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Indústria do futuro25/05/2017 | 14h23Atualizada em 25/05/2017 | 14h23

Alunos de Joinville criam robôs com peças de lego e softwares

Eles criam na prática protótipos que poderão ser aplicados na indústria. Universidades investem em iniciativas e preparam alunos para o futuro

Alunos de Joinville criam robôs com peças de lego e softwares Maykon Lammerhirt/Agência RBS
Sesi de Joinville proporciona iniciação em robótica para alunos, dos 7 aos 18 anos, no contraturno escolar. Foto: Maykon Lammerhirt / Agência RBS

Criar robôs com peças de lego e programá-los com o auxílio de softwares informatizados é um dos aprendizados de iniciação em robótica para alunos do Sesi de Joinville. A maioria dos estudantes aproveita o contraturno escolar para adquirir conhecimentos, competências e aprender na prática a desenvolver protótipos que podem vir a ser aplicados na manufatura avançada.

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Um desses exemplos foi concebido por um grupo de seis alunos, de 13 a 16 anos, entre eles Maycon Reis e Gabriel Hobold (foto), durante um desafio proposto por uma indústria de pasta base de bananas. O projeto começou no início do ano passado com o objetivo de criar um descascador de bananas automático. 

 A proposta era desenvolver uma máquina em que não fosse necessário o descasque com o auxílio das mãos. Em três meses o protótipo foi finalizado e, se aplicado na indústria, pode substituir o trabalho repetitivo dos operários e evitar possíveis acidentes causados pelo corte com facas.

Gabriel Hobold (cinza) e Maycon Reis (azul) operam protótipo de máquina que descasca bananas de forma automática. Foto: Maykon Lammerhirt / Agência RBS

Na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o número de alunos que começam, por iniciativa própria, projetos dentro do contexto da internet das coisas (IoT) é cada vez maior. Pelo menos três trabalhos estão em curso sob coordenação do Laboratório de Produtividade e Melhoria Contínua (LPMC). Um deles, envolvendo gestão de energia; outro, voltado para o setor de alimentos; e um terceiro, para o desenvolvimento de serviços diversos aplicados à IoT.

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Conforme o professor responsável pelo núcleo, Diego Fettermann, a velocidade com que as inovações tecnológicas estão ocorrendo, acaba deixando currículos acadêmicos defasados. Para suprir essa necessidade, a universidade tem promovido palestras e debates sobre o tema.

- Foi verificada a necessidade dos alunos em ter essa atualização e medidas já estão sendo feitas, principalmente na forma de palestras. Também existem nos cursos de engenharias, núcleos docentes estruturantes que são atualizados periodicamente, mas a rapidez com que as tecnologias estão evoluindo ainda causa uma certa dificuldade de atualização - cita.

Um dos projetos em execução é o Conecta, feito pelo aluno de engenharia de materiais Jadson Barbosa, que pretende gerar negócios a partir do desenvolvimento de um produto de gestão de energia. Trata-se de um dispositivo que ajuda a reduzir o consumo energético de uma residência de 15% a 20%. O monitoramento do consumo pode ser feito pelo próprio consumidor ao acionar remotamente equipamentos elétricos através de um aplicativo de celular. O projeto começou a ser desenvolvido em março deste ano depois que o estudante voltou de um intercâmbio da Alemanha, berço da indústria 4.0.

Udesc mantém mini fábrica de experimentação desde 2013. Unidade recebeu investimento de cerca de R$ 1.5 milhão. Foto: Udesc Joinville / Divulgação

Em ritmo mais avançado, a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) mantém desde 2013 o Laboratório de Automação da Manufatura no departamento de Engenharia Elétrica. O professor André Leal conta que o local abriga uma mini fábrica experimental com as mesmas tecnologias usadas na indústria, mas em dimensões menores. - Foram investidos cerca de R$ 1.5 milhão em equipamentos, entre eles, três robôs e máquinas CNC, de torno e fresadora - diz. O local é mantido com recursos da própria instituição e do governo estadual.

A Universidade da Região de Joinville (Univille) aborda as transformações da indústria dentro de disciplinas de mestrado de Engenharia de Processos e Design. Na graduação, o tema é debatido nas turmas de administração, engenharias e design, este último já trabalha com soluções de materiais voltados especificamente para o conceito 4.0. O tema também será destaque no 4º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento da Engenharia Industrial, que acontece entre os dias 30 de maio e 1º de junho na UniSociesc Marquês de Olinda, em Joinville.

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A maior cidade catarinense sedia dois dos 25 institutos de inovação do Senai no Brasil. Joinville detém, em sua zona industrial, as únicas unidades do País voltadas para pesquisas e prestação de serviços em processamento de materiais a laser e sistemas de manufatura.

Mantidas com recursos próprios e por meio de parcerias com empresas, universidades e entidades de referência como a sociedade alemã Fraunhofer, as unidades joinvilenses foram criados em 2014 e já receberam investimentos na casa de R$ 50 milhões.

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Máquina do Instituto de Inovação do Senai produz peças de materiais diversos que podem ser usadas na indústria. Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Segundo André Zanatta, diretor do Instituto Senai de Inovação em Sistemas de Manufatura, um dos investimentos recentes foi a compra de uma máquina de impressão 3D de metais a laser. O equipamento foi importado dos Estados Unidos e custa R$ 10 milhões. A instalação da máquina está prevista para o dia 14 de agosto.

Entre os recursos utilizados pela instituição também estão materiais para a fabricação de peças diversas e permitem que objetos complexos sejam criados para atender demandas de setores de metalmecânica, energia, automotivos, médicos, aeroespacial, entre outros. 

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Um dos projetos que está em andamento no instituto, por exemplo, tem custo total aproximado de R$ 1 milhão. A proposta, feita em parceria com uma indústria, consiste em desenvolver um equipamento de estampagem incremental, estiramento e usinagem de materiais moles.

O objetivo do maquinário, depois de pronto, é reduzir o custo de prototipagem de peças e possibilitar a modelagem de formas simétricas e assimétricas com maior eficiência.

 
 

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