Lava-Jato: Fachin autoriza inquéritos contra 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados, diz jornal - Política e Economia - Santa

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STF11/04/2017 | 16h59Atualizada em 11/04/2017 | 22h47

Lava-Jato: Fachin autoriza inquéritos contra 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados, diz jornal

Na relação, aparecem quatro políticos catarinenses: um senador, um deputado federal, uma deputada estadual e um prefeito

Lava-Jato: Fachin autoriza inquéritos contra 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados, diz jornal Carlos Humberto,STF/Divulgação
Foto: Carlos Humberto,STF / Divulgação
Diário Catarinense
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Após três anos de investigações, a Operação Lava-Jato ganhou aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para avançar sobre a cúpula da política nacional em dimensão inédita. Ao autorizar a abertura de inquéritos contra oito ministros do governo de Michel Temer, 24 senadores, 39 deputados federais, três governadores e um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), o relator Edson Fachin paralisou Brasília, que tenta lidar com o tsunami provocado nos maiores partidos do país a partir das delações dos dirigentes da Odebrecht.

Antecipada na tarde de terça pelo jornal O Estado de S. Paulo, a abertura de 74 inquéritos, apenas dois sob sigilo, foi confirmada à noite pela assessoria do Supremo. Fachin se manifestou sobre pedidos enviados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em 14 de março. Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), aparecem na lista, que traz nomes de 14 partidos diferentes. Após as apurações, Janot verá se há elementos para denunciar ou não os envolvidos.

Além dos casos que serão investigados pela Corte, também foram divulgados os alvos das petições encaminhas a instâncias inferiores da Justiça. Entre eles, constam os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de outros nove governadores e ex-governadores, ex-ministros, deputados estaduais, prefeitos, ex-parlamentares e assessores.

A revelação da lista de Fachin surpreendeu o Congresso e o Palácio do Planalto, que aguardavam os inquéritos apenas para depois do feriadão de Páscoa. Passava das 16h, com sessões em andamento no Congresso, quando a reportagem começou a circular em grupos de WhatsApp. No cafezinho anexo ao plenário da Câmara, alguns deputados conferiam o jogo entre Juventus e Barcelona, pela Liga dos Campeões. Todos deixaram a TV de lado e fixaram os olhos nos celulares. Passavam o dedo na tela, procurando o próprio nome. Quem não achava, suspirava. 

O mesmo movimento ocorreu no plenário, que discutia o projeto de recuperação fiscal, com mais de 400 parlamentares presentes. Houve uma debandada, que resultou no encerramento da sessão, anunciado por um constrangido Rodrigo Maia. Cercado por repórteres, o presidente da Casa adotou o tom dos demais investigados, negando qualquer irregularidade:

– Vou repetir o que sempre tenho dito: confio na Justiça, confio no Ministério Público e confio na Polícia Federal.

Entre os alvos das novas investigações, poucos deputados permaneceram na Câmara. No Senado, que tem 24 dos 81 integrantes na lista, Eunício tentou manter a naturalidade, mantendo votações de projetos sem importância.

– Estava presidindo a sessão e não tenho nenhuma informação sobre nome e inquéritos – disse. – Os homens públicos têm de estar sempre atentos, sem medo de fazer os enfrentamentos que a vida pública oferece.

Na Casa, os tucanos foram os principais alvos, com sete dos 11 senadores na relação de Fachin. Aécio Neves (MG) é alvo de cinco inquéritos, assim como o peemedebista Romero Jucá (RR). Renan Calheiros (PMDB-AL) está em quatro investigações. Já nos declínios de competência, o ex-presidente Lula aparece seis vezes.

No Planalto, como base e oposição foram alvejadas, aposta-se em um desgaste compartilhado, com impacto inevitável na popularidade já combalida do governo. No caso de Temer, como ele está blindado pela imunidade conferida pela lei a episódios anteriores ao mandato de presidente da República, mesmo tendo sido citado por delatores, a preocupação é menor. A principal dúvida fica em torno das condições dos ministros de permanecerem no cargo. Por ora, Temer quer evitar demissões.

Entenda: o que é a lista de Fachin

"Não há super-homem na Lava-Jato", diz Janot

Lula seria o destinatário de R$ 13 milhões entregues a ex-assessor de Palocci

11 contratos da Odebrecht deram prejuízo de R$ 5,6 bi à Petrobras, aponta PF

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Contrapontos

O que diz o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS):
Por meio de sua assessoria de comunicação, o ministro afirmou que não vai se pronunciar sobre o caso no momento.

O que diz o deputado federal Marco Maia (PT-RS):
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado federal Marco Maia (PT-RS) disse que já esperava a aparição de seu nome na lista, porque já estava entre os citados na delação de Cláudio Melo Filho, vazada no fim do ano passado. Maia disse que o processo é normal "para que possamos nos defender dessas acusações caluniosas". O deputado também criticou a forma como as delações são utilizadas nas investigações, pois, segundo ele, o delator faz as acusações para se livrar de um crime cometido. Maia destacou que assim que for intimado da abertura do processo e tiver acesso ao texto, vai tomar as medidas judiciais cabíveis.

