Para vice-presidente da Fiesc, setor industrial passa por uma profunda transformação - Política e Economia - Santa

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Avaliação25/05/2017 | 07h05Atualizada em 25/05/2017 | 10h47

Para vice-presidente da Fiesc, setor industrial passa por uma profunda transformação

Mario Cezar de Aguiar entende que a indústria precisa desenvolver novas formas de gestão e de engenharia para aproveitar as oportunidades

Para vice-presidente da Fiesc, setor industrial passa por uma profunda transformação Divulgação/Fiesc
Aguiar é presidente do Sinduscon de Joinville  Foto: Divulgação / Fiesc

As transformações que se aproximam da indústria são vistas como algo positivo pelo vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Joinville, Mario Cezar de Aguiar.

Para ele, o setor industrial e a sociedade como um todo já vivem uma profunda transformação no mundo dos negócios, principalmente por causa da chegada da manufatura avançada ou internet industrial nas linhas de produção das fábricas.

– A indústria precisa desenvolver novas formas de gestão e de engenharia da cadeia produtiva, perceber as oportunidades e ter a capacidade de inovação para aproveitá-las – diz.

De acordo com Aguiar, o Caged mostra que, há sete anos, o setor da indústria e da construção civil de Joinville contabilizava mais de 87 mil trabalhadores empregados. Cinco anos depois, esse número baixou para 31,6 mil, ou seja, uma queda superior a 63% no período.

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Mudança no perfil do trabalhador pode ser benéfica para o mercado de emprego, diz economista 

Para o dirigente, a questão do emprego precisa ser entendida sob dois enfoques. Um deles é o da conjuntura econômica; o outro, das transformações tecnológicas.

Segundo o vice-presidente da Fiesc, nos últimos dois anos, o Brasil viveu um período de forte retração no emprego, com o fechamento de aproximadamente dez mil vagas em Joinville. Contudo, no primeiro trimestre deste ano, o setor já deu sinais de retomada, com saldo positivo de 1,6 mil postos de trabalho.

Aguiar explica que os reflexos da conjuntura são mais intensos e imediatos. Em relação às transformações tecnológicas e de gestão, elas mudam a forma de fazer as coisas.

– A indústria 4.0 muda o perfil do emprego, e os seus reflexos são graduais, de longo prazo. Em 2010, Joinville tinha 184 mil empregos, sendo que aproximadamente 80 mil estavam na indústria. Tivemos um auge em 2014, com 208 mil empregos, e fechamos 2015 com 199 mil empregos, dos quais 76 mil na indústria. Ainda que afetada pela crise, houve a ampliação de postos de trabalho, mas uma pequena redução da participação da indústria na geração de emprego – ressalta.



Diante desse cenário, Aguiar não tem dúvidas de que, para sobreviver, o profissional do futuro terá de incorporar novas habilidades e competências.

 – As mudanças são muito rápidas. Hoje, 30% dos empregos não existiam há dez anos, e 65% das crianças de hoje vão realizar tarefas que ainda não existem. Isso pode e vai gerar instabilidades e lacunas. Temos, então, um desafio de todos os segmentos da sociedade para a capacitação para essas novas demandas – reforça.

Empresário com forte atuação em Joinville, Aguiar ressalta que Joinville ganhou, entre os anos de 2010 e 2015, em torno de 500 novas indústrias (uma média de cem por ano), e cerca de 2 mil novos estabelecimentos comerciais. Esses números, diz ele, se devem, especialmente, às microempresas.

– O espírito empreendedor do catarinense responde a incentivos de maneira positiva. Uma parcela do emprego também está migrando dos estabelecimentos de grande porte para os de pequeno porte. Neste sentido, é importante que se tenha um cenário mais inclusivo às micro e pequenas empresas, com políticas específicas para este setor, abarcando tanto questões de acesso a crédito, quanto facilidades de contratação de trabalhadores – diz. 


Foto: Arte: Juliano Souza / Joinville


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