Assembleia dará cheque em branco ao governo do Estado  - Política e Economia - Santa

Versão mobile

Upiara Boschi21/06/2017 | 03h00Atualizada em 21/06/2017 | 13h34

Assembleia dará cheque em branco ao governo do Estado 

Ao aprovar autorização para novo financiamento de R$ 1,5 bilhão, nenhum parlamentar da Comissão de Finanças interessou-se em saber as condições do empréstimo. Importante era o dinheiro novo e, principalmente, poder palpitar sobre o destino dos recursos e como levá-los para suas bases às vésperas do ano eleitoral.

Primeiro, a notícia: a Assembleia Legislativa deve aprovar nesta quarta-feira sem maiores transtornos a autorização para o governo estadual pedir até R$ 1,5 bilhão em financiamentos ao BNDES e ao Banco do Brasil. Estará, assim, garantido o dinheiro para mais um rateio entre prefeituras através do Fundam e para que o próprio governo de Raimundo Colombo (PSD) possa tocar obras na reta final do mandato.

É só isso que importa. Tanto é que na tarde de terça-feira, a Comissão da Finanças da Assembleia se reuniu de forma extraordinária para rapidamente aprovar o projeto autorizativo que tramita no parlamento. A maior parte das falas dos deputados que integram a comissão giraram em torno de elogios ao Fundam — o programa deve distribuir R$ 700 milhões entre os 295 municípios. O texto foi aprovado sem votos contrários, apenas com a abstenção do deputado Fernando Coruja (PMDB).

Repito, era uma reunião da Comissão de Finanças — a responsável por fiscalizar a "dívida pública, interna e externa", segundo o artigo 73 do Regimento Interno da Alesc. Em nenhum momento da reunião foi discutido o impacto de um financiamento de R$ 1,5 bilhão sobre uma dívida que hoje já é de R$ 18 bilhões. Também não foi questionado quando e em que valores ficarão as prestações dessa dívida. Nenhum parlamentar interessou-se em saber como será feita a correção dos valores, que taxa de juros BNDES e Banco do Brasil cobrarão ao Estado. Importante era o dinheiro novo e, principalmente, poder palpitar sobre o destino dos recursos e como levá-los para suas bases às vésperas do ano eleitoral.

Essas perguntas, se feitas ontem, não teriam respostas. O próprio governo ainda não as têm, porque as condições dos financiamentos estão em discussão com os bancos federais. Certo é que a taxa de juros e as condições de pagamento serão menos camaradas que as dos empréstimos que viabilizaram o Pacto de Santa Catarina, que tiveram o governo federal como avalista.

Desta vez, é Colombo quem banca a necessidade de um novo financiamento — certo de que a política do Fundam é correta e de que essas operações são a única forma fazer obras diante de um orçamento engessado e uma arrecadação ainda titubeante. Os números e projeções do governo deixam claro que o Estado tem fôlego para suportar o novo empréstimo. Mas era função da Comissão de Finanças certificar-se disso ao extremo. Afinal, o cheque em branco assinado pelos parlamentares será cobrado de todos os catarinenses. 

 
 

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaHomem é preso suspeito de tentativa de estupro em Itajaí https://t.co/8nKSn9ajgW #LeiaNoSantahá 22 minutosRetweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaCasais de SC que tiveram bebês trocados na maternidade há 29 anos vão receber indenização do Estado https://t.co/CoeCidGGXe #LeiaNoSantahá 51 minutosRetweet
Jornal de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros