"A Semana Santa foi das primeiras-damas em Santa Catarina" - Política e Economia - Santa

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Opinião17/04/2017 | 18h29Atualizada em 18/04/2017 | 16h55

"A Semana Santa foi das primeiras-damas em Santa Catarina"

Jornalista comenta declarações dadas ao DC pelas esposas do governador Raimundo Colombo e do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro 

A Semana Santa passou e não se teve notícia de políticos que tenham ido às ruas durante o feriado de Páscoa para comungar junto ao povo e expiar pecados, eleitorais ou criminais, supostos ou comprovados. Por conta das circunstâncias, com a divulgação, na terça-feira, da lista do ministro do STF Edson Fachin e a queda do sigilo das delações dos ex-diretores da Odebrecht no dia seguinte, o silêncio imperou em gabinetes e palácios durante todo o fim de semana. Menos mal que há nas democracias a instituição da primeira-dama. E que, ao contrário dos seus maridos, elas não se envergonhem de falar com a imprensa sobre assuntos triviais ou embaraçosos. Quem ganhou com essa desenvoltura despreocupada foi o leitor do Diário Catarinense.  

Na edição de quinta-feira, o repórter Leonardo Thomé contou que, de plantão quarta-feira em frente à Casa d'Agronômica na esperança de conseguir uma palavra do governador Raimundo Colombo sobre as alegações de que queria vender a Casan para a empreiteira, o que contraria promessa da campanha de 2010, viu chegar um Toyota Corolla. Dentro estavam Maria Angélica Colombo, um segurança e uma amiga. O que aconteceu, então, foi mesmo digno de nota.   

Narra o jornalista: "Simpática, baixou o vidro do carro e perguntou 'por que quando ele vai inaugurar obras, vocês não o esperam aqui?'" Ora, do lançamento da pedra fundamental até o corte da faixa de inauguração de qualquer bica d'água, há toda uma equipe de jornalistas, publicitários e marqueteiros para divulgar o feito aos quatro cantos, mas para explicar o que precisa ser explicado à opinião pública, às vezes, não aparece um profissional. O Thomé, então, respondeu o óbvio: que a presença dele e de um fotógrafo se devia ao fato de que "a situação era excepcional".  

Ainda diante dos portões da residência oficial do governador de Santa Catarina, Maria Angélica assim reagiu aos questionamentos sobre a possibilidade de caixa 2 na campanha do marido: "As pessoas querem acertar árvores com frutos, ninguém chuta cachorro morto". Antes de se refugiar na solidão de sua casa – o marido, ela garantira ao repórter, estava em Lages naquele momento –, a primeira-dama completou que Santa Catarina "é um Estado em que as coisas andam", que ela iria "rezar" e que "tudo vai dar certo".   

Na edição do dia seguinte, Sexta-Feira Santa, quem brilhou nas páginas do DC foi outra primeira-dama. Cintia de Queiroz Loureiro, mulher do prefeito de Florianópolis, protagonizou a nota da abertura da coluna de Cacau Menezes. O texto trazia trechos de um e-mail que Cintia enviou ao colunista, comentando uma nota que saíra no dia anterior, em que Cacau revelava, de maneira sucinta, que a primeira-família da Capital estava morando "numa mansão de cinema em Cacupé, alugada por R$ 25 mil mensais. A residência e o condomínio".   

Como se morar numa mansão cinematográfica fosse algum delito, Cintia considerou que precisava se justificar. E, em sua mensagem, resolveu esclarecer o assunto: "Sim, nasci em berço de ouro". Como se não tivesse sido clara, desfiou um elogio a toda a sua linhagem: "Meus dois irmãos moram no Canadá e Austrália, e meu pai, aposentado, mora num apartamento de luxo na quadra da praia de Ipanema, no Rio".    

Para não deixar quaisquer vestígios de dúvida a respeito da sua ascendência vitoriosa nesse Brasil de desigualdades seculares e persistentes, a primeira-dama de Florianópolis assegurou: "Morávamos numa mansão de 5 mil metros quadrados na frente do mar no bairro João Paulo, que foi sede do evento Casa Cor".

Cintia reconhece que "o padrão de vida dela caiu quando casou com o prefeito", escreveu o Cacau com base no que a primeira-dama lhe enviara, e que "A casa é meia monstrengo, grandona, esquisita. tens que tomar fôlego para subir toda a escadaria". Mas como nem tudo nessa vida é esforço e dificuldades, "quando se chega (no alto da escadaria, supõe-se) a vista é maravilhosa".   

Cacau, que conhece o manezinho do direto e do avesso, terminava a nota desconfiado: "Então, já sei o que os adversários vão falar: que o prefeito deu o golpe do baú. Vocês sabem, a turma 'são' fogo".   

Por motivos óbvios, as declarações das duas primeiras-damas, do Estado e da Capital, por entrevista e por escrito, repercutiram. Quem sabe por isso os maridos tenham resolvido se manifestar? O fato é que o fizeram.  

O governador Colombo emitiu nota dizendo que "a versão dos delatores da Odebrecht sobre contribuição para campanha que está sendo noticiada é absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo", mas não justificou por que é absurda, quais são as mentiras, o que nas delações manifesta ódio ou onde se identifica o revanchismo – perguntas que a reportagem do DC fez à sua assessoria de imprensa quando a nota de esclarecimento foi divulgada.     

Já o prefeito usou seu perfil no Facebook para afirmar que "eu não moro numa casa de R$ 25 mil. Aliás, o valor não é nem um terço disso", mas, assim como o governador, acusou a mentira sem mostrar a verdade factual do caso.   

Santas primeiras-damas!

ps. a assessoria de imprensa de Gean Loureiro esclareceu que, ao escrever no Facebook que "Então, para alguns maldosos, se alguém aqui está dando o", o prefeito referia-se a texto que circulava na internet, não à nota de Cacau Menezes. O trecho, portanto, não fazia mais sentido e foi excluído.

 
 

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