Último domingo de Teori Zavascki foi junto à família em Xangri-lá - Política e Economia - Santa

Do jeito que apreciava20/01/2017 | 22h00Atualizada em 20/01/2017 | 22h00

Último domingo de Teori Zavascki foi junto à família em Xangri-lá

Ministro passou o fim de semana no litoral norte, onde festejou o aniversário da neta com churrasco e caminhou à beira-mar

Último domingo de Teori Zavascki foi junto à família em Xangri-lá Carlos Humberto,STF/Divulgação
Foi entre bate-papos na casa de veraneio e caminhadas à beira-mar que o ministro recarregou as energias para encarar a homologação das delações da Odebrecht Foto: Carlos Humberto,STF / Divulgação

Teori Zavascki teve um último domingo do jeito que mais apreciava: cercado por filhos, netos e amigos, distante das preocupações da relatoria da Operação Lava-Jato. Em Xangri-lá, festejou com churrasco, assado pelo genro, Fernando Zandoná, o aniversário da neta Alice. Foi entre bate-papos na casa de veraneio e caminhadas à beira-mar que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) recarregou as energias para encarar a homologação das delações da Odebrecht.

Vítima de um acidente aéreo aos 68 anos, na quinta-feira, em Paraty (RJ), o magistrado encerrou no domingo anterior, 15 de janeiro, o repouso no litoral gaúcho. Em quase três semanas, curtiu os filhos Alexandre, Liliana e Francisco e mimou os cinco netos, quatro deles crianças. Reencontrou amigos de longa data, como a desembargadora Marga Barth Tessler e o ex-presidente do Grêmio Paulo Odone. Na intimidade, a figura sóbria dos julgamentos contrastava com a de um pai e avô afetuoso e bem-humorado.

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Teori descansou, apesar de vez ou outra levar os pensamentos ao STF. Para agilizar a análise dos depoimentos da empreiteira Odebrecht, seus auxiliares trabalharam no recesso do Judiciário, e ele pretendia antecipar a volta das férias. À distância, havia lido em seu computador parte do calhamaço de arquivos da delação.

De volta a Porto Alegre, onde tinha um apartamento no bairro Bela Vista, o ministro jantou na terça-feira, acompanhado da enteada, com Odone e Fernando Ernesto Corrêa. Os amigos gremistas cobraram Teori por não ter ido à final da Copa do Brasil. No mesmo dia, ele participou do julgamento que manteve Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado. Ao se justificar, recordou um episódio de 2005, quando esteve na estreia Tricolor na Série B, uma derrota para o Gama, no Distrito Federal.

— Sou gremista nas boas e nas ruins — disse o ministro.

Na quarta-feira, de jeans, camisa polo e boné, Teori foi de Uber ao escritório de Francisco e Liliana e da ex-mulher Liana — sua segunda mulher, Maria Helena, morreu em 2013. Com o filho, comentou que 2017 seria um ano delicado, em razão da delação da Odebrecht, sem entrar em detalhes.

— Vai ser mais complicado do que foi 2016 — suspirou.

Foi o último abraço entre Francisco e Teori. Na quinta-feira, o ministro ainda enviou um vídeo ao grupo de WhatsApp da família. Na mensagem, um guru destaca a relevância da vida ao lado de quem se ama.

— O que é mais importante neste momento na sua vida? É que você está vivo! — dizia o místico.

Teori estava em São Paulo para ver Carlos Alberto Filgueiras, proprietário do hotel Emiliano. Os dois se conheceram durante o tratamento do câncer que vitimou Maria Helena. Nasceu uma amizade. O jeito leve do empresário servia de bálsamo para o ministro driblar a pressão.

Dono de um bimotor, Filgueiras convidou o amigo para uns dias de descanso na Costa Verde do Rio de Janeiro. O King Air C-90 decolou do Campo de Marte, em São Paulo, às 13h01min e encontrou o mar a dois quilômetros da cabeceira da pista do aeroporto de Paraty. Passava das 15h de quinta-feira quando o genro, Fernando, casado com Liliana, viu em um site a notícia da queda de um avião. Contatou o restante da família, que telefonou para o gabinete no STF. Iniciou-se uma corrida para confirmar a presença do ministro no voo.

Por volta das 15h45min, o presidente Michel Temer teve uma audiência com o senador José Medeiros (PSD-MT) interrompida por uma ligação. Ao ouvir que Teori estava entre os passageiros do bimotor, exclamou:

— Meu Deus!

Temer acionou a Aeronáutica para checar o mais rápido possível a informação. Às 17h, o gabinete do magistrado recebeu a informação indesejada. Paulo Odone soube pelo rádio. Atônito, tentou ligar para o celular do ministro, em vão. Já os telefones dos filhos não paravam. Consternada, a presidente do STF, Cármen Lúcia, falou com Liliana. Dos Estados Unidos, o ministro Luís Roberto Barroso conversou, aos prantos, com Francisco.

Cunhada de Teori, Maria Lucrécia ficou em choque. Desde a morte do marido, Olyr Zavaschi, em 2011, o ministro tornou-se um lastro para ela e os três filhos. No domingo, dia 15, enviou uma mensagem marcando um reencontro em breve. Teori acreditava que na segunda-feira, 23, estaria em Porto Alegre para festejar o aniversário da filha Liliana. Seria a despedida das férias.

— É essa imagem amorosa que ficará do Teori. Uma pessoa com trabalho exaustivo, mas que jamais deixou de zelar pela família — lamenta Maria Lucrécia.



 
 
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