Carolina Bahia: todos no escuro - Política e Economia - Santa

Versão mobile

Política12/07/2017 | 02h10Atualizada em 12/07/2017 | 02h10

Carolina Bahia: todos no escuro

A cena das senadoras na penumbra a comer marmitas na Mesa do Senado ajuda a ilustrar um país no escuro

Carolina Bahia: todos no escuro ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto: ANDRÉ DUSEK / ESTADÃO CONTEÚDO

A cena das senadoras na penumbra a comer marmitas na Mesa do Senado, atrasando por seis horas a votação da reforma trabalhista, ajuda a ilustrar um país no escuro. A Lava-Jato gerou inquéritos contra parlamentares no STF, o presidente da República foi denunciado por corrupção passiva e abastece com cargos e emendas o rolo compressor na Câmara – deixando escassear o dinheiro para serviços essenciais –, enquanto a oposição adotou postura autoritária no Senado

Quem bradava pela defesa da democracia na militância contra o impeachment de Dilma Rousseff e no coro pró-Diretas, tomou atitude oposta nesta terça. Não discuto o mérito do projeto, critico apenas a postura. Gostando ou não, os senadores da base governista foram eleitos na urna, sem nomeação no Diário Oficial. As parlamentares do PT, PCdoB, PSB, PDT e até do PMDB de Temer desejavam emplacar um destaque na reforma, capaz de corrigir distorção e devolvê-la à Câmara. Sem maioria, tentaram no muque. Tiveram de ouvir a corneta do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o Índio na deleção da Odebrecht: "Nem a ditadura militar ousou ocupar a Mesa do Congresso". 

Passando a régua, as senadoras chamaram atenção e fizeram lives no Facebook, buscando melhor conexão com movimentos sociais. Se a atitude da oposição foi truculenta, também é lamentável, do ponto de vista moral, o troca-troca promovido pelo Planalto de titulares na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara afim de blindar Michel Temer. Dentro do regimento, ele impõe na força uma posição. Para o lado que o eleitor olha, fica difícil encontrar uma saída razoável. A penumbra é geral. 

Trator
O PMDB reúne na manhã desta quarta a executiva nacional para fechar questão contra a denúncia da PGR. Quem desrespeitar a posição pode ser suspenso ou expulso. PP e PR discutem a mesma medida, o que garantiria a Temer quase 150 votos na Câmara.

Pressão
Com divergências sobre a denúncia, parte da bancada do PP pressiona para que o partido não feche questão. E lembram que, no impeachment de Dilma, os infiéis não foram expulsos. Waldir Maranhão (PP-MA) segue no partido. ¿Considero uma condecoração¿, disse Esperidião Amin sobre a saída da CCJ da Câmara em razão do apoio a denúncia contra Temer.

Leia outras colunas de Carolina Bahia

Carolina Bahia: Temer e a destruição

Carolina Bahia: Temer e o teste de fidelidade

Carolina Bahia: vitória da Lava-jato

Siga Santa no Twitter

  • santacombr

    santacombr

    SantaConexão econômica: da UFSC para a Anheuser-Busch Imbev https://t.co/hrE8mIGbOz #LeiaNoSantahá 1 horaRetweet
  • santacombr

    santacombr

    SantaConexão econômica: indústria de SC está atenta ao mercado do carro elétrico https://t.co/CY0yrhDvnO #LeiaNoSantahá 1 horaRetweet
Jornal de Santa Catarina
Busca