Viviane Bevilacqua: "Casa na praia é assim" - Política e Economia - Santa

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Opinião31/12/2016 | 07h04

Viviane Bevilacqua: "Casa na praia é assim"

Brabo mesmo é quando todo mundo vai para a praia e só volta quando a comida está pronta e servida

Por Viviana Bevilacqua *

Ter uma casa pertinho do mar é o sonho de muita gente. Você fecha os olhos e se imagina lá, passeando na areia, sentindo a brisa no rosto, ouvindo o barulhinho bom das ondas batendo nas pedras... Que maravilha. Tudo isso é verdade. Até que chega o verão e junto com ele os parentes, os parentes dos parentes, os amigos, os que se dizem amigos e até gente que você nunca viu na vida, trazida pelos parentes, mas que também quer aproveitar as delícias à beira-mar, só que na sua casa. Aí, o descanso dos proprietários deste feliz e abençoado lar vai para o beleléu.

O veraneio acaba sendo tão cansativo que a única coisa que você pede é que o inverno não demore muito para voltar. Já começa até a sentir saudade daquela chuvinha fina que cai dias sem parar, da neblina que não deixa enxergar um palmo à frente, do vento frio que congela os ossos. Pelo menos no inverno a casa volta a ser só sua e da família, sem ninguém acampando na sala, comendo e bebendo em cima do seu sofá novinho, amontoando-se em colchões pelos quartos e corredores, banheiro ocupado o tempo todo, roupas e mochilas espalhadas pela casa inteira... E isso nem é o pior. Brabo mesmo é quando todo mundo vai para a praia, “aproveitar o verão” e só volta quando a comida está pronta e servida. Quem teve todo o trabalho? A dona da casa, claro. E o dono, que geralmente é quem acaba pagando para ter em sua casa visitas nem sempre desejadas.

Estou pintando um quadro muito feio e cruel, eu sei. Muita gente – talvez até a maioria – adora casa cheia no verão, e são os donos mesmo que convidam parentes e amigos para lhes fazer companhia. Quando os hóspedes são visitas desejadas e com quem se tem intimidade, é uma maravilha, e está tudo certo. Especialmente quando todos ajudam nas despesas e dividem o trabalho doméstico na casa, não sobrecarregando ninguém. Minha bronca é com as visitas que se convidam para usufruir da casa alheia, que aparecem do nada e geralmente não ficam apenas um dia ou dois, na maior cara de pau. E que ninguém, até por questão de educação, tem coragem de mandar embora. Aí, dá vontade de vender a casa na praia e comprar outra na Sibéria. E torcer para que nenhuma visita indesejada apareça por lá para curtir o friozinho.

Que no Ano-Novo estejamos sempre rodeados de pessoas do bem, com quem tenhamos prazer em conviver e compartilhar. Feliz 2017.


* O professor universitário Clóvis Reis volta a este espaço no dia 28 de janeiro

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