Prefeito de Itajaí diz se arrepender de composições partidárias - Política e Economia - Santa

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Política30/12/2016 | 08h57Atualizada em 30/12/2016 | 09h42

Prefeito de Itajaí diz se arrepender de composições partidárias

Em entrevista, Jandir Bellini afirma que precisou administrar "governos paralelos"

Prestes a entregar o quarto mandato como prefeito de Itajaí, Jandir Bellini (PP) não parece abalado em deixar o posto que ocupou por 16 anos nas últimas duas décadas. Tranquilo, não hesita em tratar de assuntos espinhosos como a composição de governo e as operações do Gaeco que o levaram a afastar cargos do primeiro escalão em 2015. Pronto para a despedida, o político conhecido pelo carisma — e pela pouca habilidade em formar sucessores — diz estar pronto para a aposentadoria.


Foto: Lucas Correia / Especial


Que balanço o senhor faz dos quatro mandatos?
Eu faço um balanço positivo. São quatro eleições, a cada uma delas uma margem de aceitação mais elevada do que a anterior. É lógico que isso não se faz isoladamente. Temos que ter boa equipe, pessoas comprometidas com o bem comum. Embora o último mandato tenha sido o mais difícil de todos. Pelos fatos que aconteceram, pela composição política.

Pela composição?
Muitas agremiações, fica difícil administrar um governo que depende de muitos partidos políticos.

Se arrepende de ter feito essa composição?
Me arrependo. As pesquisas nos indicavam todas as chances de vitória, com 60%. Pensei nessa composição para poder trazer para o governo mais equipe, mais lideranças, no sentido de fazer ainda mais para a sociedade. Mas não foi o que aconteceu. Muitos partidos buscavam interesse pessoal e partidário. Eu não consegui, nos quatro anos, formar um governo só. Sempre tinha os governos paralelos.

Como?
Os partidos, buscando aquelas secretarias que pertenciam àquela sigla, trabalhavam pela promoção dos possíveis candidatos daqueles partidos. Além do fato acontecido no ano passado, as operações Parada Obrigatória e Dupla Face, que quer queira ou não trouxeram muitas dificuldades ao governo.  

Foi mais difícil administrar a crise de arrecadação ou as operações?
Operações, sem dúvida alguma. Isso trouxe uma certa desconfiança da opinião pública em relação ao governo como um todo. Foi muito difícil para a gente que estava à frente voltar a adquirir a credibilidade da sociedade.

Acha que a credibilidade foi recuperada?
Acredito que sim, depois de buscar dar todo o apoio ao Ministério Público, para que apurasse de fato a verdade dos fatos, e porque o governo em si não estava e não está envolvido nessas possíveis irregularidades. E teve outra dificuldade, essa sim mais na área administrativa, com relação à situação econômica que o país passa, junto com a dificuldade do porto, que é a mola mestra da nossa economia. Muita indecisão do governo federal após o processo de impeachment. Em uma viagem a Brasília era um ministro, depois era outro, depois não tinha mais ninguém. Esse governo ainda não se estabilizou, e nosso porto continua operando desde 2008 com dois berços apenas. Além da indecisão do governo com relação à renovação do contrato com a APM Terminals (arrendatária do porto). Essa dificuldade na prorrogação, na renovação do contrato, trouxe à APM dúvida quanto aos investimentos necessários para tornar o porto competitivo novamente.

Essa crise no porto poderia ter sido amenizada?
Principalmente com a renovação da concessão. Não dependia, e não depende de recurso da União. Só de decisão do governo federal.  A nova lei dos portos também tirou a autonomia do município nas ações relacionadas ao porto. Passou tudo para Brasília. Nem sequer na Vila da Regata temos mais autonomia. Tem que pagar para usar, isso nos deixa indignados. O aluguel é de R$ 10 mil por dia. Só na Marejada foram R$ 60 mil.

A Volvo Ocean Race foi o maior legado que o senhor deixou?
Acho que é uma das coisas boas que aconteceram para Itajaí. Principalmente na área do turismo, porque não há dúvida de que a primeira edição despertou os investidores para o potencial que Itajaí tem. Basta ver quantos hotéis em construção, outros reativados, ampliados. Falando em legado, acho que não tenho uma obra, mas várias de infraestrutura, pavimentação de ruas, praças, abertura de novas avenidas, pontes. E o sentimento que tem cada itajaiense, o orgulho da cidade.

O que faltou fazer?
A implantação da perimetral oeste. Estava tudo pronto, com projeto executivo, para o Deinfra licitar. No primeiro momento o Governo do Estado iria repassar recurso referente à Resolução 13 do Senado, que compensou SC com R$ 3 bilhões, principalmente para as cidades portuárias (a resolução trata da compensação de ICMS). Na composição estava a bacia de evolução, que não é só de Itajaí e Navegantes, mas do Estado e da União. E R$ 85 milhões para implantação da perimetral oeste. Porém, tinha uma normativa, e esse recurso não poderia ser repassado para a cidade. Então foi acordado que o Governo do Estado executaria a obra. Passaram meses, anos, e até hoje o projeto está na mesa do secretário Murilo Flores. A via portuária é do DNIT, sequer podemos mexer. Após a reeleição do governo Dilma, em janeiro, fevereiro de 2015, o projeto estava em cima da mesa, aguardando assinatura, com recurso de R$ 220 milhões. E até hoje deve estar lá.  Essas duas obras tirariam das ruas de Itajaí 90% do tráfego pesado. Isso me deixa triste.

Como foi a transição com Volnei Morastoni?
Como a outra, foi muito tranquila. As coisas só aconteceram depois. Nós trocamos ideias, nosso governo escancarou as gavetas. 

E a relação entre vocês?
Não guardo nenhuma mágoa. Não consigo não gostar de uma pessoa.

Pensa em aposentadoria?
Penso. Embora as pessoas tenham me criticado por eu dizer que não vou mais participar do processo político, o meu desejo pessoal é descansar e cuidar da minha família.

 



 
 

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