Quatro políticos de Blumenau aparecem em inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin - Política e Economia - Santa

Lava-Jato11/04/2017 | 17h33Atualizada em 12/04/2017 | 09h38

Quatro políticos de Blumenau aparecem em inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin

Informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo na tarde desta terça-feira. Abertura de inquérito foi pedida pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot 

Quatro políticos de Blumenau aparecem em inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin Carlos Moura/STF,Divulgação
Foto: Carlos Moura / STF,Divulgação

Napoleão. Dalirio. Décio. Ana Paula. Quatro dos mais conhecidos nomes da política blumenauense, que fizeram e ainda fazem história na cidade, no estado e no país, têm seus nomes citados em inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) na maior investigação de corrupção da história do Brasil. Blumenau acordou hoje digerindo essa informação e sem saber ainda o que está por vir. Porém, apenas o peso de aparecer nesta lista é suficiente para pensar que tudo vai muito mal e a pergunta que fica é: como nossos políticos chegaram a esse ponto?

A Operação Lava-Jato investiga desde 2014 a corrupção epidêmica que corrói o sistema político brasileiro. Começou com a apuração de organizações criminosas lideradas por doleiros, chegou a um escandaloso esquema de propinas operado dentro da Petrobras há cerca de 10 anos e alcançou os contratos com empreiteiras em diversos estados do país. O Grupo Odebrecht, cujo braço em Blumenau já foi a Odebrecht Ambiental (vendida pelo grupo principal no final de 2016), empresa que recebeu a concessão do sistema de esgoto sanitário, é a principal fonte de informações ao Ministério Público Federal e à Procuradoria-Geral da República por meio das delações de 78 executivos e ex-executivos. Dois deles citam os quatro nomes blumenauenses que aparecem na lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF.

Napoleão Bernardes (PSDB), o jovem prefeito eleito como o azarão em 2012, engajado em mostrar o trabalho feito no primeiro mandato e em boa fase na relação com nomes nacionais da linhagem tucana, é suspeito de ter recebido R$ 500 mil na campanha eleitoral daquele ano. O repasse, segundo o que os delatores teriam informado ao Ministério Público, teriam sido negociados pelo então articulador da campanha e atual senador Dalirio Beber (PSDB), não por coincidência o padrinho político de Napoleão. O inquérito de cinco páginas diz ainda que o pagamento foi feito ao ¿Conquistador¿, identidade do beneficiário no sistema de pagamentos criado pela empresa. Quando prefeito, Napoleão deu continuidade ao contrato da concessão do serviço com a Odebrecht, que pedia um milionário reequilíbrio financeiro. A prefeitura alegou ter resolvido a questão sem danos aos cofres públicos e o prefeito reforça este argumento, dizendo ter ido inclusive contra os interesses da empresa.

O casal mais conhecido da política blumenauense também é citado. Dedicada à campanha para a prefeitura em 2012, a deputada estadual que está no quarto mandato Ana Paula Lima (PT), recentemente eleita presidente do diretório municipal do partido, teria recebido outros R$ 500 mil da Odebrecht com a mesma intenção do pagamento feito a Napoleão. Neste caso, a articulação teria sido feita pelo deputado federal, líder da oposição na Câmara Federal e marido de Ana Paula, Décio Lima (PT), e registrado como em benefício da ¿Musa¿ no sistema do grupo, segundo as cinco páginas do documento. Dalirio e Napoleão serão investigados pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro. Contra Ana e Décio será apurado o crime de falsidade ideológica eleitoral.

Outro nome conhecido de Blumenau também apareceu em uma lista menos divulgada, mas não menos importante. A petição que pedia a investigação do deputado estadual Jean Kuhlmann (PSD) foi remetida pelo ministro Edson Fachin para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, devido a falta de foro para análise do STF. De acordo com o documento há dois fatos a ser analisados: o primeiro seria um suposto repasse de vantagem no valor de R$ 65,6 mil no ano de 2004, quando Kuhlmann era vereador. O segundo seria um suposto recebimento de R$ 50 mil não contabilizados para a campanha eleitoral de 2012, quando o deputado amargou o segundo lugar nas urnas.

Há pouco mais de um ano 60 mil pessoas protestaram em Blumenau indignadas com a corrupção no país. Há pouco menos de um mês as ruas receberam mil pessoas ainda indignadas. Agora essa mesma corrupção – ainda passível de investigação, sabemos – se escancara sob o nariz da população na devassa provocada pela maior investigação da política brasileira. Se não está, a cidade deve ficar estarrecida. Não apenas pelo valor (que é significativo), mas pela responsabilidade de quem concorre ao cargo de mandatário maior para decidir as ações que determinam o futuro de todos e de cada cidadão. O dinheiro ilícito desequilibra a disputa, tira a igualdade dos que almejam o item mais precioso de uma sociedade que quer ser democrática – o voto – e coloca em xeque toda ação tomada a partir deste ponto. Os planos de futuro próspero vendidos há seis meses serão ainda mais questionados pela desconfiança da possibilidade de negociações desonestas.

 
 

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