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Indústria 4.025/05/2017 | 13h37Atualizada em 27/05/2017 | 13h15

Confira quais são as competências essenciais do profissional do futuro

Formação multidisciplinar, habilidades técnicas, sociais, cognitivas e na tomada de decisão fazem serão essenciais para quem vai atuar no futuro

Confira quais são as competências essenciais do profissional do futuro /

Jefferson de Oliveira Gomes, diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/SC) e professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), diz que das 3.5 bilhões de pessoas que têm contrato de trabalho no mundo, ao menos 1 bilhão trabalha em profissões que não existiam antes de 2011. Ele aponta ainda que não é possível traçar um perfil exato de quem é o profissional do futuro, mas é preciso que as pessoas invistam em uma preparação multidisciplinar.

— Ainda haverá espaço para os atuais modelos desde que tudo seja transbordado pelo conjunto dessas tecnologias, mas quem vai se destacar é o profissional multitarefas, "gamificados" e que trabalham diferentes habilidades, sociais, cognitivas e nas tomadas de decisão. Existem técnicas para isso — explica.

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A opinião é compartilhada pelo gerente educacional do Senai Joinville, Raphael da Silveira Geremias. Segundo ele, a instituição baseia a formação de seus alunos considerando demandas solicitadas pela indústria e já acompanha as mudanças e previsões a curto e médio prazo.

Parcerias com grandes indústrias e setores de tecnologia, palestras e equipamentos inovadores refletem nos cursos preparatórios que englobam a temática. Somente no ano passado, as unidades do Senai no Norte Catarinense efetuaram 14 mil matrículas nos níveis de aprendizagem industrial, técnico e de graduação e pós-graduação.

Foto: Arte de Robson Brunning

— Nossa metodologia se baseia em projetos integradores em que esses alunos podem unir conhecimentos de várias unidades curriculares. Estamos formando mecânicos, mecatrônicos, eletricistas, técnicos em várias áreas para exercerem funções que ainda não foram criadas. Então associamos a profissão deles a um mix de competências que serão necessárias para que ele possa assumir funções no futuro — destaca.

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Além da formação de novos profissionais, a entidade oferece cursos de atualização segmentados para funcionários de empresas que passam por processos de inovação. Um terceiro meio preparatório envolve os próprios professores que ministram cursos no campo das novas tecnologias. Cerca de 60 educadores de todo o estado, incluindo 14 da região, participam do Master Business Inovation, MBI voltado para a educação do profissional do futuro.

— É difícil prepararmos os estudantes sem antes preparar os professores. Temos que dar condições para que eles possam ensinar adequadamente aos alunos as competências que a indústria 4.0 vai exigir. Temos uma mudança também de gerações e o grande desafio da educação é fazer essa integração — reitera Raphael.

Quais são as competências essenciais deste profissional do futuro

HABILIDADES
Cognitivas- Flexibilidade cognitiva; criatividade, raciocínio lógico, sensibilidade para problemas, raciocínio matemático e visualização. Físicas- Força física e destreza manual e de precisão.

COMPETÊNCIAS BÁSICAS
De conteúdo- Aprendizagem ativa, expressão oral, compreensão de leitura, expressão escrita, alfabetização TIC De processo- Escuta ativa, pensamento crítico e monitoramento próprio e dos outros. 

COMPETÊNCIAS TRANSVERSAIS
Sociais- Coordenação de equipe, inteligência emocional, negociação, persuasão, orientação de serviço e treinamento de pessoas. Sistêmicas- Julgamento e tomada de decisão e análise sistêmica. Para solucionar problemas complexos- Solução de problemas complexos. 

Gestão de recursos- Gerenciamento de recursos financeiros, gerenciamento de recursos materiais, gestão de pessoas e gestão do tempo. Técnicas- Reparo e manutenção de equipamentos, controle e operação de equipamentos, programação, controle de qualidade, tecnologia e design de experiência de usuário e solução de problemas

As competências que fazem a diferença

As competências exploradas tanto pelo Senai quanto pelo método educacional do Serviço Social da Indústria (Sesi), voltado para crianças e jovens dos 7 aos 18 anos, levam em conta o relatório do Fórum Econômico Mundial, divulgado em janeiro de 2016.

