Do campo ao prato: como funciona a indústria da carne em SC - Política e Economia - Santa

Economia25/03/2017 | 02h55Atualizada em 26/03/2017 | 17h50

Do campo ao prato: como funciona a indústria da carne em SC

Como nascem, vivem e morrem porcos e aves criados pela indústria da carne e quais são as principais etapas dessa cadeia que responde por 5% do PIB catarinense

Do campo ao prato: como funciona a indústria da carne em SC Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Aposto que você nunca viu um Chester andando por aí. Mesmo assim, sabe que ele não nasceu na prateleira do mercado. Afinal, é um frango com hormônio? Ou um outro bicho? 

A agroindústria é como o Chester. Sabemos que ela existe, que abastece supermercado com filés, bifes, pernis – entrega até para russos, chineses e coreanos –, mas há um monte de lendas sobre como funciona. Com a operação Carne Fraca, muita gente ficou ainda mais desconfiada.

Só que falar de agroindústria em Santa Catarina é delicado. Frangos e porcos despertam discursos apaixonados. Além de grandes marcas do setor terem nascido aqui, boa parte da economia catarinense depende disso. O Estado é o maior produtor nacional de carne suína e o vice-líder em frango. Esses dois produtos representam 25% do total das exportações, 5% do PIB estadual e abastecem mais de 120 países. O Japão, por exemplo, só aceita suínos produzidos no Estado.

No entanto, é a mesa dos brasileiros o destino da maior parte da produção catarinense. No ano passado, 53% do volume de aves e 71% do volume de carne suína foram para consumo interno. 

Alimentar tanta gente, no Brasil ou no exterior, exige uma cadeia bem estruturada  e grande. Cerca de 60 mil pessoas trabalham em frigoríficos e agroindústrias, diz o sindicato da categoria, o Sindicarne. Porém, para entregar um filé de frango muito mais gente precisa entrar no processo. O produtor rural que planta milho – base da ração animal –, o criador, o fiscal estadual, o fiscal federal, o motorista do caminhão, só para citar uma parte da cadeia da proteína animal que soma 150 mil empregos diretos e indiretos. 

Em meio à desconfiança gerada com o setor, fomos até o Oeste do Estado mostrar como funciona a indústria e tentar responder algumas perguntas. Só não esperávamos que fosse tão difícil fazer isso. É quase impossível entrar em um frigorífico ou em uma criação de animais para a indústria. Um dos conselhos da assessoria de imprensa de uma dessas empresas foi: guardem as fotos que um dia fizeram de um frigorífico. Hoje em dia, ninguém mais entra, muito menos para fotografar.

Mesmo antes da operação Carne Fraca, as empresas já tinham regras rígidas para evitar a transmissão de uma doença que pode colocar em risco toda a cadeia. Um foco de gripe aviária na Ásia já acende a luz vermelha por aqui. Em Santa Catarina, os cuidados beiram a paranoia, já que este é o único Estado livre de febre aftosa sem vacinação, certificado pela Organização Internacional de Defesa Animal (OIE) em 2007.

Esse status ajuda, e muito, a vender para mercados exigentes. Em algumas gigantes multinacionais, apenas as unidades catarinenses têm permissão de exportação para determinados mercados. Em primeiro lugar, pelo óbvio: não há a doença. Em segundo, se um Estado consegue se ver livre de um vírus sem vacinar os animais, é porque há um controle sanitário rigoroso que evita outras contaminações. Neste ano, o cerco apertou em janeiro, após um foco de influenza aviária no Chile.

Por conta do controle todo, a missão de Cingapura que veio visitar empresas no começo de março não pode nem mesmo descer dos ônibus nos aviários. Para ver como era a criação, a produtora rural fotografou e fez vídeos que eram enviados por bluetooth para o pessoal dentro do ônibus.

Se já era difícil entrar nos frigoríficos, com a operação da Polícia Federal, a vontade de as empresas abrirem as portas diminuiu. Uma exceção foi feita para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que visitou uma unidade no Paraná com um batalhão de repórteres para afirmar que está tudo bem com a carne brasileira.

Nós, que não somos ministros, custamos a conseguir uma autorização, mas ela veio. Só que com restrições. Não pudemos visitar todos os setores – o abate, por exemplo, foi vetado. Somou-se à nossa lista de frustrações a negativa de conhecer criadores. Ficamos sem ver como vivem porcos e aves que acabam no prato. Essa parte ficou por conta de explicações pacientes de veterinárias da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). Apesar das restrições, deu para ter dimensão do setor, das engrenagens que ele movimenta e de como, afinal, é feita a carne que comemos.

ENSAIO DE FOTOS: Carne Fraca no NóS #38

Clique nas imagens abaixo para saber mais sobre a produção de carnes e os impactos da operação Carne Fraca no Estado:

A produção, do leitão à salsicha

Em algumas empresas, a criação de suínos é feito por etapas e, em cada uma delas, por um produtor diferente. Em outras, tudo é feito em uma mesma unidade criadora.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Lavoura de ração

O milho compõe cerca de 75% da ração que alimenta aves e suínos, segundo pesquisador da Epagri Alberto Hofs. O cereal tem duas finalidades: para grão, vai para porcos e aves, e para silagem alimenta gado. 

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Aves criadas na luz

As mães do frango que compramos no supermercado são as matrizeiras, aves destinadas apenas à reprodução. Quando acaba a vida útil como reprodutora, ela pode ir para o abate e serve para produtos menos nobres no mercado.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Sem medo de comer

Uma das grandes preocupações do setor com a operação Carne Fraca foi o medo gerado nos consumidores e a desconfiança com o consumo de carne.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Animais com documento

A Cidasc acompanha a produção de aves, suínos e bovinos no Estado. O trabalho começa nas propriedades rurais com a orientação de produtores, auxílio no combate a doenças e a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), que atesta que os animais são saudáveis e podem ser abatidos. 

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS




 
 

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