. O motivo é aumento no consumo por causa do verão e do Natal e também de mais negociações por causa dos valores de 13º salário e férias.

Empregos temporários e 13º facilitaram acertos

Para o presidente da CDL Blumenau, Hélio Roncaglio, a redução da inadimplência é uma tendência movida por fatores como a oferta de empregos temporários e a antecipação da primeira parcela do 13º em algumas empresas e órgãos públicos. Isso inclusive traria uma perspectiva de vendas menores no período do Natal, abaixo da expectativa inicial que era de alta de 4%. No início de dezembro a entidade promove a terceira edição do Feirão Limpe Seu Nome, que em 2015 recuperou R$ 980 mil em negociações aos comerciantes.

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No entendimento de Roncaglio, o cenário de crise fez os consumidores gastarem menos, mas diminuiu os custos dos empresários com estoque, o que trouxe mais equilíbrio à relação de consumo. Ele garante que o aumento da inadimplência nos meses mais críticos não fez as lojas restringirem o acesso ao crediário, algo que se confirma com a alta dos valores envolvidos, tanto nos novos registros quanto nos cancelamentos de inadimplência:

— Não é preciso negar crédito, mas ver a melhor maneira de concedê-lo. Antigamente o crédito era ilimitado, muito fácil. Hoje é preciso saber quem é a pessoa, em quantas lojas está devendo.

Seis razões para a queda da inadimplência

> Demissões

Os desligamentos feitos por empresas fizeram com que muitas pessoas utilizassem parte da verba das rescisões para liquidar dívidas antigas. O ponto negativo é que pode causar novos registros de inadimplência.

> Redução de gastos domésticos

A crise fez muitas famílias apertarem os cintos e, com a diminuição de alguns gastos fixos, foi possível sobrar alguma parte do orçamento mensal e aproveitá-la para quitar dívidas antigas.

> Preparação para o fim do ano

Por envolver também dados de início de segundo semestre, muitas famílias reorganizam as contas e o comportamento de consumo para tentar passar um fim de ano sem dívidas.

> Adiantamento do 13º

Algumas empresas e parte do setor público anteciparam a primeira parcela do 13º salário nos meses de julho e agosto. De posse desse dinheiro, muitos devedores aproveitaram para se livrar das dívidas. O alerta é que a situação pode representar menos movimentação financeira nas vendas de final de ano.

> Empregos temporários

As vagas para trabalhar de forma temporária em eventos como Oktoberfest e Magia de Natal são vistas como fontes extras de renda e que ajudam muitos consumidores a regularizarem suas situações ao longo do segundo semestre.

> Bancos negociando mais cedo

Outra explicação que para economistas tem contribuído para o aumento de cancelamentos no registro de restrição ao crédito pode estar no fato de que muitos bancos estão negociando mais cedo com os clientes, trocando dívidas com juros mais altos por mais baixos, o que favorece a regularização.

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