Internet industrial impõe uma nova realidade para empresas e trabalhadores, dizem especialistas  - Política e Economia - Santa

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Expogestão11/05/2017 | 15h44Atualizada em 11/05/2017 | 15h45

Internet industrial impõe uma nova realidade para empresas e trabalhadores, dizem especialistas 

Richard Soley, diretor executivo do Industrial Internet Consortium, e Gilberto Peralta, presidente da GE Brasil, discutiram o tema na manhã desta quinta-feira, em Joinville

Internet industrial impõe uma nova realidade para empresas e trabalhadores, dizem especialistas  Salmo Duarte/Agencia RBS
Richard Soley é uma das referências no assunto Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Conectar pessoas, cidades, empresas e até objetos a máquinas inteligentes parecia distante há poucos anos, mas hoje já é uma realidade global. O tema ganhou voz no último dia da Expogestão 2017, na manhãs desta quinta-feira, em Joinville, com as palestras de Richard Soley, diretor executivo do Industrial Internet Consortium (IIC), iniciativa que conta com cerca de 300 associados, e Gilberto Peralta, CEO da General Electric (GE) no Brasil.

Ligados as novas tecnologias digitais e tendências de mercado, eles destacaram o mundo que se desenha a partir da chamada internet industrial. O termo ganhou força a partir da criação do IIC, em 2014, nos Estados Unidos, e conta com participação direta de grandes empresas, universidades e governos de mais de 30 países que investem em inovação. Entre elas estão nomes como IBM, Intel, Cyber X, além da brasileira Pollux Automation, com sede em Joinville.

Segundo Soley, a ideia por traz da internet industrial é simples: pegar a tecnologia da internet, por meio de sensores e softwares, e aplicá-la em sistemas operacionais, gerando comunicação de dados entre o ambiente digital com pessoas, máquinas ou serviços. Estimativas apontam que até 2020 serão 50 bilhões de aparelhos conectados à internet, possibilitando a geração de mais de US$ 15 trilhões, em negócios, com produtos, serviços e mercados ainda inexistentes.

— Está havendo essa quebra da separação entre o operacional e as tecnologias de informação. A questão é: temos que aprender juntos como usufruir dessas tecnologias e renovarmos esses setores. Estamos buscando juntos como usar a tecnologia da internet para geração, transmissão e aplicação dessas inovações aos sistemas de saúde, mineração, aviação, etc. — evidenciou.

Na prática, algumas das tecnologias já são feitas em empresas como a global GE, considerada uma das pioneiras e maiores incentivadoras da Internet Industrial. Operando há 96 anos no Brasil, a multinacional americana investe cerca de US$ 3 bilhões, por ano, no desenvolvimento de uma plataforma digital que coleta dados em nuvem.

A Predix é responsável por gerar, armazenar e disponibilizar informações em tempo real "na hora certa e para as pessoas certas", diz Peralta.

— A GE gera cerca de um bilhão de dados todos os dias, ainda não sabemos como usar todas essas informações, mas trabalhamos para entender qual o significado delas e como fazer o melhor uso para produzir resultados mais eficientes e ágeis. Quem fizer uso disso terá crescimento muito grande do ponto de vista digital – apontou.

Segundo ele, a automação das linhas de produção e um controle de mídia flexível pode melhorar a utilização da linha de 10 a 20%, impactando na redução de falhas não planejadas. Outros benefícios apontados são a redução dos custos operacionais, aumento da produtividade e melhora na qualidade dos serviços.

— Estimativas indicam que, em 15 anos, de 30 a 40% das profissões que vão existir ainda não existem. Nossa missão é buscar o novo, olhar para o lado com foco no futuro, pois temos a missão de encontrar o que vem pela frente.

A realidade brasileira diante desse cenário ainda está começando, impulsionada pela criação, no ano passado, da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII). Para os painelistas, para que o País consiga fortalecer a busca por inovações no futuro e não fique para trás em competitividade com outros mercados é preciso investir na educação básica, considerada deficitária.

Para Peralta, Brasil ainda está atrás de países europeus e dos EUA Foto: André Kopsch / Divulgação

— Investir nas universidades é necessário, mas o investimento deve começar na educação básica, dos seis aos dez anos. Temos algumas boas escolas, mas no geral ainda há uma qualidade muito baixa e isso impacta lá na frente — ressalta Peralta.

Exemplos de Aplicabilidade
Algumas das mudanças que as tecnologias digitais estão proporcionando para pessoas e processos foram exemplificadas durante o encontro. Conforme Richard Soley, até 2020 o número de objetos conectados à internet será aproximadamente sete vezes maior que o número de pessoas que há na Terra hoje.

— Em uma cidade do Sul da Irlanda, o governo está conectando a tecnologia a recursos nacionais da saúde, de dados dos pacientes, com recursos municipais dessa província, o serviço ambulatorial. Quando há um atendimento em curso, o hospital já tem acesso aos dados desse paciente, sabe se ele tem alguma doença ou algo que requer tratamento especial e agiliza o atendimento – conta Soley.

No Brasil, iniciativas também já deram resultados. Conforme Peralta, um exemplo claro da tecnologia influenciando no dia a dia das pessoas ocorreu nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A empresa criou um programa de treinamento com sensores e dois anos antes já colhia resultados. Nas Olimpíadas, a modalidade trouxe medalhas inéditas para o Brasil.

Para ele, apesar de abrir novas perspectivas para o tema, o País ainda não acompanha o ritmo de países da Europa e também os Estados Unidos.

— Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que 58 % das empresas brasileiras dizem reconhece a importância digital, mas menos da metade as utiliza. O Brasil ainda está se familiarizando com o tema e precisa acelerar para não ficar em desvantagem digital — explicou.

 
 

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