Napoleão Bernardes: "Essa acusação fere a lógica, sou o prefeito que enfrentou a Odebrecht" - Política e Economia - Santa

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Contraponto11/04/2017 | 19h52Atualizada em 11/04/2017 | 19h52

Napoleão Bernardes: "Essa acusação fere a lógica, sou o prefeito que enfrentou a Odebrecht"

Prefeito de Blumenau nega ter recebido R$ 500 mil da empreiteira nas eleições de 2012 através de caixa dois

upiara boschi
upiara boschi

Foto: Michele Lamin / Divulgação

Alvo de inquérito autorizado pelo ministro Luís Edson Fachin no Supremo Tribunal de Justiça, o prefeito blumenauense Napoleão Bernardes (PSDB) nega qualquer relação com a Odebrecht e afirma ter contrariado interesses da empresa ao assumir a administração municipal em janeiro de 2013. Segundo as delações de Paulo Roberto Welzel e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, a empreiteira identificou os candidatos com chance de vitória nas eleições de 2012 na cidade - onde presta serviços de água e esgoto através da Odebrecht Ambiental. Segundo a denúncia, a campanha do tucano teria recebido R$ 500 mil em caixa dois em acordo intermediado pelo atual senador Dalírio Beber (PSDB).

Leia a entrevista com Napoleão Bernardes:

O senhor tem conhecimento da denúncia que gerou o inquérito?
Não tenho a mínima noção, a mais vaga ideia. Sei exatamente o que cada um sabe. Estou com a consciência tranquila. Tenho a vida pública marcada por ética, por seriedade. Aqui em Blumenau, até mesmo meus adversários, muitas vezes até criticam alguma ação de governo, porque a gente acerta e erra no ponto de vista administrativo, mas em termos de moral, de caráter, de credibilidade, não há uma vírgula, uma mancha de questionamento. Sou o primeiro a desejar que a verdade seja estabelecida.

O senhor conversou com o senador Dalírio Beber depois da divulgação da lista?Não, este estava em sessão no Senado.

Qual sua relação com a Odebrecht?
Minha primeira decisão administrativa como prefeito na relação contratual foi totalmente contrária aos interesses da Odebrecht. No final de 2012, quando eu ainda não era prefeito, a Odebrecht fez um pedido de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato que tem aqui. O município reconheceu uma dívida de R$ 118 milhões com a Odebrecht.

O município na gestão anterior?
Sim, na gestão do prefeito João Paulo (Kleinübing, hoje deputado federal pelo PSD). Eu assumi em 1º de janeiro de 2013 e essa decisão foi de dezembro de 2012. Qual foi minha primeira ação como prefeito nessa causa? Minha obrigação legal era pagar, porque o município havia reconhecido. Minha primeira decisão foi mandar fazer auditoria e ela nos levou a não pagar nada. Eles até blefaram que abandonariam a concessão se a prefeitura não pagasse o que havia assumido que devia. Eu não retroagi. Vimos que o valor não era aquele. Fizemos uma série de medidas compensatórias e a prefeitura não pagou um Real. Fere totalmente a lógica, sou o prefeito que enfrentou a Odebrecht à época.

São muito semelhantes as delações que levaram aos inquéritos contra Dalírio e o senhor e contra Décio Lima e Ana Paula Lima. Seriam doações de R$ 500 mil em caixa dois aos candidatos que eles consideravam favoritos vencer em uma cidades em que mantinham serviços por concessão.
Quem dera eu fosse o favorito, na véspera do primeiro turno eu era o terceiro!

Pelas delações, a Odebrecht teria repassado os recursos por intermediação de Dalírio para sua campanha e de Décio Lima para a de Ana Paula. Tem conhecimento desse dinheiro?
Eu não faço a mínima ideia desse tema. Nunca tive relação nenhuma com a Odebrecht antes de ser empossado prefeito. Minha única relação administrativa foi contrariar os interesses da empresa. É uma informação absurda e beira à loucura. Eu era o azarão, estava lá atrás na rabeira.

Houve caixa dois na sua campanha?
Óbvio que não. Eu como candidato não tenho nenhuma relação com doação eleitoral e nem com contratação de fornecedores. Meu papel era fazer campanha e ir para a rua. Desconheço qualquer possibilidade nesse sentido.

Qual era o papel do hoje senador Dalírio Beber naquela campanha?
Como todo filiado ao PSDB, o papel dele era nos apoiar e fazer campanha. Nossa campanha era caseira, quase não tinha apoio, aliados. Era quase uma aventura eleitoral. Tínhamos sola de sapato e idealismo.

Como o senhor imagina que foi parar nas delações da Odebrecht?
Não faço a mínima ideia. Por isso minha indignação e perplexidade. Mas também por isso o meu entusiasmo em poder restabelecer a verdade e fazer a correção do que a minha vida pública é. Uma vida de transparência, de respeito ao dinheiro público, valores que não abro mão.

Teme que o episódio macule sua carreira política?
Eu não quero crer que uma injustiça tão gritante como essa possa vir a trazer prejuízo. Tenho a consciência absolutamente tranquila tanto em relação a eleição quanto a governo. Tenho certeza de que a verdade vai ser estabelecida.

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