Upiara Boschi: Colombo rompe silêncio, mas frustra na forma e no conteúdo - Política e Economia - Santa

Análise18/04/2017 | 17h00Atualizada em 18/04/2017 | 18h36

Upiara Boschi: Colombo rompe silêncio, mas frustra na forma e no conteúdo

 Sem uma narrativa tão detalhada e convincente quanto a dos acusadores, Colombo ajuda em sua própria desconstrução

Upiara Boschi: Colombo rompe silêncio, mas frustra na forma e no conteúdo Julio Cavallheiro/SECOM
Foto: Julio Cavallheiro / SECOM
upiara boschi
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Uma semana depois do fim do sigilo das delações dos ex-executivos da Odebrecht, seis dias após a divulgação do conteúdo dos depoimentos e anexos, o governador Raimundo Colombo (PSD) escolheu Brasília, a confortáveis 1.677 quilômetros de distância de Florianópolis, para romper o silêncio e negar que tenha pedido R$ 17,1 milhões à empreiteira ao longo de cinco anos e três campanhas eleitorais.

Colombo negou praticamente todo o conteúdo das delações de Fernando Cunha Reis e Paulo Welzel, os ex-dirigentes da Odebrecht Ambiental que tinham como missão a compra de participação acionária na estatal Casan. À colunista Carolina Bahia, representante da RBS SC na improvisada entrevista coletiva armada em Brasília, o governador disse nunca ter pedido dinheiro à empreiteira para suas campanhas. Negou, inclusive, que possam ter pedido recursos em seu nome. Refutou o jantar no apartamento funcional que ocupava na Capital Federal quando senador, o café da manhã no hotel paulistano que teria selado a parceria. Admitiu um encontro de 10 minutos no aeroporto de Congonhas, São Paulo, por iniciativa da empreiteira - não dele, como afirmam os delatores.

A presença dos ex-executivos em reuniões na Casa d'Agronômica durante o primeiro mandato foi creditada à natural pré-disposição em receber empresários, especialmente quando representam uma companhia do porte da Odebrecht. Enquanto a agenda de governo - pública, reconheça-se - previu a venda de até 49% das ações da Casan, os interessados teriam sido recebidos e ouvidos. Depois, diz Colombo, o assunto ficou de lado, o que pode ter gerado decepção por parte da empreiteira. O pessedista avalia que os delatores buscam se proteger e atingir outras pessoas e diz que não será desonra se o STJ abrir inquérito contra ele. Será a arena da defesa.

É importante ouvir Colombo depois de tantos dias em que as delações falaram sozinhas e por si em uma sofisticada narrativa. Há na breve fala do governador esboços dos argumentos de defesa, tanto política quanto jurídica. Expõe uma tentativa de colocar uma palavra contra a outra - sempre considerando que no outro lado existem réus confessos de uma empreiteira que não nega ter na corrupção da política uma expertise tão desenvolvida quanto sua pretensa atividade fim.

O problema é que a primeira fala de Colombo é frustrante na forma e no conteúdo. Sair de Santa Catarina, evitar os jornalistas que detalharam as denúncias, proteger-se limitando as gravações a breves cinco minutos são gestos de esperteza política que não convêm a um momento que exige transparência total. No conteúdo, o governador não traz nada além da negativa. Trata os delatores como ficcionistas de motivação incerta. Sem uma narrativa tão detalhada e convincente quanto a dos acusadores, Colombo ajuda em sua própria desconstrução.

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