Upiara Boschi: Uma manobra impediu que Raimundo Colombo tivesse as contas de 2016 rejeitadas pelo TCE - Política e Economia - Santa

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Opinião01/06/2017 | 11h07Atualizada em 01/06/2017 | 11h07

Upiara Boschi: Uma manobra impediu que Raimundo Colombo tivesse as contas de 2016 rejeitadas pelo TCE

Com um pequeno hiato no governo de Paulo Afonso Vieira (PMDB), nos anos 1990, os catarinenses se acostumaram a ver o Tribunal de Contas do Estado apresentar certa docilidade em relação às contas dos governadores de plantão. O roteiro anual previa questionamentos sérios da área técnica, relatório contemporizador de um conselheiro e aprovação das contas com uma dúzia de ressalvas e outras duas de recomendações.

Na quarta-feira, por muito pouco, os conselheiros quase quebraram esse histórico. Uma manobra impediu que Raimundo Colombo (PSD) tivesse as contas de 2016 rejeitadas pelo TCE. Os 3 votos a 2 que livraram o pessedista de um revés político inesperado delimitaram uma espécie de bancada de oposição na corte administrativa.

O que ficou claro é uma mudança de postura dos conselheiros que militavam no PMDB antes de entrarem para o tribunal: Herneus de Nadal e Luís Roberto Herbst. Quando as delações da Odebrecht citaram o conselheiro Júlio Garcia como suposto consultor informal da empreiteira na tentativa de comprar a Casan, em abril, ele decidiu deixar a relatoria das contas do governo este ano — deixando a função para Herbst. Hábil integrante do grupo político que levou Colombo ao poder, Garcia buscava se preservar.

Na terça-feira, Herbst surpreendeu ao liberar aos demais conselheiros o voto em que pedia a rejeição das contas do governador. Apontava questões para as quais o próprio TCE já fechara os olhos ou deixara apenas entreabertos. Com o endosso em plenário de Herneus de Nadal, bastaria mais um voto para formar maioria contra o Centro Administrativo e ele poderia vir da conselheiro substituta Sabrina Iocken — convocada na última quinta-feira para a vaga de Garcia, em férias. Diante da possível derrota, o Diário Oficial do TCE de ontem trouxe a anulação da convocação e o conselheiro titular voltou ao plenário. Estava garantida a maioria.

Ainda é preciso mapear os movimentos de bastidores que levaram os ex-peemedebistas do TCE a endurecer o discurso contra as contas de Colombo. Na área técnica e no Ministério Público de Contas, os conflitos têm se aprofundado nos últimos anos. Uma das leituras indica a intenção do PMDB de enfraquecer o discurso de Colombo como gestor — alvejando por tabela o ex-secretário Antonio Gavazzoni, arquiteto das soluções que mantiveram o Poder Executivo com as contas em dia durante a crise, mas acusado de excessiva criatividade contábil em alguns círculos. Fragilizado, o PSD poderia aceitar apoiar um peemedebista ou ser mais fácil de bater em disputa. Certo é que em se tratando de TCE, toda decisão é política.

Por mais erros que tenha cometido no governo, Paulo Afonso só teve as contas de 1996 e 1998 rejeitadas por não ter conseguido formar maioria. Sina da qual Colombo escapou ontem, mas que pode exigir maior atenção no ano que vem.

 
 

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