Operação 30 graus: Gaeco faz buscas na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú - Política e Economia - Santa

Polícia09/05/2017 | 11h10Atualizada em 25/05/2017 | 12h28

Operação 30 graus: Gaeco faz buscas na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú

Operação é resultado de  investigação que apura alterações no trânsito e no Plano Diretor da cidade para favorecimento de obras

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou na manhã desta terça-feira a Operação 30 graus, que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios e na Câmara de Vereadores  de Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense. A ação é resultado de uma investigação que apura alterações no Plano Diretor da cidade para favorecimento e vantagens ao setor de construção civil. No total, 20 pessoas são suspeitas de participar do esquema.

O nome da operação faz referência à negociação de um projeto de lei que alterou o índice de declividade de 30% para 30º, visando atender interesses de empreendimentos particulares, pois permitiu aumento de área construída nas cotas altas do terreno. Estão sendo apurados crimes contra a administração pública, especialmente atos de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados.

Por volta das 8h30min, a força-tarefa do Gaeco fez diligências nos gabinetes dos vereadores Asinil Medeiros (PR), Roberto Souza Junior (PMDB), Moacir Schmidt (PSDB) e Elizeu Pereira (PMDB). Do local, computadores e documentos foram levados pela polícia. Segundo o Gaeco, os agentes públicos teriam aprovado projetos relacionados a construções na cidade em troca de dinheiro.

Procurado pela reportagem, o vereador Roberto negou a existência de um esquema. Segundo ele, não houve nenhuma negociação envolvendo mudanças nos projetos sobre o Plano Diretor.

— Não procede isso. Em momento algum a gente fez algo pra prejudicar ou mudar alguma coisa nesses projetos. Para ser sincero, eu não sei de que projeto se trata essa investigação. Vou procurar agora — declarou. 

O vereador Moacir informou que não vai se pronunciar por enquanto em razão de ainda não ter acesso aos autos. Os vereadores Asinil e Elizeu não foram localizados até as 19h20min desta terça-feira.

À noite, a Câmara de Vereadores de Balneário emitiu uma nota oficial sobre a ação. Confira na íntegra:

A Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú informa que desde as primeiras horas desta terça-feira acompanhou a ação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A força tarefa denominada "Operação Trinta Graus – 30°", cumpriu mandados de busca e apreensão em residências, escritórios e órgãos públicos.

Na sede do Legislativo foram feitas buscas em gabinetes parlamentares onde documentos foram averiguados. A presidência da Câmara Municipal comunica que está à disposição para auxiliar as investigações e salienta que os citados apresentarão suas defesas assim que forem requeridos.

Operação

A investigação começou em 2016 com base em notícias veiculadas na imprensa e depoimento de empresário ligado ao ramo da construção civil, relatando exigências feitas por vereadores, com intenção de obter vantagens indevidas, para o trânsito e aprovação de projetos de lei para alterações no Plano Diretor de Balneário.

Em coletiva no Tribunal do Juri de Balneário Camboriú, na tarde desta terça, o Gaeco apenas confirmou as linhas gerais da investigação e que todos os mandados foram cumpridos. Não foram divulgados volumes de materiais apreendidos — que incluem documentos e celulares dos suspeitos — nem confirmados os nomes de nenhum envolvido. O Gaeco é uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de SC, Polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal e Secretaria Estadual da Fazenda.

Sem relação com ação da PF

Apesar de ter o mesmo foco — a construção civil no litoral —, a operação do Gaeco não tem nenhuma relação com a ação da Polícia Federal também deflagrada nesta terça, em Itajaí e Balneário. A Operação Conexão Miami tem como alvo uma suposta associação criminosa. De acordo com a PF, estariam envolvidos empresários do ramo da construção civil de Itajaí e Balneário Camboriú, dois doleiros denunciados em uma operação em 2015, dois empresários americanos e um alemão — representantes de uma marca internacional de veículos de alto luxo — e dois corretores de imóveis.

Ao todo, 45 policiais foram mobilizados para cumprir nove mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária nas duas cidades. Há ainda uma cooperação internacional para o interrogatório de três empresários estrangeiros nos Estados Unidos e na Alemanha. A suspeita é de que a organização criminosa tenha movimentado de forma fraudulenta mais de R$ 13 milhões.

Terra de gigantes: Balneário Camboriú tem 9 entre os 10 prédios residenciais mais altos do país

Foto: Arte / DC

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