Do campo ao prato: animais com documento - Política e Economia - Santa

Economia25/03/2017 | 03h01Atualizada em 25/03/2017 | 10h41

Do campo ao prato: animais com documento

Só em Santa Catarina, Cidasc possuí 196 veterinários e 388 auxiliares agropecuários, enquanto o Mapa entra com 248 fiscais

Do campo ao prato: animais com documento Cristiano Estrela/Agencia RBS
Carolina Damo Bolsanello Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

A Cidasc acompanha a produção de aves, suínos e bovinos no Estado. O trabalho começa nas propriedades rurais com a orientação de produtores, auxílio no combate a doenças e a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), que atesta que os animais são saudáveis e podem ser abatidos. A médica veterinária Carolina Damo Bolsanello faz esse trabalho:

– As guias também servem para o rastreamento dos animais. No documento, constam uma série de informações.

Maria Esther Gonçalves Pereira atua há oito anos como fiscal da Cidasc. Para ela, as regras ficaram mais rígidas:

– Quando eu comecei, já tinha muita regra, mas não eram cumpridas. O setor hoje é muito  mais profissional. 

Para um lote de leitões sair de uma propriedade e chegar a outra em que há um crechário (onde ficam animais com 21 dias de vida), por exemplo, precisa de uma autorização, a GTA. Nesse documento, constam o código da propriedade, o nome do proprietário, os medicamentos que os animais tomaram, quantos são, para onde vão, que dia, horário e até o número da placa do caminhão que vai transportá-los, além de outras informações. A cada transporte, é preciso emitir uma guia desse tipo. Assim, quando um lote chega para abate, é possível saber onde nasceram os animais e se tomaram medicação, por exemplo. As informações ficam no sistema da Cidasc.

 Nos frigoríficos que só vendem para dentro do Estado, as empresas contratam companhias credenciadas pela Cidasc para fazer inspeção que, por sua vez, é fiscalizada pelo órgão estadual. Naqueles que vendem para outros Estados e países, a inspeção deve ser feita obrigatoriamente pelo Ministério da Agricultura (Mapa). O governo federal não informou, no entanto, se há um fiscal federal para cada unidade frigorífica do país. A resposta é que o ministério estabeleceu "uma nova métrica para distribuição de sua força de trabalho¿, e que, neste momento, está refazendo o levantamento para definir o quantitativo de servidores necessários". 

Barreira sanitária
O Estado possui 63 barreiras sanitárias. São guaritas à beira das rodovias com fiscais agropecuários. Para que um bovino do Rio Grande do Sul chegue ao Paraná, por exemplo, o caminhão precisa entrar por uma das barreiras onde será fiscalizado e lacrado. Ele tem um trajeto específico e saída pré-determinada pelos órgãos de fiscalização. Na outra ponta, o lacre é retirado.

Bovinos vivos de outros lugares não podem entrar no Estado, nem para abate, apenas passar. Já os suínos podem vir de fora desde que sejam respeitadas algumas regras, tenham autorização de entrada e façam quarentena.

Aves também podem entrar, mas devem ter certificados e cumprir pré-requisitos. Para controlar a possível entrada ilegal de animais em SC, a Cidasc fiscaliza rodovias sem barreiras sanitárias e checa, nas propriedades, se todos os animais têm registro.

Produção integrada
Os frigoríficos não criam animais. Hoje, a maior parte deles no Brasil funciona por meio de um sistema integrado com produtores rurais. Os aviários ou granjas de porcos ficam instalados nas terras dos produtores, mas a empresa é dona dos animais e paga ração e remédios, além de dar assistência técnica.

 O dono da propriedade precisa construir o criadouro, que está longe de ser barato. Quando se fala que são pequenos e médios produtores, está se falando do tamanho da terra. Construir um aviário de tamanho padrão (165 metros por 18) custa em média R$ 700 mil.

 Para isso, os produtores rurais pegam empréstimos, normalmente com prazo de 10 anos. O proprietário também arca com energia elétrica e mão de obra. Em geral, o contrato de fornecimento é de tempo indeterminado e há prazo mínimo para rescisão.

ENSAIO DE FOTOS: Carne Fraca no NóS #38

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Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS
 
 

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