Upiara Boschi: Dário deve se preocupar mais com a lealdade em xeque do que com suposto caixa 2 - Política e Economia - Santa

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Análise24/05/2017 | 06h02Atualizada em 24/05/2017 | 06h02

Upiara Boschi: Dário deve se preocupar mais com a lealdade em xeque do que com suposto caixa 2

Upiara Boschi: Dário deve se preocupar mais com a lealdade em xeque do que com suposto caixa 2 Maurício Vieira/Agencia RBS
Dário Berger declarou voto em Luiz Henrique em 2015, mas delator da JBS garante que ele votou em Renan Calheiros Foto: Maurício Vieira / Agencia RBS

Em fevereiro de 2015, o catarinense Luiz Henrique da Silveira (PMDB) ousou enfrentar Renan Calheiros (PMDB-AL) na disputa pela presidência do Senado. Conquistou o apoio da então oposição, liderada pelo PSDB, e apresentou-se como um nome independente para cabular alguns votos entre petistas que desejavam se livrar o alagoano e de suas práticas. A estratégia chegou a ameaçar o cacique, mas Luiz Henrique não conseguiu os votos suficientes e acabou derrotado por 49 votos a 31. Pouco mais de três meses depois, um infarto tiraria LHS da vida e da política.

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As delações da JBS que abalaram mais uma vez a República mostram que até esta disputa interna teria sido maculada pela sanha doadora da multinacional de alimentos. Ainda no período eleitoral de 2014, afirma o executivo Ricardo Saud, Renan Calheiros resolveu ajudar candidaturas ao Senado que poderiam resultar em votos para a presidência. Em Santa Catarina, identificou em Dário Berger (PMDB) - que enfrentava Paulo Bornhausen (PSB) em disputa acirrada - alguém com essa característica. Teria intermediado R$ 1 milhão em dinheiro vivo da JBS para fortalecer a campanha do peemedebista - eleito por 42,82% contra 38,38% do pessebista.

Se fosse só mais um das centenas de relatos de doações da JBS em caixa 1 ou 2, é possível que o episódio caísse na vala comum das negativas em nota oficial e do posterior discurso de que ¿todos recebiam¿, como se ensaia tantas vezes. No entanto, a suspeição levantada pelo delator atinge a lealdade de Dário ao principal líder do PMDB catarinense.

A negativa do senador catarinense veio enfática na tarde de ontem. A ênfase é necessária porque ele precisa convencer o eleitor e a aguerrida militância peemedebista de Santa Catarina, onde Dário sempre conviveu com a pecha de ser pouco partidário.

Precisará ser muito convincente, porque o episódio tem tudo para tirá-lo da lista do partido para concorrer ao governo ano que vem - integrada também pelo vice-governador Eduardo Pinho Moreira, pelo deputado federal Mauro Mariani e pelo prefeito joinvilense Udo Döhler. É a primeira vez que as delações, sejam Odebrecht ou JBS, atingem de forma contundente um possível candidato em 2018. Até então, o alvo era o PSD do governador Raimundo Colombo, com balas perdidas sobrando para o deputado estadual Gelson Merisio (PSD), o pré-candidato do partido.

É curioso que Dário e Merisio sejam justamente os nomes que invabilizariam a manutenção do sociedade PSD/PMDB em uma nova disputa pelo poder no Estado. Com eles fora da cabeça-de-chapa, seria mais fácil reconstruir a aliança - especialmente em torno de Udo Döhler, empresário que abraçou a política e que se manteve longe de escândalos desde então.

Quando Luiz Henrique morreu, dizia-se que era o único que conseguiria manter pessedistas e peemedebistas juntos, candidatando-se ele mesmo ao governo em 2018. É possível que o cenário pós Lava-Jato recoloque um nome do PMDB de Joinville na proa.  


 
 

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