Lava-Jato: Fachin autoriza inquéritos contra 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados - Política e Economia - Santa

STF11/04/2017 | 16h50Atualizada em 13/04/2017 | 00h34

Lava-Jato: Fachin autoriza inquéritos contra 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados

Na relação, aparecem sete gaúchos: um ministro, quatro deputados federais e dois ex-diretores-presidentes da Trensurb

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Após três anos de investigações, a Operação Lava-Jato ganhou aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para avançar sobre a cúpula da política nacional em dimensão inédita. Ao autorizar a abertura de inquéritos contra oito ministros do governo de Michel Temer, 24 senadores, 39 deputados federais, três governadores e um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o relator Edson Fachin paralisou Brasília, que tenta lidar com o tsunami provocado nos maiores partidos do país a partir das delações dos dirigentes da Odebrecht.

Antecipada na tarde de terça pelo jornal O Estado de S. Paulo, a abertura de 74 inquéritos, apenas dois sob sigilo, foi confirmada à noite pela assessoria do Supremo. Fachin se manifestou sobre pedidos enviados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em 14 de março. Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), aparecem na lista, que traz nomes de 14 partidos diferentes. Após as apurações, Janot verá se há elementos para denunciar ou não os envolvidos.

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Além dos casos que serão investigados pela Corte, também foram divulgados os alvos das petições encaminhas a instâncias inferiores da Justiça. Entre eles, constam os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de outros nove governadores e ex-governadores, ex-ministros, deputados estaduais, prefeitos, ex-parlamentares e assessores.

A revelação da lista de Fachin surpreendeu o Congresso e o Palácio do Planalto, que aguardavam os inquéritos apenas para depois do feriadão de Páscoa. Passava das 16h, com sessões em andamento no Congresso, quando a reportagem começou a circular em grupos de WhatsApp. No cafezinho anexo ao plenário da Câmara, alguns deputados conferiam o jogo entre Juventus e Barcelona, pela Liga dos Campeões. Todos deixaram a TV de lado e fixaram os olhos nos celulares. Passavam o dedo na tela, procurando o próprio nome. Quem não achava, suspirava. 

O mesmo movimento ocorreu no plenário, que discutia o projeto de recuperação fiscal, com mais de 400 parlamentares presentes. Houve uma debandada, que resultou no encerramento da sessão, anunciado por um constrangido Rodrigo Maia. Cercado por repórteres, o presidente da Casa adotou o tom dos demais investigados, negando qualquer irregularidade:

– Vou repetir o que sempre tenho dito: confio na Justiça, confio no Ministério Público e confio na Polícia Federal.

Entre os alvos das novas investigações, poucos deputados permaneceram na Câmara. No Senado, que tem 24 dos 81 integrantes na lista, Eunício tentou manter a naturalidade, mantendo votações de projetos sem importância.

– Estava presidindo a sessão e não tenho nenhuma informação sobre nome e inquéritos – disse. – Os homens públicos têm de estar sempre atentos, sem medo de fazer os enfrentamentos que a vida pública oferece.

Na Casa, os tucanos foram os principais alvos, com sete dos 11 senadores na relação de Fachin. Aécio Neves (MG) é alvo de cinco inquéritos, assim como o peemedebista Romero Jucá (RR). Renan Calheiros (PMDB-AL) está em quatro investigações. Já nos declínios de competência, o ex-presidente Lula aparece seis vezes.

No Planalto, como base e oposição foram alvejadas, aposta-se em um desgaste compartilhado, com impacto inevitável na popularidade já combalida do governo. No caso de Temer, como ele está blindado pela imunidade conferida pela lei a episódios anteriores ao mandato de presidente da República, mesmo tendo sido citado por delatores, a preocupação é menor. A principal dúvida fica em torno das condições dos ministros de permanecerem no cargo. Por ora, Temer quer evitar demissões.

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Contrapontos

O que diz o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS):
Por meio de sua assessoria de comunicação, o ministro afirmou que não vai se pronunciar sobre o caso no momento.

O que diz o deputado federal Marco Maia (PT-RS):
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado federal Marco Maia (PT-RS) disse que já esperava a aparição de seu nome na lista, porque já estava entre os citados na delação de Cláudio Melo Filho, vazada no fim do ano passado. Maia disse que o processo é normal "para que possamos nos defender dessas acusações caluniosas". O deputado também criticou a forma como as delações são utilizadas nas investigações, pois, segundo ele, o delator faz as acusações para se livrar de um crime cometido. Maia destacou que assim que for intimado da abertura do processo e tiver acesso ao texto, vai tomar as medidas judiciais cabíveis.

O que diz o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS):
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado afirmou que nunca esteve com ninguém da Odebrecht e que desconhece as pessoas que o acusam. "Tenho absoluta tranquilidade dos meus procedimentos e vou em busca dos esclarecimentos. Se necessário, vou abrir mão do meu foro privilegiado. Devo isso aos meus eleitores, que confiaram em mim", disse o parlamentar gaúcho. Onyx ainda afirmou que, no caso do surgimento de provas, ele deixaria o cargo.

O que diz Humberto Kasper, ex-diretor-presidente da Trensurb:
Em reposta à Rádio Gaúcha, Kasper disse que não conhece o assunto e que não sabe do que se trata. Por isso, não tem como se pronunciar.

Marco Arildo Prates da Cunha, ex-diretor-presidente da Trensurb:
Por meio de nota, afirmou que o conteúdo da delação premiada que cita seu nome "não é verdadeiro". Marco Arildo Cunha diz que " a execução da obra de extensão da Trensurb seguiu e respeitou todas as condicionantes estipuladas pelo Tribunal de Contas de União". O ex-diretor da Trensurb destaca estar à disposição da Justiça e que "vai provar sua inocência".

O que diz a deputada federal Maria do Rosário:

Por meio de nota divulgada por sua assessoria de comunicação, a deputada afirma que a decisão do ministro Edson Fachin "é uma mera autorização do STF para apuração dos fatos sobre as delações da Odebrecht". No entanto, a parlamentar diz que "a citação de seu nome a deixa indignada. 

"Não me calarei frente a este episódio e não me afastarei um milímetro sequer das causas que acredito e que o nosso trabalho representa. Vou disponibilizar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico ao STF tamanha é minha tranquilidade. Meu nome e minha vida não estão à disposição para serem enxovalhados por ninguém em nenhum lugar", diz a deputada no documento. Ela também divulgou um vídeo com seu posicionamento

O que diz a deputada federal Yeda Crusius: 

A deputada gaúcha, por meio de nota, afirma que transparência é fundamental, e aguarda o levantamento do sigilo das delações que embasaram a decisão do Procurador Janot e do Ministro Fachin. 

"Embora desconhecendo ainda as razões que o levaram a elaborar estas listas, considero fundamental tanto a Lava-Jato quanto o trabalho do Supremo para que os inquéritos hoje autorizados sejam feitos e concluídos com a celeridade requerida por mim e por toda a população brasileira, separando o joio do trigo e promovendo a Justiça de que tanto o país precisa", diz um trecho do comunicado.

ZH tenta ouvir os outros gaúchos citados pela reportagem.

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Confira a lista dos políticos incluídos na lista de Fachin:

1 - Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)

2 - Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)

3 - Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)

4 - Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)

5 - Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)

6 - Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)

7 - Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)

8 - Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)

9 - Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)

10 - Senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR)

11 - Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)

12 - Senador Renan Calheiros (PMDB-AL)

13 - Senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

14 - Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)

15 - Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)

16 - Senador Edison Lobão (PMDB-PA)

17 - Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

18 - Senador Jorge Viana (PT-AC)

19 - Senadora Lídice da Mata (PSB-BA)

20 - Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)

21 - Senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

22 - Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

23 - Senador Dalírio José Beber (PSDB-SC)

24 - Senador Ivo Cassol (PP-RO)

25 - Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

26 - Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

27 - Senadora Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)

28 - Senador Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

29 - Senador José Serra (PSDB-SP)

30 - Senador Eduardo Braga (PMDB-AM)

31 - Senador Omar Aziz (PSD-AM)

32 - Senador Valdir Raupp (PMDB-RO)

33 - Deputado federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)

34 - Deputado federal Vicente "Vicentinho" Paulo da Silva (PT-SP)

35 - Deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)

36 - Deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)

37 - Deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA)

38 - Deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)

39 - Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP)

40 - Deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP)

41- Deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara

42 - Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)

43 - Deputado federal Milton Monti (PR-SP)

44 - Deputado federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

45 - Deputada federal Yeda Crusius (PSDB-RS)

46 - Deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)

47 - Deputado federal Marco Maia (PT-RS)

48 - Deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)

49 - Deputada federal Maria do Rosário (PT-RS)

50 - Deputado federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

51 - Deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)

52 - Deputado federal Cacá Leão (PP-BA)

53 - Deputado federal Celso Russomano (PRB-SP)

54 - Deputado federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)

55 - Deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)

56 - Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)

57 - Deputado federal Daniel Vilela (PMDB-GO)

58 - Deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP)

59 - Deputado federal Vander Loubet (PT-MS)

60 - Deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM)

61 - Deputado federal Zeca Dirceu (PT-SP)

62 - Deputado federal Vicente Cândido (PT-SP)

63 - Deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ)

64 - Deputado federal Fábio Faria (PSD-RN)

65 - Deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI)

66 - Deputado federal Beto Mansur (PRB-SP)

67 - Deputado federal Antônio Brito (PSD-BA)

68 - Deputado federal Décio Lima (PT-SC)

69 - Deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)

70 - Deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE)

71 - Deputado federal Zeca do PT (PT-MS)

72 - Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)

73 - Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)

74 - Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)

75 - Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho

76 - José Feliciano

77 - Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado

78 - Ex-deputado federal Valdemar da Costa Neto (PR-SP)

79 - Luís Alberto Maguito Vilela, ex-senador da República e prefeito municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014

80 - Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

81 - Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig

82 - Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)

83 - Guido Mantega (ex-ministro)

84 - César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

85 - Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado

86 - Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro

87 - José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil

88 - Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

89 - Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC

90 - João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia

91 - Advogado Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão

92 - Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá

93 - Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio

94 - Eron Bezerra, marido da senadora Grazziotin

95 - Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos

96 - Humberto Kasper, ex-diretor-presidente da Trensurb

97 - Marco Arildo Prates da Cunha, ex-diretor-presidente da Trensurb

98 - Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

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