Eduardo Pinho Moreira: "Ainda acho que Colombo vai trazer o PSD para coligar com o PMDB em 2018" - Política e Economia - Santa

Versão mobile

Entrevista21/12/2016 | 15h58Atualizada em 21/12/2016 | 18h07

Eduardo Pinho Moreira: "Ainda acho que Colombo vai trazer o PSD para coligar com o PMDB em 2018"

Eduardo Pinho Moreira: "Ainda acho que Colombo vai trazer o PSD para coligar com o PMDB em 2018" Simone Sartori / PMDB-SC, Divulgação/PMDB-SC, Divulgação
Foto: Simone Sartori / PMDB-SC, Divulgação / PMDB-SC, Divulgação
upiara boschi
upiara boschi

Principal nome do PMDB no governo estadual, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira não esconde o desconforto com o convite feito pelo governador Raimundo Colombo para o PP - tradicional adversário dos peemedebistas - participar do secretariado. Em entrevista ao Diário Catarinense, Pinho Moreira garante acreditar que o parceiro de chapa vai retribuir o apoio recebido nas candidaturas ao Senado em 2006 e a governador em 2010 e 2014, levando o PSD a apoiar um nome peemedebista em 2018. Na conversa, não faltam farpas a Gelson Merisio (PSD), pré-candidato do PSD ao governo e defensor de que o ciclo da aliança entre os dois partidos se encerrou.
—  Isso não é ciclo da aliança. É ciclo do Merisio — ironiza.

Leia a íntegra.

Como o senhor avalia o convite do governador Raimundo Colombo para que PP e PSDB assumam postos no secretariado?
(risos) Eu não sei. Naturalmente que o PMDB não participou disso, senão não seria essa a definição. É uma decisão do governador. Não tem nossa participação.

Merisio: "será bom ao PSD e ao PMDB que se busque ares novos em 2018"

Algum constrangimento de dividir o governo com o PP, especialmente?
(risos) É natural que não é natural. Não é natural, não. Nada contra nomes do PP, os deputados Valmir Comin e José Milton (Scheffer), como se tem ventilado por aí na imprensa. Nada contra eles, mas não sei, não.

Vai ter que ser assimilado?
Não sei se vai ser assimilado, não. Fica a dúvida. Vamos ficar quietos, mas interrogações vão continuar.

Como o PMDB vai definir seu pré-candidato ao governo? A ideia ainda é de que o nome vai surgir naturalmente?
Alguns dizem que até metade do ano o nome precisa afunilar, porque quem tem três ou quatro nomes não tem nenhum. Eu acho que o PMDB tem que continuar fazendo o que tradicionalmente faz. Percorrer o Estado, nos distanciarmos deste PMDB nacional que não nos orgulha. Eu tava me lembrando que em 2010 esse mesmo time que está lá me expulsou do PMDB. O relator era o Moreira Franco, votaram pela minha expulsão Michel Temer, Romero Jucá, Eunício Oliveira. Fui bem expulso (risos). Eles me deram até um bom atestado, esse time, tentando me expulsar do PMDB.

O senhor teme que o desgaste do PMDB nacional afete o partido aqui no Estado?
É natural, mas nós tentamos ser diferentes. Por essa posição que acabei de relatar e, notadamente, pela candidatura do Luiz Henrique a presidente do Senado exatamente contra esse mesmo grupo. Nós temos uma postura diferente, mas é claro que isso acaba contaminando os políticos como um todo. E nós também. É uma pena isso.

Para a composição que o PMDB quer liderar em 2018, é mais importante atrair o apoio do PSD ou do PSDB?
Olha, nós temos sido insistentemente provocados pelo presidente do PSD (Gelson Merisio). A gente tem ficado quieto. Foi meio que um pacto entre nós. Não sei até quando nós vamos aguentar essas coisas dele, sabe? De forma provocativa, insistindo. Eles estão se aproximando do PP com vistas a 2018. Só espero que o Raimundo (Colombo) não faça parte disso.

