Pedro Machado: Eisenbahn muda de mãos pela terceira vez em menos de dez anos - Política e Economia - Santa

Mercado de cervejas13/02/2017 | 19h18

Pedro Machado: Eisenbahn muda de mãos pela terceira vez em menos de dez anos

Pedro Machado: Eisenbahn muda de mãos pela terceira vez em menos de dez anos Diego Redel/Agencia RBS
Foto: Diego Redel / Agencia RBS

Os boatos eram antigos, viraram um namoro que foi ganhando contornos mais sérios e transformaram-se em casamento oficial nesta segunda-feira. O fato é que a compra da Brasil Kirin, dona da Eisenbahn, pela Heineken por 664 milhões de euros (algo em torno de R$ 2,2 bilhões) já era dada como certa pelo mercado e, justamente por isso, não surpreende. Pesaram na decisão da multinacional japonesa de se desfazer de sua subsidiária brasileira os recentes resultados fracos no país.

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Segundo a nova dona, a Brasil Kirin encerrou 2016 com prejuízo fiscal de R$ 262 milhões, o que fará com que a transação possivelmente dilua as margens da Heineken para 2017. A companhia informou que dará mais detalhes dos ajustes contábeis necessários "quando for apropriado".

Se autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a venda fará com que a gestão da Eisenbahn mude de mãos pela terceira vez em menos de dez anos. A cervejaria foi comprada em 2008 pelo Grupo Schincariol, que foi vendido em 2011 para a Brasil Kirin, agora adquirida pela Heineken. Tantas alterações num espaço de tempo tão curto atrapalham o planejamento de longo prazo.

A Brasil Kirin não revela os volumes de produção e vendas específicos da marca, mas é inegável que a Eisenbahn atingiu um novo patamar comercial desde então. E, diante dos bons números do segmento de cervejas especiais, é pouco provável que ela estivesse dando prejuízo, ao contrário do resultado geral do grupo, que detém ainda as marcas Schin e Devassa e uma linha de refrigerantes.

Popularização

Nas mãos da multinacional japonesa, a Eisenbahn passou por um amplo processo de popularização (com lançamentos de garrafas de 600ml e linhas de latas, por exemplo), ao ponto de alguns consumidores e especialistas apontarem perda de qualidade das suas cervejas. Para muita gente a marca se distanciou de sua identidade original ao apostar em uma produção em larga escala.

Avalio a decisão como uma escolha natural de expansão. Não ficaria surpreso se outras cervejarias da região fizessem o mesmo, caso optem por uma estratégia mais agressiva de conquista de mercado.

Com o silêncio, ao menos por enquanto, da Heineken sobre os planos daqui para frente, resta aguardar para saber quais serão os próximos passos da Eisenbahn.

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