Pedro Machado: o mito do candidato empresário - Política e Economia - Santa

Eleições 201601/10/2016 | 10h01

Pedro Machado: o mito do candidato empresário

Às vésperas das convenções partidárias, um influente líder empresarial, com passagens pela presidência de entidades de classe, confidenciou-me com sincera angústia que Blumenau havia perdido a oportunidade de ter um empresário de peso na disputa para o cargo de prefeito. Não haveria, diante do devastado cenário político atual, momento mais propício para alçar à cadeira do Executivo alguém com “legítima” experiência em gestão, capaz de administrar receitas e despesas pragmaticamente sem se deixar afetar e envolver por conluios de ordem politiqueira. Seria, enfim, uma possível solução para destravar a emperrada máquina pública. A linha de raciocínio não é exclusiva. Vários empresários pensam assim.

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Nenhum dos cinco nomes que estão à disposição do eleitor blumenauense neste domingo é um notório homem de negócios, tampouco tem o perfil considerado ideal na visão do empresariado, que naturalmente vê com melhores olhos candidatos que vivam no dia a dia os problemas e desafios da classe – qualquer segmento social, aliás, pensaria assim. Neste caso específico, criou-se no Brasil uma ao meu ver contestável tese de que alguém de sucesso na iniciativa privada é a melhor solução para os problemas da vida pública.

Embora os fundamentos sejam parecidos, há diferenças cruciais entre gestão pública e privada. Na prática, eleger um empresário para prefeito, ou para qualquer cargo público, nem sempre representa garantia de êxito administrativo. Experiência de mercado é válida, mas não é só isso que conta. Qualquer pessoa de bom senso sabe que gargalos estruturais históricos não são resolvidos no período de um mandato. No universo popular, no entanto, essa máxima nem sempre é compreendida.

Há dezenas de exemplos espalhados por aí de empresários com trabalhos brilhantes na gestão pública. Há, também, tantos outros que fracassaram. As amarras judiciais, a excessiva burocracia e os conflitos de interesses costumam espantar da vida pública empresários que estejam de fato comprometidos a melhorar o cenário político.

Normalmente esses profissionais encontram um ambiente de trabalho completamente diferente dos quais estão acostumados. Exemplo: nem todos os funcionários foram contratados por ele e, por isso, não compartilham da mesma visão de mundo. Há menos sinergia de valores e pensamentos entre quem comanda e executa. Sem falar nas atrasadas práticas operacionais.

Isso não quer dizer que empresários não devam participar da atividade política. Pelo contrário. Executivos têm muito a ensinar em relação à produtividade e eficiência administrativa. O que não dá para esperar é que um empresário, por mais competente que seja, resolva todos os problemas num passe de mágica.

Blumenau não terá, neste ano, um forte homem de negócios como candidato a prefeito. Talvez isso não tenha importância alguma. Mais relevante que o sucesso na iniciativa privada é a disposição para o diálogo com diferentes segmentos da sociedade e o compromisso com a honestidade nas ações. Nesta semana o Santa publicou entrevistas de quatro páginas com cada um dos cinco postulantes ao cargo - Arnaldo Zimmermann (PCdoB), Ivan Naatz (PDT), Jean Kuhlmann (PSD), Napoleão Bernardes (PSDB) e Valmor Schiochet (PT). Avalie, compare, informe-se. Independentemente da origem dos nomes, está nas mãos do eleitor carimbar o futuro da cidade.

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