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Universidade de Columbia06/02/2017 | 16h46Atualizada em 06/02/2017 | 16h46

Em meio a protestos, Sergio Moro fala nos EUA sobre benefícios da Lava-Jato

Palestra do magistrado teve atraso de 12 minutos por conta do ato. Para manifestantes, Moro tem atuado sem a imparcialidade que se exige dos juízes

Em meio a protestos, Sergio Moro fala nos EUA sobre benefícios da Lava-Jato Lucas Correia/Agência RBS
Foto: Lucas Correia / Agência RBS
Agência Brasil
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O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, disse, nesta segunda-feira, em uma palestra nos Estados Unidos, que as investigações que vêm sendo realizadas no Brasil contra a corrupção no meio político e empresarial possibilitarão o fortalecimento das instituições e reforçarão na sociedade a aversão contra o comportamento de pessoas públicas que descumprem a lei. Moro atribuiu os boatos espalhados na internet de que seria um agente da CIA (órgão de inteligência do governo norte-americano) a uma "teoria da conspiração", que busca tirar do centro do debate político os efeitos positivos das investigações.

Moro fez uma análise de toda a trajetória da operação, desde o seu início, em uma conferência na Universidade de Columbia, em Nova York. A palestra de Moro teve um atraso de 12 minutos em razão de protestos de pessoas que levaram cartazes e gritaram palavras contra o seu comportamento na condução da Lava-Jato. Para os manifestantes, Moro tem atuado sem a imparcialidade que se exige dos juízes. O seminário é promovido pela Universidade de Columbia e pela New School for Social Research. Na terça-feira, no mesmo evento, haverá uma palestra da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia.

Em sua fala, Moro defendeu celeridade nas investigações da Lava-Jato para que sejam evitadas as práticas de "obstrução" da Justiça, como costuma ocorrer quando há nomes de políticos e empresários importantes envolvidos. Dirigindo-se ao público presente , ele disse que quem vive nos Estados Unidos não tem ideia do número de processos em andamento. 

— É além da imaginação — disse. 

Moro acrescentou que o excesso de casos acaba permitindo manobras obstrutivas. 

— É uma história sem fim — definiu.

Moro contou que a operação enfrentou, ao longo de seu trabalho, alguns contratempos. Entre eles a morte do ministro Teori Zavascki, do STF. Para ele, Teori era profundamente comprometido com a celeridade dos processos e disse esperar que o novo relator, Edson Fachin, dê continuidade a esse trabalho.

Doença tropical

Ele afirmou que a corrupção às vezes se assemelha a uma "doença tropical", mas destacou que, no caso do Brasil, felizmente o combate aos desvios de políticos e empresários está mostrando à sociedade que é possível superar o problema.

O juiz também considerou infundadas as críticas de que a Lava-Jato tem prejudicado a economia brasileira por envolver grandes empresas que geram investimentos e empregos. Ele disse que, se os investimentos foram planejados com essa noção de que não há corrupção, os recursos provenientes dos lucros das empresas vão ser dirigidos "para combater a miséria" e não para o pagamento de propinas.

Críticas

Sergio Moro também comentou as acusações de que a Lavo-Jato não tem a imparcialidade necessária a uma investigação judicial. 

— Isso não é certo — rebateu. 

Ele admitiu que, em alguns casos, segmentos da equipe de investigação vão além do esperado, mas esclareceu que os exageros não chegam a comprometer o resultado da operação. 

— Os crimes estão expostos e os procuradores e (integrantes do) Judiciário são sérios.

Ao ser indagado por uma participante sobre os constantes vazamentos da Lava-Jato, Moro disse que que "é muito difícil" saber a origem da informação quando ela sai do controle da investigação. 

— É muito difícil saber quem vazou para a imprensa — disse. 

Questionado ainda sobre porque aparece em imagens ao lado de políticos que estão sendo investigados na Lava-Jato, como o caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Moro disse que as fotos divulgadas se referem a um evento público em que, por acaso, os políticos investigados também participavam.

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*Agência Brasil

 
 

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