Senai explora método educacional voltado para competências que serão necessárias para encarar as tecnologias avançadas. Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Segundo o documento, serão essenciais para se destacar no ambiente de trabalho, o desenvolvimento de habilidades cognitivas e físicas como criatividade e raciocínio lógico, além de força física e destreza manual. Também serão importantes fortalecer competências básicas como expressão oral e escrita e competências transversais, que vão da gestão de tempo ao poder de persuasão, negociação e controle emocional.

Esse conjunto, aliado a uma especialização constante, serão os responsáveis por definir o sucesso profissional de quem deixa as universidades hoje. A avaliação é da coordenadora da faculdade Senai de Joinville, Denise Rengel, que ressalta que quem faz um curso superior e "acha que acabou", principalmente em um setor de constante movimento, terá dificuldades para se destacar no mercado de trabalho.

— Como é que esse profissional do futuro se conecta com a indústria 4.0? Ele só vai se conectar se estudar muito porque não é essa indústria avançada, que vai estar totalmente conectada, que vai tirar o trabalho das pessoas, são as pessoas, se elas não estiverem preparadas para essa mudança, aí elas realmente terão dificuldades em conseguir trabalho — salienta.

Jefferson Gomes, diretor regional do Senai/SC, fala da necessidade cada vez maior de requalificação profissional. Foto: Divulgação / Divulgação

A necessidade de requalificação também é defendida por Jefferson de Oliveira Gomes. 

— Em Santa Catarina, metade das 766 mil pessoas que trabalham nas indústrias terá 45 anos ou mais, isso daqui a três ou quatro anos. E 1/3 dos trabalhadores estará com mais de 30. É necessário investir em uma requalificação dessas pessoas para que elas saibam como atender a essas demandas — pontua.

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'Profissões que serão exercidas daqui 20 ou 30 anos sequer existem ou estão sendo estudadas nas escolas', diz especialista. Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Pode parecer estranho, mas muitas das profissões que serão exercidas daqui 20 ou 30 anos sequer existem ou estão sendo estudadas nas escolas. Quem afirma é o empresário Albano Schmidt, presidente da Termotécnica, empresa que é uma das maiores transformadoras de EPS (isopor) da América Latina e líder nacional de embalagens para produtos industriais. Para Albano, a tendência é haver uma migração de empregos e, para que essa transição aconteça de maneira adequada, o processo de capacitação terá de ser aprimorado.

— A indústria que conhecemos hoje, com centenas de trabalhadores, está com os dias contados. No futuro, as fábricas terão muita automação e isso vai abrir oportunidades para as pessoas se capacitarem, pois elas terão de saber como mexer nas máquinas. Na verdade, os operadores de máquinas serão programadores — diz Schmidt.

E o empresário tem razão. Em média, um terço das funções profissionais que conhecemos hoje não existiam há dez anos e, no futuro, 65% das crianças que estão na escola vão trabalhar em profissões ainda desconhecidas. A avaliação é do Fórum Econômico Mundial (FEM), que demonstra os reflexos do avanço das novas tecnologias no mercado de trabalho. 

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Os sistemas inteligentes vêm ganhando espaço e causando impactos principalmente na indústria, que além de transformar processos busca respostas para uma questão-chave: quem é o profissional do futuro?

O desenvolvimento progressivo da chamada `inteligência artificial¿, da robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia, por exemplo, está automatizando e interligando processos e serviços antes operados apenas pelo homem. Outros eram impensáveis. Essa `substituição¿ provocada pela indústria 4.0 em determinadas funções gera incertezas para milhares de trabalhadores e corrobora para a pergunta acima.

A estimativa do FEM é que até 2020 essa revolução feche cerca de 7,1 milhões de vagas de emprego no mundo. As funções mais ameaçadas são as de escritório e administrativas. Em contrapartida, devem ser abertos outros 2 milhões de novos empregos, no qual se destacam analistas de dados, especialistas em diversas áreas tecnológicas e representantes de vendas especializadas. 

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O Brasil está no grupo de países, segundo o relatório, em que a falta de profissionais qualificados poderá influenciar em um déficit na competitividade industrial.

Em sua passagem por Joinville, o executivo Richard Soley, especialista no conceito de indústria 4.0, destacou que essa perda de empregos já aconteceu no início de outras revoluções, mas que com a criação de novos mercados, as vagas deverão ser repostas.

Ele citou como exemplo a popularização a internet na década de 1990, que criou a figura do ¿webmaster¿, responsável por empregar milhares de pessoas. Desta vez, as funções devem exigir uma nova gama de qualidades e competências que já permeiam o aprendizado nos centros técnicos e universidades catarinenses.

 
 

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