Partidos miram prefeituras de olho nas eleições de 2018 - Política e Economia - Santa

Eleições 201601/10/2016 | 07h08Atualizada em 01/10/2016 | 07h08

Partidos miram prefeituras de olho nas eleições de 2018

Resultados das urnas neste domingo marcam o início das negociações para a disputa pelo governo do Estado

upiara boschi
upiara boschi

Os eleitores podem até não desconfiar, mas quando forem às urnas neste domingo para digitar 11, 13, 15, 45, 55 ou qualquer um dos outros números que representam os 739 candidatos que disputam 295 prefeituras de Santa Catarina, estarão também dando início à disputa estadual marcada para 2018. 

Upiara Boschi: A eleição que não pegou

São as vitórias municipais que vão consolidar pré-candidaturas e possíveis alianças na corrida pelo governo do Estado. Essa lógica vale principalmente para os cinco maiores partidos do Estado – PMDB, PP, PSD, PSDB e PT. Somados, eles respondem por mais de 80% das candidaturas a prefeito em SC e contam com esse exército para consolidar suas posições ao alçar voos mais altos. Como ingrediente a mais, o fim do ciclo político representado pelos quatro mandatos consecutivos do falecido ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e do atual governador Raimundo Colombo (PSD). 

É justamente na aliança entre peemedebistas e pessedistas, que governa o Estado desde a época de Luiz Henrique, que é operada mais fortemente essa disputa paralela de olho em 2018. Arquiteto da aliança, LHS seria o nome natural para concorrer em 2018. Sem ele, PSD e PMDB brigam pelo posto – ou apostam na separação, especialmente no caso dos pessedistas. 

No PSD, despontam o deputado estadual Gelson Merisio, os deputados federais João Rodrigues e João Paulo Kleinübing e o secretário estadual Antonio Gavazzoni. Pelo PMDB, estão colocados o vice-governador Eduardo Pinho Moreira, o deputado federal Mauro Mariani e o senador Dário Berger. Conduzida por Merisio, a estratégia pessedista liderou uma ofensiva para aumentar o número de candidaturas a prefeito, fazendo a sigla ultrapassar o PP e se tornar a segunda em número de candidatos. Atrás justamente do PMDB. Em algumas cidades, mesmo sem candidatura própria, os pessedistas procuraram justamente os adversários do principal aliado estadual – o caso emblemático é o apoio a Angela Amin (PP) em Florianópolis contra o peemedebista Gean Loureiro.

– Nós vamos eleger o prefeito em quatro das 10 maiores cidades e aumentar em 50% nossa posição nos menores municípios. Números que dão volume a uma candidatura própria. Nós não buscamos o confronto com o PMDB, apenas deixamos claro que não vamos continuar juntos — diz Merisio.

Maior partido do Estado em número de eleitos e filiados, o PMDB trabalha para contrabalançar a ofensiva do aliado. Consolidado nos pequenos municípios, o partido fez uma esforço extra para melhorar a posição em cidades médias e grandes, onde tem detectado esvaziamento de lideranças e redução em votações. A prioridade é manter Joinville e reconquistar Florianópolis.

– Estamos muito confiantes de que podemos aumentar o número de prefeituras. Nosso objetivo era manter o número que temos, até pelo avanço do PSD, que na eleição passada praticamente não existia. O que percebemos é que eles cresceram para cima do PP – afirma o vice-governador Eduardo Pinho Moreira.

De olho nessa disputa de aliados, o PSDB também montou uma estratégia para aumentar a musculatura de olho em 2018. O partido recrutou ex-prefeitos para voltarem a encarar as urnas e estabeleceu uma política de alianças ampla. Com isso, terá candidatura própria em 14 dos 20 maiores municípios do Estado. Se tiverem sucesso nas urnas, os tucanos saem como candidatos, aliado principal ou até mesmo com chances de viabilizar a candidatura própria – os senadores Paulo Bauer e Dalírio Beber e o deputado estadual Marcos Vieira são os nomes colocados para majoritária. 

– Nós fomos pragmáticos. São 295 municípios, 295 eleições diferentes. Não fizemos composição ideológica, fizemos projetos para cada cidade. Para 2018, só não vamos sentar para conversar com quem já tem candidato (a governador) sentado na cadeira – afirma Marcos Vieira, também presidente estadual do PSDB.

O impacto das vitórias de candidatos de 2016 na eleição de 2018:

FLORIANÓPOLIS

Angela Albino (PCdoB)
A deputada federal seria a grande beneficiária de sua própria vitória. Além de retomar o posto de principal liderança de esquerda da Capital, ganharia dimensão estadual no campo – que sofreu esvaziamento de lideranças. O objetivo pode ser atingido parcialmente se alcançar o segundo turno e, em menor parte e apenas localmente, se ficar à frente de Elson Pereira (PSOL).

