Upiara Boschi: futuro de Colombo vai exigir mais que a reiterada resposta de que não vendeu a Casan - Política e Economia - Santa

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Análise Política12/04/2017 | 20h34Atualizada em 12/04/2017 | 20h51

Upiara Boschi: futuro de Colombo vai exigir mais que a reiterada resposta de que não vendeu a Casan

Delações detalham uma relação continuada entre o governador e seus homens de confiança com a Odebrecht

upiara boschi
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Católico declarado, Raimundo Colombo (PSD) não tem levado sorte na Semana Santa. Ano passado, o vazamento das planilhas da Odebrecht que pela primeiras vez colocaram seu nome entre possíveis envolvidos na Operação Lava-Jato aconteceu quatro dias antes da Páscoa. Agora, é o fim do sigilo sobre as delações relativas àquelas planilhas que tira o sono do governador às vésperas da celebração religiosa.

Desde aquele vazamento, especula-se sobre o que significavam os valores e a natureza da relação entre o governador e a empreiteira. Um discurso ganhou força nos bastidores do Centro Administrativo e nos corredores da Assembleia Legislativa: seria caixa 2, um crime menor que não deveria ser confundida com propina —o que se configuraria caso a Odebrecht tivesse recebido algo em troca. A empreiteira não tem ou teve contratos com o Estado na gestão Colombo, o governo não lhe vendeu a Casan, repetem insistentemente as notas oficiais desde então.

O fim do sigilo sobre as delações dos executivos responsáveis pela operação da empreiteira na região Sul e da Odebrecht Ambiental — braço da companhia que atua com saneamento — muda o tom da conversa. As delações não mostram uma relação de troca pura e simples. Não é possível dizer que Raimundo Colombo teria recebido recursos em caixa 2 da Odebrecht em troca da venda da Casan. O que aparece nas delações é o detalhamento de uma relação continuada entre Colombo e seus homens de confiança com a empreiteira. Nessa relação, pelo relato dos delatores, a possibilidade de venda das ações da Casan teria sido utilizada sistematicamente como forma de conquistar recursos para o projeto eleitoral do governador em 2010, 2012 e 2014.

O nível de detalhamento dos depoimentos deve preocupar o Centro Administrativo. São relatos de encontros com hora, local e razão — alguns deles na própria Casa d¿Agronômica. Homens de confiança de Colombo vão surgindo naturalmente nas falas dos delatores. É preciso ser sempre cuidadoso com denúncias e com delações, mas é certo que o futuro político de Colombo e do próprio PSD catarinense vai exigir muito mais que a reiterada resposta de que não vendeu a Casan. Isso todos sabemos, mas não é o que precisa ser explicado.

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