Prefeito de Blumenau convoca coletiva para falar sobre relação com a Odebrecht Ambiental - Política e Economia - Santa

Operação Lava-Jato18/04/2017 | 15h34Atualizada em 18/04/2017 | 18h36

Prefeito de Blumenau convoca coletiva para falar sobre relação com a Odebrecht Ambiental

Napoleão Bernardes negou novamente suposto pagamento de R$ 500 mil para campanha eleitoral via caixa dois

Prefeito de Blumenau convoca coletiva para falar sobre relação com a Odebrecht Ambiental Jean Laurindo/Agência RBS
Foto: Jean Laurindo / Agência RBS

Diante de um salão nobre lotado de secretários, servidores e jornalistas, o prefeito Napoleão Bernardes (PSDB) falou na tarde desta terça-feira sobre a relação da prefeitura com a Odebrecht Ambiental e fez uma nova defesa sobre a inclusão de seu nome entre os investigados da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.

De forma didática e avisando previamente que não abriria a coletiva para perguntas - mais tarde, o prefeito acabou atendendo os jornalistas -, Napoleão fez questão de dizer "que por dever ético e de respeito fez questão de estar olho no olho enfrentando esse momento de tormenta, com a mesma hombridade demonstrada ao longo da vida pública".

O prefeito começou relembrando o contexto político de 2012, quando sua candidatura a prefeito não era uma aposta no partido nem em Blumenau, reforçando que, por não estar entre os favoritos, não haveria motivos para que a Odebrecht ajudasse a financiar sua campanha.

— Nesse contexto de procurar potenciais vitoriosos, se tinha uma candidatura que não deveria ser apoiada era a minha, que tive a candidatura questionada sempre — afirma.

Em seguida, Napoleão manifestou apoio ao senador Dalirio Beber (PSDB), um dos mentores da candidatura de 2012 e suspeito de intermediar o repasse de R$ 500 mil da Odebrecht via caixa dois para a campanha tucana, e reiterou que as pesquisas eleitorais, que na avaliação dele talvez fosse instrumentos usados pela Odebrecht para mapear candidatos com potencial de vitória, colocavam-no sempre como derrotado nas urnas.

Em coletiva ao final do encontro, Napoleão voltou a negar ter recebido qualquer vantagem da empresa, que Dalírio Beber também "nega peremptoriamente todas as acusações". Disse ainda que "não haveria lógica" para que a empresa fizesse isso, dada à condição da candidatura, e também afirmou que na sua campanha não houve prática de caixa 2. Quando perguntado sobre se acompanhava as movimentações financeiras da candidatura, repetiu que "seu papel na campanha é ir para a rua, fazer o pedido de votos", mas que confia no partido e que todas as contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral (veja mais no vídeo da entrevista feito pelo colunista Pancho).

Reequilíbrio de contrato

Em um segundo momento, o prefeito passou a falar sobre a relação institucional e o reequilíbrio do contrato com a Odebrecht Ambiental, concessionária dos serviços de esgoto na cidade. Explicou a origem do pedido de revisão da empresa, que está no fato de ela ter iniciado a concessão com 4,8% de esgoto tratado, quando o informado no edital em 2009 havia sido de 23,2% - a prefeitura na época, comandada por João Paulo Kleinübing (PSD), baseou-se em obras que já tinham recursos pactuados pelo PAC e Funasa, mas que acabaram sendo cancelados pelo governo federal após a notícia da concessão do serviço à iniciativa privada.

Repetiu reiteradas vezes sobre os estudos feitos sobre o pedido de reequilíbrio financeiro da Odebrecht Ambiental - houve um estudo da FGV na gestão de Kleinübing, uma auditoria da LMDM na administração Napoleão e supervisão durante todo o tempo da Agir, agência regional que regula contratos públicos. Lembrou que o pedido de R$ 118 milhões de reequilíbrio feito pela concessionária já havia sido autorizado pela prefeitura na gestão anterior e confirmados pelo estudo da FGV e pela Agir, mas diz que os estudos do contrato feito por sua equipe permitiram que um valor de R$ 51 milhões - que corresponderia a gastos que a empresa não precisou ter por encontrar a cidade com cobertura de esgoto menor que o esperado - não fosse pago à empresa. Deixou claro que o município não precisou pagar "nem um centavo" sobre o que era solicitado pela empresa.

O prefeito não deu detalhes sobre as outras medidas, como reajuste tarifário de 17,17%, incorporação de gastos de emissão de faturas pelo Samae e isenção de multas e outorgas a que a prefeitura tinha direito, que totalizaram receitas que corresponderiam a uma diferença de R$ 181 milhões dentro do que era solicitado pela empresa. Perguntado sobre como foram definidas essas medidas na coletiva após o evento, o prefeito informou apenas que "todo o detalhamento de cada uma dessas medidas está disponível no Portal da Transparência".

— Se tivemos uma postura com a Odebrecht foi de enfrentamento sério. Um prefeito jovem, então com 30 anos, e falar da Odebrecht hoje é fácil, mas é preciso lembrar quem era a Odebrecht em 2013. Mas a empresa encontrou uma postura firme, séria, em defesa incondicional e intransigente do interesse público — pontuou Napoleão.

Napoleão confirmou a realização de um encontro com um dos executivos da Odebrecht, Paulo Welzel, depois da eleição. Disse que recebeu o executivo de pé na antessala do gabinete, ganhou um livro contando a história da empresa e em seguida levou-o a uma reunião com diversos secretários municipais e membros da Agir para discutir o pedido de de reequilíbrio. Citou trechos da própria delação de Welzel, em que o executivo afirma que só conheceu o prefeito neste encontro e que os ajustes do contrato foram analisados por uma ampla equipe de secretários. Segundo Napoleão, de fato foram eles que comandaram o trabalho de revisão do contrato.

— Estou enfrentando o tribunal da opinião pública por defender o interesse público. Poupei o município de uma dívida milionária e impagável — argumenta, ao afirmar que se o município precisasse ter pago os valores cobrados pela empresa, poderia enfrentar situação similar à do Rio de Janeiro, com dificuldade de investimentos e até de pagamento de contas.

 
 

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