Angela Amin (PP)
A vitória de Angela seria peça fundamental de uma aliança construída de olho em 2018. O apoio do PSD à pepista foi costurado por Gelson Merisio, pré-candidato ao governo em 2018, que vê no fortalecimento do casal Amin uma forma de impedir a repetição da aliança do partido com o PMDB. Amin também sai fortalecido para a disputa majoritária. Embora tenha endossado a aliança, Raimundo Colombo é reticente em relação a esse cenário.

Elson Pereira (PSOL)
Se vencer, Elson Pereira coloca o PSOL no mapa político de Santa Catarina e ocupa o espaço de principal liderança da esquerda na Capital e no Estado, diante do esvaziamento do comando petista. Com a campanha descolada do petismo, é uma opção aos grupos de esquerda descontentes com o partido.

Gean Loureiro (PMDB)
Gean é o instrumento do PMDB para recuperar a prefeitura de Florianópolis e fortalecer o projeto da candidatura do partido ao governo em 2018. Sua vitória enfraquece Gelson Merisio e o grupo pessedista que quer romper a aliança hoje no governo do Estado. Na disputa interna do PMDB, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira leva vantagem sobre o senador Dário Berger, distante da campanha.

Murilo Flores (PSB)
Novato em eleições, Murilo Flores é uma aposta do PSB para marcar a consolidação do partido sob a liderança do ex-deputado federal Paulo Bornhausen. Embora não tenha participado da campanha, Colombo também teria um nome próximo e de confiança na prefeitura.

JOINVILLE

Carlito Merss (PT)
A vitória de Carlito seria um mudança na rotina de maus resultados que cerca o PT catarinense desde 2012 – ano em que o petista, então prefeito de Joinville, ficou em terceiro lugar ao tentar a reeleição. De volta à prefeitura, seria automaticamente a principal liderança do partido no Estado.

Darci de Matos (PSD)
Darci consolidaria sua liderança, desatrelando-se do ex-aliado Marco Tebaldi. Seria uma vitória de Gelson Merisio, que articulou para impedir composição com o PMDB de Udo Döhler e aposta na vitória pessedista para fortalecer a pretensão de candidatura própria ao governo. Colombo ganha porque parte da campanha de Darci focou nas obras do governo na cidade.

Doutor Xuxo (PP) 
Uma vitória pessoal do médico José Aluizio Vieira, o Doutor Xuxo, que aposta num discurso contra a classe política e admite que se pudesse concorreria sem filiação partidária. No jogo político estadual, seriam beneficiados os que querem ver o PMDB fora da prefeitura da maior cidade do Estado.

Marco Tebaldi (PSDB) 
Quarto colocado na última eleição, o deputado federal recuperaria a força política no maior colégio eleitoral do Estado, que vê ainda vago o espaço deixado pela morte de Luiz Henrique da Silveira (PMDB). No plano estadual, é aliado de Paulo Bauer no projeto da candidatura própria em 2018. 

Rodrigo Bornholdt (PDT)
De volta à política, o ex-vice-prefeito busca um espaço de centro-esquerda, desatrelado do PT. Sua vitória daria ao PDT uma vitrine para a construção do partido. Rodrigo seria um novo rosto no cenário político estadual.

Udo Döhler (PMDB)
Por mais redundante que seja, a reeleição de Udo Döhler fortaleceria o próprio prefeito como liderança peemedebista e de peso estadual. Isso porque seria uma vitória baseada no próprio estilo e na gestão que realizou – na eleição anterior, havia a vantagem do apoio do falecido Luiz Henrique. O PMDB conta com a vitória em Joinville para consolidar a candidatura própria ao governo.

BLUMENAU

Arnaldo Zimmermann (PCdoB)
O radialista surgiu como um liderança de centro-esquerda, consolidando uma posição moderada do PCdoB. Representa a ala favorável a alianças com partidos fora do campo de esquerda e o desatrelamento do PT. 

Ivan Naatz (PDT)
Seria uma vitória pessoal de Ivan Naatz, eterno postulante à prefeitura de Blumenau. Também daria uma vitrine para a consolidação do PDT no Estado, fazendo dele sua principal liderança. 

Jean Kuhlmann (PSD)
Vitorioso, Jean devolveria para o PSD o comando da cidade. Ex-prefeito e aliado do pessedista, o deputado federal licenciado João Paulo Kleinübing sairia fortalecido em sua pretensão de ocupar um espaço na chapa majoritária em 2018. Gelson Merisio também colheria frutos.

Napoleão Bernardes (PSDB)
Reeleito no terceiro maior colégio eleitoral do Estado,Napoleão passaria a ser uma opção no PSDB para concorrer ao governo, emparelhando com o senador Paulo Bauer. Ao mesmo, também seria uma ponte para alianças com PMDB ou PP, que apoiam sua candidatura. 

Valmor Schiochet (PT)
A vitória de Valmor seria o início da construção da renovação do PT. O professor chegou a apresentar o nome em prévia para enfrentar a deputada estadual Ana Paula Lima (PT) e acabou candidato com sua desistência. 


 
 

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