Mudança no perfil do trabalhador pode ser benéfica para o mercado de emprego, diz economista - Política e Economia - Santa

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Avaliação25/05/2017 | 07h10Atualizada em 25/05/2017 | 10h42

Mudança no perfil do trabalhador pode ser benéfica para o mercado de emprego, diz economista

André Schneider acredita que os empresários poderão investir em outras frentes e no desenvolvimento das pessoas

Mudança no perfil do trabalhador pode ser benéfica para o mercado de emprego, diz economista Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Tecnologia pode ser vista como uma aliada, destaca André Schneider Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Os avanços tecnológicos e a robotização de setores podem ser benéficos para o mercado de empregos. É o que afirma o economista e sócio-diretor da Legado Investimentos, André Schneider. Na avaliação dele, a partir do momento que as máquinas substituem os empregos de base, ocorre uma redução importante dos custos operacionais e abre-se a possibilidade de investimentos em outras frentes, como desenvolvimento de pessoas e de inovação.

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Com isso, diz Schneider, as indústrias poderiam contratar profissionais mais bem preparados e remunerados, aumentando a capacidade de consumo deles.

– A elevação no consumo impacta diretamente nas áreas de serviços e de comércio, que também terão aumento nas receitas e irão gerar novos empregos, absorvendo a mão de obra da indústria. Ou seja, a robotização e a automação, apesar de reduzirem, num primeiro momento, o volume de empregos, tendem a mudar a dinâmica da economia, criando uma dependência muito menor da indústria e agregando valor à economia – afirma.



Para Schneider, o profissional do futuro terá um perfil muito diferente do atual, justamente porque se exigirá preparo técnico e habilidade para solucionar problemas e agregar valor, além de ter a capacidade de lidar com pessoas.

O economista destaca ainda um novo modelo de empreender, que vem ganhando força e ganhando espaço nos últimos anos: o das empresas cadastradas como microempreendedora individual (MEI). Esse tipo de atividade cresceu bastante nesta década devido à crise econômica no País.

– As pessoas que buscam a formalidade por meio de iniciativas como o MEI estão empreendendo e tendem a se desenvolver, saindo de empregos de base da indústria, com alta dependência de cenários econômicos, e entrando na área de serviços. Isso é uma vantagem se comparado ao mercado informal, no qual as pessoas perdem qualidade de vida – explica.

Tecnologia desempenha papel decisivo

Para a economista e professora universitária Anemarie Dalchau, a tecnologia desempenha fator decisivo para a melhoria da produtividade e da competitividade da indústria em Joinville e se tornou a única opção para a sobrevivência deste segmento econômico na cidade.

Contudo, diz ela, o processo traz consigo outro desafio às empresas: o da atualização e da especialização da mão de obra para conduzir essa modernização, tanto no modo de produção, quanto no de gestão de negócios.

 – O fator trabalho é o mais atingido pelas inovações tecnológicas e deve ser cuidadosamente planejado para não comprometer negativamente o indicador macroeconômico que mais aflige os gestores públicos: o desemprego – afirma.

Na opinião da economista, o desemprego conjuntural, aquele que está relacionado às crises econômicas e o desemprego estrutural, cuja origem está na adoção de novas tecnologias e processos, têm tirado o sono dos trabalhadores em todos os setores econômicos.

No setor secundário, por exemplo, isso é percebido nos números divulgados pelo Caged sobre a geração de empregos na indústria.

– Além da crise econômica, o que tem levado à diminuição de contratações é o avanço das tecnologias. Por isso, o profissional atual e o do futuro precisam se especializar, ter em mente que não basta fazer faculdade, que é uma obrigação. As empresas, cada vez mais, exigirão tanto competências específicas – aquelas inerentes ao cargo –, quanto para relacionamentos interpessoais. Saber fazer e saber ser serão condições indispensáveis – alerta a economista.

Em relação ao fechamento de postos de trabalho em Joinville nos últimos anos, Anemarie cita como parâmetro uma área importante da economia industrial: o comércio exterior. Segundo ela, em 2010, o superávit da balança comercial – quando se exportam mais produtos do que se importam – da cidade foi de US$ 231,3 milhões; no ano passado, o movimento foi contrário e o déficit chegou a US$ 491,7 milhões. 

Foto: Juliano Souza / Joinville
 
 
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