Temer é gravado dando aval para compra do silêncio de Cunha, diz jornal - Política e Economia - Santa

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Mesada na prisão17/05/2017 | 19h54Atualizada em 18/05/2017 | 09h48

Temer é gravado dando aval para compra do silêncio de Cunha, diz jornal

Donos da JBS entregaram o material ao ministro Edson Fachin em delação premiada ainda não homologada

Temer é gravado dando aval para compra do silêncio de Cunha, diz jornal DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO
Zero Hora
Zero Hora

Correção: diferentemente do informado no título e no texto das 19h54min às 20h07min, a conversa entre Temer e o presidente da JBS foi gravada em áudio, e não filmada, segundo o jornal O Globo. O texto foi corrigido.

Os donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, gravaram o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As gravações foram oferecidas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin na quarta-feira passada (10) em delação premiada ainda não homologada. As informações são do jornal O Globo.

Na gravação, de acordo com o jornal, Temer indica a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Em outra gravação, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. 

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De acordo com o jornal, Temer e Joesley se encontraram no Palácio do Jaburu em 7 de março por volta das 22h30min. Na conversa, que durou cerca de 40 minutos, Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: 

— Tem que manter isso, viu?.

Aos procuradores, Joesley disse que não foi Temer quem solicitou o pagamento da mesada, mas que o presidente sabia dos pagamentos.

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Esta e a primeira vez que a força-tarefa da Lava-Jato fez "ações controladas" — em um total de sete — para obter prova flagrante. A ação foi adiada para que a polícia conseguisse um momento mais oportuno para o avanço da investigação.

O delator também disse que o ex-ministro Guido Mantega era o seu contato com o PT para o pagamento de propinas. Mantega também cuidava dos interesses da empresa no BNDES.

O senador Aécio Neves também foi gravado, pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

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O que pesa contra os citados na delação:

A acusação contra Temer
Em gravação feita por Joesley Batista, Michel Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para receber R$ 500 mil como propina para resolver um assunto do interesse da JBS. Temer também avalizou o repasse de dinheiro para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Funaro, ambos presos.

— Tem que manter isso, viu? — incentiva Temer. 

A acusação contra Aécio
Em gravação, Joesley Batista registra o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), pedindo R$ 2 milhões. A entrega do dinheiro a um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, foi filmada pela Polícia Federal (PF). Rastreamento posterior feito pela PF demonstra que o dinheiro foi depositado em uma empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

A acusação contra Mantega
Joesley Batista relatou ao Ministério Público Federal que seu contato no PT era o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo o empresário, Mantega defendia os interesses da JBS no BNDES e repassava a propina aos petistas e aliados. 

A acusação contra Cunha
Joesley afirmou ainda aos procuradores que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha. O dinheiro foi entregue após o ex-deputado ser preso. O pagamento seria referente a um saldo de propina. Joesley disse que devia mais R$ 20 milhões a Cunha pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

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CONTRAPONTO

Michel Temer
Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que o presidente "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha". "Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República", diz o texto. "O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados", conclui.

Aécio Neves
Por meio de nota, o senador Aécio Neves disse estar "absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos. No que se refere à relação com o senhor Joesley Batista, ela era estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público. O senador aguarda ter acesso ao conjunto das informações para prestar todos os esclarecimentos necessários".

Eduardo Cunha
À Rede Globo, a defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados afirmou que não vai comentar o caso.

Guido Mantega
Zero Hora está tentando contato com a assessoria de imprensa do ex-ministro, mas ainda não teve retorno.

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