E se fizer?
Se fizer, o PMDB irreversivelmente terá candidatura. Nós vamos tentar nos aproximar do PSDB como fizemos em cidades estratégicas de Santa Catarina. O PMDB não deve ter candidato a presidência da República e se o Geraldo Alckmin (PSDB) for candidato, eu vou apoiá-lo. Digo isso há anos. Há uma aproximação. Se o PSD for com o PP, nós vamos buscar o PSDB. Mas ainda acho que o acho que o Raimundo vai trazer o PSD para a tríplice aliança.

Com o PMDB na cabeça?
É o processo normal. Nós somos muito maiores. Já cedemos duas vezes e o resultado das urnas este ano mostrou que nós somos maiores. Ninguém do PSD hoje mostrou ser maior do que os nomes que temos. O Raimundo em 2010 era senador, tinha o recall, era um nome que circulava bem, estava bem colocado nas pesquisas.

E os nomes do PMDB são maiores? Se fala muito que 2018 será um duelo de nomes mais ou menos do mesmo tamanho neste momento da política.
Mas o PMDB é muito maior. Esse é o handicap que nós temos. Nós apoiamos o Raimundo por três vezes (Senado em 2006, governo em 2010 e 2014). Eu ainda acho, do fundo do coração, que o Raimundo vai trazer o PSD para coligar conosco. Ele não vai querer entregar o governo para o PMDB e fazer campanha contra o PMDB (se renunciar ao cargo em abril de 2018 para concorrer ao Senado e Pinho Moreira assumir). É um negócio meio complicado, é surreal isso.

Gelson Merisio tem dito que o ciclo da aliança entre PMDB e PSD se esgotou. O senhor acha que essa aliança ainda tem lenha para queimar?
Na verdade, isso não é ciclo da aliança. É ciclo do Merisio. Ele que acha isso. Também acho que a pretensão dele é natural, mas ele vai ter muita dificuldade. Ele não representa um aglutinador. Não está na frente nas pesquisas e nem vai estar, por isso vai aglutinar pouco. De qualquer maneira, caldo de galinha não faz mal a ninguém. Se ele se lançar candidato, nós vamos enfrentá-lo. E vamos derrotá-lo, não tenho dúvida nenhuma.

O senhor assume o governo do Estado em algum momento de 2018. Isso já foi conversado com o governador Raimundo Colombo?
Não, não foi. A decisão de renúncia é do governador. Se ele quiser sair, eu sou o seguinte no cargo. Assumir é decisão minha, renunciar é decisão dele. Eu só acho estranho ele entregar o governo para o partido que o ajudou por sete anos e ele fazer oposição a esse partido.

Assumindo o governo, o senhor se torna candidato natural a governador?
Eu sou um dos nomes, independente de ser governador ou não. Por tudo que está escrito, pela história. Mas é claro que este é um fato. O PMDB, nós queremos ter candidato e estarmos unidos. Somos fortes se estivermos unidos. Se o Mauro Mariani, eu, Dário Berger, nossas bancadas federal e estadual, mais os prefeitos, notadamente Joinville (Udo Döhler) e Florianópolis (Gean Loureiro), se nós tivermos unidos, nosso candidato, seja qual for, será extremamente viável. O próprio Merisio diz em entrevistas que este ciclo, que ele diz que se encerra, é um ciclo virtuoso que permitiu a Santa Catarina enfrentar essa crise de forma absolutamente vitoriosa. Houve preparo para isso e esse é um fato que não pode ser apagado da história.

Como influenciam essas disputas internas na aliança?
Espero que todos tenham juízo. Não o PMDB, os outros partidos que estão conosco, na busca de continuar este projeto que me motivou a renunciar à minha candidatura em 2010. Eu tinha disputado com Dário Berger (na época prefeito de Florianópolis) e ganhado dele a prévia do PMDB. O que me motivou foi a continuidade do projeto exitoso do Luiz Henrique de oito anos. Agora teremos um projeto exitoso que vai fazer 16 anos. A interrupção não pode ser por um projeto pessoal do Merisio ou de quem quer que seja.

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaFelipe Neto apresenta espetáculo Megafest em Florianópolis https://t.co/HgZ3KuDXfl #LeiaNoSantahá 9 minutosRetweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaBlumenau sedia Encontro Sul-Americano de Motociclistas https://t.co/AgqjfWIUkR #LeiaNoSantahá 44 minutosRetweet
Jornal de Santa Catarina
Busca