O que diz o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS):
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o deputado afirmou que nunca esteve com ninguém da Odebrecht e que desconhece as pessoas que o acusam. "Tenho absoluta tranquilidade dos meus procedimentos e vou em busca dos esclarecimentos. Se necessário, vou abrir mão do meu foro privilegiado. Devo isso aos meus eleitores, que confiaram em mim", disse o parlamentar gaúcho. Onyx ainda afirmou que, no caso do surgimento de provas, ele deixaria o cargo.

O que diz Humberto Kasper, ex-diretor-presidente da Trensurb:
Em reposta à Rádio Gaúcha, Kasper disse que não conhece o assunto e que não sabe do que se trata. Por isso, não tem como se pronunciar.

O que diz a deputada federal Maria do Rosário:

Por meio de nota divulgada por sua assessoria de comunicação, a deputada afirma que a decisão do ministro Edson Fachin "é uma mera autorização do STF para apuração dos fatos sobre as delações da Odebrecht". No entanto, a parlamentar diz que "a citação de seu nome a deixa indignada. 

"Não me calarei frente a este episódio e não me afastarei um milímetro sequer das causas que acredito e que o nosso trabalho representa. Vou disponibilizar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico ao STF tamanha é minha tranquilidade. Meu nome e minha vida não estão à disposição para serem enxovalhados por ninguém em nenhum lugar", diz a deputada no documento. Ela também divulgou um vídeo com seu posicionamento

O que diz a deputada federal Yeda Crusius: 

A deputada gaúcha, por meio de nota, afirma que transparência é fundamental, e aguarda o levantamento do sigilo das delações que embasaram a decisão do Procurador Janot e do Ministro Fachin. 

"Embora desconhecendo ainda as razões que o levaram a elaborar estas listas, considero fundamental tanto a Lava-Jato quanto o trabalho do Supremo para que os inquéritos hoje autorizados sejam feitos e concluídos com a celeridade requerida por mim e por toda a população brasileira, separando o joio do trigo e promovendo a Justiça de que tanto o país precisa", diz um trecho do comunicado.

ZH tenta ouvir os outros gaúchos citados pela reportagem.

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Confira a lista dos políticos incluídos na lista de Fachin:

1 - Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)

2 - Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)

3 - Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)

4 - Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)

5 - Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)

6 - Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)

7 - Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)

8 - Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)

9 - Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)

10 - Senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR)

11 - Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)

12 - Senador Renan Calheiros (PMDB-AL)

13 - Senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

14 - Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)

15 - Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)

16 - Senador Edison Lobão (PMDB-PA)

17 - Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

18 - Senador Jorge Viana (PT-AC)

19 - Senadora Lídice da Mata (PSB-BA)

20 - Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)

21 - Senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

22 - Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

23 - Senador Dalírio José Beber (PSDB-SC)

24 - Senador Ivo Cassol (PP-RO)

25 - Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

26 - Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

27 - Senadora Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)

28 - Senador Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

29 - Senador José Serra (PSDB-SP)

30 - Senador Eduardo Braga (PMDB-AM)

31 - Senador Omar Aziz (PSD-AM)

32 - Senador Valdir Raupp (PMDB-RO)

33 - Deputado federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)

34 - Deputado federal Vicente "Vicentinho" Paulo da Silva (PT-SP)

35 - Deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)

36 - Deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)

37 - Deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA)

38 - Deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)

39 - Deputado federal Paulinho da Força (SD-SP)

40 - Deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP)

41- Deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara

42 - Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)

43 - Deputado federal Milton Monti (PR-SP)

44 - Deputado federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

45 - Deputada federal Yeda Crusius (PSDB-RS)

46 - Deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)

47 - Deputado federal Marco Maia (PT-RS)

48 - Deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)

49 - Deputada federal Maria do Rosário (PT-RS)

50 - Deputado federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

51 - Deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)

52 - Deputado federal Cacá Leão (PP-BA)

53 - Deputado federal Celso Russomano (PRB-SP)

54 - Deputado federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)

55 - Deputado federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)

56 - Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)

57 - Deputado federal Daniel Vilela (PMDB-GO)

58 - Deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP)

59 - Deputado federal Vander Loubet (PT-MS)

60 - Deputado federal Alfredo Nascimento (PR-AM)

61 - Deputado federal Zeca Dirceu (PT-SP)

62 - Deputado federal Vicente Cândido (PT-SP)

63 - Deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ)

64 - Deputado federal Fábio Faria (PSD-RN)

65 - Deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI)

66 - Deputado federal Beto Mansur (PRB-SP)

67 - Deputado federal Antônio Brito (PSD-BA)

68 - Deputado federal Décio Lima (PT-SC)

69 - Deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)

70 - Deputado federal Betinho Gomes (PSDB-PE)

71 - Deputado federal Zeca do PT (PT-MS)

72 - Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)

73 - Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)

74 - Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)

75 - Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho

76 - José Feliciano

77 - Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado

78 - Ex-deputado federal Valdemar da Costa Neto (PR-SP)

79 - Luís Alberto Maguito Vilela, ex-senador da República e prefeito municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014

80 - Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

81 - Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig

82 - Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)

83 - Guido Mantega (ex-ministro)

84 - César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

85 - Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado

86 - Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro

87 - José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil

88 - Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

89 - Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC

90 - João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia

91 - Advogado Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão

92 - Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá

93 - Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio

94 - Eron Bezerra, marido da senadora Grazziotin

95 - Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos

96 - Humberto Kasper, ex-diretor-presidente da Trensurb

97 - Marco Arildo Prates da Cunha, ex-diretor-presidente da Trensurb

98 - Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho


 
 

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